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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

A dor e alegria na Quaresma

Os dias de chuva têm sido muito bem aproveitados, o Gabriel adora as suas experiências...


A Clarinha e a Sofia as suas pinturas e brincar com os bebés...



Ou então pegarem nos patinhos bebés...


ou visitar as cabritas que já nasceram...



 Temos dedicado mais tempo à palavra e Deus em família e os nossos serões são cada vez mais divertidos com jogos que todos participam. Para mim, mesmo no meio de dificuldades, preciso de encontrar todos os dias momentos de partilha e alegria em família, momentos em que nos divertimos. 


Dias antes do início da Quaresma, contemplávamos no canto de oração e eu meditava na dor e na alegria da cruz. Não há verdadeira alegria que não tenha sido gerada com alguma dor e não há dor que não venha para nos mostrar uma nova alegria, um novo caminho a seguir para nos tornar melhores. Isto acontece em tudo na nossa vida. A alegria e dor são inseparáveis e é preciso amá-las para seguir o Senhor. Alegria sem alguma dor é passageira, não criou raízes no nosso coração. E se vivemos a dor, fechados em nós mesmos e não nos agarramos à alegria das promessas de Cristo, perdemos uma grande oportunidade de descobrirmos uma alegria e força que o Senhor nos quer mostrar. Os verdadeiros momentos de alegria que o Senhor me mostra na minha vida surgem não por sorte, mas com o meu esforço, com a minha entrega e alguma dor em alcançá-los. Se amamos e o nosso amor não nos causa alguma dor, sacrifício e esquecimento de si é porque o nosso amor ainda não é maduro. Toda a mãe sabe não há coisa mais bela que ter um filho nos braços e vê-lo crescer, mas por detrás dessa grande alegria há muito trabalho, noites sem dormir, sacrifícios. Mas que peso tem tudo isso relativamente à alegria da sua presença?  



Nesta Quaresma quero mergulhar na alegria da nossa salvação, fruto da entrega, do amor e sofrimento do Senhor na sua paixão na Cruz. Quero ser o rosto alegre de Cristo e viver sem medo as dores da vida compreendendo que não há dor sem alegria.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A Palavra de Deus

Este ano o Gabriel está no 4ºano da catequese. A Festa da palavra na nova paróquia foi logo no início do ano onde todos os meninos receberam a sua Bíblia. No final da celebração fui cumprimentar o padre Paulino, o sacerdote nosso amigo que celebrou a missa e entregou as Bíblias. Pedi-lhe que escrevesse algumas palavras para o Gabriel e assinasse para recordação. 

-" Ainda te lembras da promessa que fizeste na missa?"- perguntou-lhe. Ele acenou com a cabeça.
-" A Bíblia não é para ficar na prateleira como ornamento e ganhar pó,  mas sim para ser aberta todos os dias um pouquinho e ouvirmos o que  Jesus tem para nos falar...."

Cá em casa há algumas Bíblias, mas quando ele recebeu a sua começou logo a explorar os mapas das viagens de São Paulo e todos os anexos no fim da mesma e fazia muitas perguntas. Além de ele pegar na Bíblia para a explorar e ler sozinho, desde então, depois das manas mais novas se deitarem ficamos mais um pouquinho meditando as leituras do dia e o salmo. Tem sido muito bom, pois tem sido uma disciplina também para mim. É impressionante como a Palavra de Deus responde, orienta e ilumina o nosso caminho quando temos que tomar decisões e educar os nossos filhos. O que seria de mim sem a Palavra de Deus? Sem a sua orientação? Nela encontro as raízes da minha esperança e alegria!




Sim, este é um grande tesouro! Eu sei que se os meus filhos caminharem segundo a Palavra de Deus encontrarão a verdadeira felicidade e a consolação e socorro de Deus nas dificuldades...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Dia 20, um dia em cheio...

A poucos dias do nascimento do Senhor, depois dos ensaios e da Santa Missa na nossa comunidade, o grupo da catequese apresentou uma peça de Natal para toda a comunidade dentro da Igreja, depois da benção final do padre Paulino. Uma prenda para o Senhor...


Os meninos andava a treinar a peça que durou 30 minutos já há muitas semanas. A nossa querida catequista Ana Maria apresentou-nos um guião cheio de passagens e com muitas músicas.
A presença e a ternura do nosso "menino Jesus" e de Maria tornaram o ambiente cenário de contemplação... 



O Gabriel e a Clarinha participaram e até eu tive papel na história. Que alegria!


Mas o dia não ficou por aqui. O almoço foi apressado pois já faltada pouco tempo para as 15h e iriamos estar mais uma vez juntos para rezarmos com as famílias de Caná. A Aldeia da abóboda orientada pelo João e pela Sónia, os nossos queridos amigos, caminha com união e simplicidade. 


À luz dos Mistérios da Fé e conduzidos pelo João procurámos meditar no nascimento do Senhor. Lançámos preces diante do Santíssimo para que o Senhor pudesse nascer naqueles locais da nossa vida mais difíceis e que escondemos...
As crianças foram convidadas a se aproximarem mais perto do Santíssimo e a falarem com Jesus. Depois rezámos todos juntos o terço com a presença do Padre Miguel. Que bênção!
A brincadeira e a conversa estendeu-se até á noite no parque das crianças que andavam animadíssimas no escorrega e nos baloiços.
 Um dia em cheio...

sábado, 26 de dezembro de 2015

Um Santo e Feliz Natal

As nossas orações, cânticos e  brincadeiras à volta do pequeno presépio que o Gabriel e a Clarinha montaram com carinho marcaram  a alegria do Advento deste ano nos nossos corações, a expectativa do nascimento do Senhor nas nossas vidas...




... e também as viagens em que os pequenos colhiam florinhas pelo caminho  para as oferecer ao Senhor na capela mais próxima.




Diante do Santíssimo e aos pés de Jesus recém nascido desejo-vos a todos um Santo e Feliz Natal e faço votos que neste ano o Senhor possa entrar na vossa casa e nos vossos corações de uma forma especial e transformadora.


                           


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O nosso dia especial de Todos os Santos

Há um dia do ano muito aguardado pelos mais pequenos lá de casa: o dia de Todos os Santos. Durante o ano inteiro se ouvem conversas do que se passou no último Dia de todos os Santos. Pelo menos, é o que tem acontecido desde que estamos na casa da Paz,  há 6 anos. Este é um dia também nosso, também nós nos sentimos próximos  deste grupo de irmãos mais velhos, somos família de todos os santos e caminhamos para lá.  Durante o ano inteiro, recorremos a eles com confiança nas nossas dificuldades, suplicamos a sua intercessão diante do Senhor. 

O dia é sempre vivido na Aldeia com muita alegria e entusiasmo, é um dia para darmos abraços, sorrisos, para agradecermos, para visitarmos quem está só e ouvirmos os desabafos de quem já tem idade e só espera o dia de ser chamado pelo Senhor. É um dia inteiramente missionário, ir à casa dos outros, levar alegria.  
"Só espero que para o ano ainda cá esteja para vos dar os bolinhos." " É para mim uma alegria, ver os sorrisos destas crianças",  eram os desabafos de alguns que abriam a porta. 

Este ano os mais pequenos não se cansavam de me lembrar: " Mamã, falta muito para o Dia de todos os Santos?" " Não te esqueças, que temos de estar na casa da Paz no dia dos Bolinhos!"
Os mais pequenos não quiseram faltar. De manhã cedo, estivemos em Cardigos, o Gabriel e a Clarinha, avistaram logo alguns colegas da escola. Em grupo, andámos umas 2 horas sem parar de casa em casa. As crianças levavam uma sacola na mão, batiam na porta de cada casa e cantavam em coro: "Bolinhos, bolinhos em honra e louvor de todos os santinhos!". Do outro lado da porta surgia sempre alguém sorridente com uma mão cheia de rebuçados, bolinhos e uma moeda para oferecer. Com as mãos estendidas e os sacos abertos agradeciam e saiam apressadamente para outra casa. Alguém lembrava: " Não podemos nos atrasar, aproxima-se a hora da missa!"

 

Em pouco tempo chegou a hora da missa. Segredei ao ouvido do Gabriel e da Clarinha: " A bisavó deve estar hoje no altar". Sorri. Sim, não só os santos reconhecidos pela Igreja estavam junto de nós mas também muitos familiares nossos que deram testemunho de Cristo estavam diante de nós no altar naquele instante.

Da parte da tarde, andei eu com os três a pedir os bolinhos pela nossa Aldeia. Gostei muito de conversar com quem nos abria a porta, sempre que cantávamos: " Bolinhos, bolinhos em honra e louvor de todos os santinhos!" Andavam todos tão contentes...









Ainda houve magusto ao fim do dia e ao olharmos para o céu cinzento, ainda apanhámos umas gotinhas de água benta que caia do céu...

Ao serão, ouvimos histórias. Tinha-os desafiado a escolherem um Santo, a mascarem-se e a ouvirmos a história sobre o Santo escolhido.

A Clarinha não hesitou:
- " Eu sou a Santa Filomena. Contas a história dela?" A Santa Filomena está muito presente na nossa casa. Já recorri muitas vezes a ela e sinto a sua protecção. A Clarinha já algum tempo usa o cordão de Santa Filomena e não o larga. Já lhe contei vezes sem conta a sua história e ela nunca se cansa de ouvir.

O Gabriel tinha um fato de cavaleiro do carnaval e disse:
- " Posso ser aquele santo...."
-" São Nuno Álvares Pereira ou São Nuno de Santa Maria?"
-" Sim!"

-"A Sofia é Santa Bárbara."- disse-lhes.
-" Venham ver no computador quem é. Sabem, não se ouve falar muito de Santa Bárbara, vamos conhecer um pouco dela. Sabem, um dia, eu pedi-lhe ajuda. Já não me lembro muito bem em que altura do ano estavámos mas eu estava muito triste e disse-lhe mais ou menos assim: " Santa Bárbara,  não me deixes ficar sem o sacramento da reconciliação nesta altura tão importante. Ajuda-me. Os sacerdotes aqui são poucos ajuda-me a conseguir confessar-me. Passado pouco tempo cruzei-me com um sacerdote. Fiquei muito feliz."
  
Estávamos muito cansados da longa maratona que tínhamos feito, mas felizes. Eles adormeceram em segundos a ouvir-me rezar o terço...

sábado, 24 de outubro de 2015

A coisa mais preciosa...

Durante a nossa oração familiar há umas semanas atrás, ao olhar para o rosto da Clarinha e do Gabriel, disse-lhes:

- "Eu sei bem as partes do dia que vocês mais gostaram. Será que descobrem qual a parte do dia que a mamã mais gostou?" - O Gabriel sem nenhuma hesitação respondeu:
-" Eu sei! Foram aqueles minutos que estivemos perto de Jesus, não foi?"- A Clarinha continuou-
- " Mas, mamã... foi tão pouco tempo..."
-" Sim, é verdade, Clarinha. Foram só uns minutos, mas eu não trocaria nada deste mundo por aqueles minutos. É a coisa mais preciosa que tenho. "
Eles ficaram a olhar para mim durante uns segundos.
Sempre que eu consigo aqueles minutos, ganho o resto das horas do dia...


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A nossa ação que cria e transforma pequenas coisas

 Um dia destes durante as férias, o Gabriel veio ter comigo e com um ar aborrecido disse-me:
-" Mamã, já não me apetece brincar sempre com os mesmos jogos, já repetimos vezes sem conta o mesmo jogo..."
- " Tu não gostas de jogos de tabuleiro? Ah, já sei! E que tal fazeres tu um jogo de tabuleiro? É muito divertido! Tu inventas um tema e regras e depois brincas com a mana!"
- " Boa! Posso fazer um tabuleiro de compras e vendas e com cartões surpresa! Preciso também de fazer umas notas com diferentes valores para as compras e vendas, não é?"
- "Sim, que boa ideia! Vais ver que vai ser o melhor jogo de sempre!"- sorri para ele- "Agora mãos à obra! tens muito trabalho pela frente." Enquanto fiz o almoço eles passaram um bom bocado entretidos a construir o jogo e as regras.
- " Mamã, vem ver o jogo! Gostas?"
-" Parece muito divertido! Um dia destes fazemos um tabuleiro a sério com o tema da Bíblia! Já estou a imaginar como seria! Se calhar muitos meninos iriam-se divertir muito com este jogo, além de  aprenderem muitas coisas acerca da Bíblia, não é uma boa ideia?" Eles concordaram e voltaram para a brincadeira.




Outro dia, foram para o jardim construir aviões e outros brinquedos.



Houve um dia que estava cansada e andava de um lado para o outro.
Virei-me para o Gabriel e disse-lhe:
-" Porque estás sentado e não vais brincar?"
-" Não sei ao que brincar..."
-" Olha, a mãe já há muito tempo que não brinca... Como eu gostava de resolver os labirintos e as sopas de letras..."






 Como eu me diverti a resolver os jogos do Gabriel! Se mais houvesse mais fazia...


Também não faltam as brincadeiras no tapete...



Há um tempo atrás o Gabriel, guardou uns grãozinhos de milho com muito cuidado. Depois coloco-os a germinar em algodão e quando a raiz já estava grandinha passou-os para a terra. Quase todos os dias, ele ia excitadíssimo observar se a plantinha já tinha rompido a terra. Cuidou com carinho das plantinhas e sachou-as das ervas daninhas...



Sempre que estivemos fora de casa por uns dias, preocupava-se em que a avó se lembrasse de regá-los. Quando chegava de novo a casa dava pulos de alegria com o crescimento deles. Foi muito bonito acompanhar tudo o processo. Ele gosta muito de comer massarocas de milho cozidas regadas com azeite. Hoje, apanhou-as e disse-me:

-" Mamã, por favor, podemos cozê-las para o jantar?" Foi uma festa e a fotografia diz tudo! Mas para mim, o mais belo foi a partilha do milho à refeição com as irmãs, fruto do seu trabalho e da graça de Deus...





Com tudo isto eu meditava:
Porque esperamos tudo sempre pronto?
Que alegria imensa o fruto do trabalho das nossas mãos confiantes de que Deus nunca nos faltará em dons para servir...
Que alegria imensa nunca esperar que tudo já esteja pronto na nossa vida e compreender que a verdadeira felicidade e alegria está na nossa ação que transforma e cria pequenas coisas...
Que alegria imensa sermos corajosos de colocar as mãos disponíveis para agir, criar, inventar...
Que experiências maravilhosas acontecem de partilha, criatividade e amor quando nos deixamos desafiar pela vontade de Deus!

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A Festa de aniversário do Gabriel, a Aldeia e as Aldeias de Caná

Todos os anos na nossa Aldeia, no primeiro sábado de  Agosto, todas as pessoas se juntam num dia em cheio! Um dia inteiro de convívio com aqueles que emigraram para outros países e lá formaram família e tiveram filhos, com aqueles que foram viver para as grandes cidades e ainda a conversa animada dos poucos que ainda habitam cá. Muitos trazem familiares e amigos e as mesas se enchem de alegria, crianças e de muita conversa. Este dia é especial, é chamado o "dia da sardinhada". Há sempre uma equipa que trabalha com dedicação: panelas gigantes de batatas cozidas, bacias enormes de tomate cortadinho com cebola e as famosas sardinhas bem gordinhas e fresquinhas que os homens assam lá fora na brasa. A comida é disponível para todos, de coração aberto, não há reservas, nunca ninguém sabe ou certo quantas pessoas aparecem  mas há sempre comida para mais alguém. Há tarde, há febras na brasa e muita conversa. Este dia começa sempre bem cedo, ao meio dia temos sempre a celebração da Eucaristia geralmente com os sacerdotes das nossas terras, que muitas vezes estão longe em missão, e que em Agosto passam ali uns dias de descanso com alguns familiares. 

É um dia especial de união, de retorno às origens, algumas pessoas só as vemos neste dia... 









Esta experiência de vivermos numa Aldeia é muito enriquecedora, há tantos exemplos simples  que me fazem viver de perto o amor de Deus. De quando em quando, há sempre uma vizinha que nos liga para nos oferecer rama de videira para as cabras comerem, muitas vezes oferecem-nos muitos ovos, há sempre um gesto de carinho e amizade... 

Todos os anos é neste clima de união que fazemos sempre a festa de aniversário do Gabriel. Além dos amiguinhos da escola todas as crianças presentes são bem-vinda à festa.



Eu sou uma apaixonada pelas experiências simples de doação da Aldeia, não admira que me sinta tão entusiasmada pelas Aldeias de Caná. Nem todos temos a possibilidade de viver de perto numa Aldeia, mas através do projeto de Deus das Aldeias de Caná, o espírito de intimidade com Deus e partilha entre famílias pode ser uma realidade para todas as paróquias. Como tão bem afirmou o nosso amigo João Miranda, pai de uma belíssima Família de Caná, enquanto conversávamos : " Não era pedir muito se cada paróquia fosse uma Aldeia de Caná!" As Aldeias de Caná são uma das respostas de Deus nos dias de hoje para reerguer paróquias, onde pequenos núcleos sólidos de famílias se animam na fé, caminham juntos e contagiam outras famílias com gestos simples dando o testemunho vivo da presença do Senhor onde quer que estão. As Aldeias de Caná são também ótimas oportunidades de caminhar ao lado dos nossos sacerdotes, reconhecendo a benção dos sacramentos na nossa vida, crescendo na fé com os seus ensinamentos e um constante desafio para estarmos sensíveis às suas necessidades pessoais e da paróquia e apoiá-las.

Muitas famílias pensam que vão perder tempo ao se unirem nas Aldeias de Caná, que é dispensável estarem com outras famílias para serem felizes e encontrarem o Senhor.Respeito todas as opiniões e de fato, existem muitas formas de servir, mas uma coisa é certa : nenhuma família se salva sozinha, na sua casinha com a sua fé. Não é por acaso que vivemos a nossa fé em comunidade, que as famílias se juntam ao domingo para viver e celebrar a Eucaristia Dominical. Se não fosse preciso nos unirmos cada família ficava em casa no Domingo e rezava sozinha. Se não fosse preciso nos unirmos, falávamos diretamente com Deus e não precisávamos de nos deslocar à Igreja para receber pelas mãos do sacerdote o perdão de Deus. Se não fosse preciso nos unirmos não precisávamos das mãos do sacerdote para que Jesus descesse em corpo e alma numa partícula de farinha e água, servindo-nos de verdadeiro alimento. Sim, é verdade! Precisamos uns dos outros e o nosso coração deve abrir-se ao serviço e à partilha. Não nos unimos porque temos talentos ou bens para dar, mas sim unimo-nos porque queremos entregar a nossa vida ao Senhor e é Ele próprio que nos encherá do seu espírito e nos mostrará como servir, nos encherá de dons. As famílias que se disponibilizam para estarem juntas descobrem na prática uma alegria que não conheciam, a solução de alguns dos seus problemas e a felicidade nos rostos dos seus filhos!

Em todo o esforço que realizamos para unir famílias os primeiros a ganhar são os nossos filhos que ganham amigos novos para a brincadeira, amigos que ficam nos seus corações para sempre e que até rezam juntos e vão juntos à Missa! Tantas graças, tantas bençãos....

Parabéns, Gabriel! Estás cada vez mais crescido, mais cheio da presença de Deus... Durante este último ano, ganhaste muitos amigos novos para brincar e também para rezar. Talvez no futuro sejam esses amigos com quem falarás de Deus e sairás em missão transformando o mundo!... 


sábado, 25 de julho de 2015

Com os olhos a brilhar...

O normal para os meus filhos é verem tratores a passar na estrada, brincarem na terra ou na horta, construírem brinquedos, fazerem caminhadas nos pinheiros. Apesar disso, fico sempre maravilhada  com o entusiasmo e excitação com que brincam, como se realizassem sempre tudo pela primeira vez. A capacidade de verem em tudo coisas novas, quase diria de "nascerem de novo" cada dia e de reinventarem brincadeiras é algo que eu também tenho de pôr em prática nos meus desafios do dia-a-dia que muitas vezes se repetem.






Os olhos do Gabriel e da Clarinha brilharam, quando viram ao longe o comboio e muitos autocarros a passar na estrada movimentada da capital. 

-" Mamã, podemos andar de comboio...por favor!" pediam os dois enquanto olhavam pelo vidro da janela.

Eu que sou lisboeta ( apesar de o meu coração sempre pertencer à Aldeia), vivi até me casar na capital e andei de todos os meios de transporte diariamente, diverti-me imenso a andar de comboio e de autocarro nas ruas movimentadas da cidade com três crianças que não paravam de falar e a observar tudo...


Ri para mim mesma, ao pensar que a mesma reação têm as crianças que nos vêm visitar da cidade, quando observam as cabritas, os tratores ou vão connosco brincar na ribeira...

Ficar com os olhos a brilhar, com o coração cheio de entusiasmo e alegria é tão bom e abre-nos a alma para escutar o que o Senhor nos tem a dizer.

No meu coração ia meditando... 

Quantas crianças são privadas de ficar com os olhos a brilhar e com o coração cheio de entusiasmo com a presença do Senhor? 
 Quantas crianças ainda não descobriram o que é rezar em família? Quantas crianças ainda não tiveram a oportunidade de ficar com os olhos a brilhar simplesmente porque iriam participar num encontro de famílias com outras crianças? 
Se damos oportunidade aos nossos filhos de ter experiências novas que não fazem parte do seu dia-a-dia e que são enriquecedoras porque não lhe damos o presente de estarem com outras crianças a louvar o Senhor?

Venham... Um dia também os vossos filhos chamarão outras crianças e juntos ofereceremos muitos corações ao Senhor!

 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Recomeçar

-" Mammmãããã!"
- " O que se passa Gabriel?"
-" A Clarinha e a Sofia voltaram a destruir e a mexer nas minhas construções! Tenho de começar tudo de novo!"
-" Acalma-te... Olha, em primeiro lugar tu já sabes que tens de deixar as tuas coisas bem arrumadas e fora do alcance da Sofia. Depois, senta-te aqui ao pé de mim que vou contar-te uma história..."
O Gabriel, sentou-se comigo no sofá muito aborrecido.
-" Sabes, quando a mãe andava na escola tinha uma disciplina chamada técnicas laboratoriais de Biologia e Química. Eu tinha que fazer os relatórios da experiências que fazia e gostava sempre de fazer tudo bem perfeitinho. Eu tinha um computador muito lento, daqueles antigos e a parte escrita do trabalho fazia-a nele. Muitas, muitas vezes... eu já estava no final do trabalho e de repente.... o computador desligava-se e eu perdia todo o trabalho e tinha que começar tudo de novo... Lembro-me no início de ficar muito chateada. Houve um dia que eu decidi não ficar chateada, pois  percebi que não ia resolver nada, isso não ia fazer o trabalho aparecer de novo e depois reparei que demorava o dobro do tempo a terminar a segunda vez, pois tinha de pensar tudo de novo! Quando eu reclamava perdia energia e esquecia-me das palavras que tinha usado. Quando me concentrava em recomeçar logo, sem reclamar, as palavras vinham todas e acabava mais rápido!
Há coisas que acontecem que nos deixam tristes ou chateados, mas já aconteceram! Não há nada a fazer! Achas que reclamar vai resolver alguma coisa? Achas que o trabalho vai aparecer de novo feito sozinho?
Quando acontecer de novo, quando perderes tudo e tentares ganhares força para recomeçar concentra-te só em lembrar-te o que tinha ficado bem feito e pôr logo em prática, antes que te esqueças!"

Cá em casa, estou a tirar o doutoramento do recomeçar. Eu passo a explicar: arrumo a cozinha e passados nem cinco minutos tenho a cozinha desarrumada e mais loiça para lavar. Volto a arrumar como se fosse a primeira. Vale a pena, reclamar? Se estiver muito cansada, levo-os a passear um pouco, ou tomam um banho de mangueira e depois voltamos e todos participam na arrumação...






Muitas vezes  ao longo da vida, Deus chama-nos a perder algo, muitas vezes essencial para nós  e faz-nos o convite de recomeçar. Recomeçar para descobrirmos algo novo! Recomeçar para melhorar algo. Se ficarmos presos naquilo que perdemos, perderemos a oportunidade de ver os milagres que Deus quer realizar na nossa vida e de algo novo que Ele nos convida a recomeçar...


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Estar atento à voz de Deus

Das primeiras coisas que faço quando acordo, ainda deitada na cama é invocar o Espírito Santo e pergunto: "Espírito Santo o que vamos fazer juntos hoje? Se não fizermos as coisas juntos, vou-me perder de certeza!"
Quando os mais pequenos acordam lembro-os sempre de dizer : " Bom dia Jesus! Bom dia Nossa Senhora!"
Apesar de estar em casa e ser responsável pelas tarefas diárias que se repetem vezes sem conta, cada dia é único, cada dia recebo uma inspiração nova e aprendo muitas coisas. Nunca sei ao certo o que vai acontecer, não sou muito de fazer muitos projetos ou de planear as coisas com muita antecedência e mesmo quando tenho que planear, estou sempre atenta a tudo aquilo que vou recebendo no meu coração. Procuro estar atenta a tudo o que acontece e perceber o que realmente Deus quer que eu faça. Para mim uma das coisas que me traz felicidade no meu dia-a-dia é esta atitude que eu peço sempre em oração: " Esvazia-me Senhor em cada dia, ajuda-me a ser leve, ajuda-me a não  ser esmagada pelo peso das preocupações, a não querer saber tudo, nem a controlar tudo, ajuda-me a estar presente em cada instante Contigo, não deixes que eu Te perca de vista enquanto faço as minhas tarefas,  para que Tu venhas e possas me encher da Tua vontade, com os Teus planos para mim. "
 Durante o dia enquanto o Serge trabalha fora, nós trabalhamos em equipa lá em casa.Trabalhamos para um bem comum que é ajudarmo-nos mutuamente nas tarefas.O Gabriel e a Clarinha fazem uma boa equipa e até brincam quem é o primeiro a acabar de arrumar os brinquedos todos. Quando todos colaboram há tempo para dançar, para passear, para fazer os trabalhos manuais que eles gostam.
É uma alegria ter três filhos lá em casa! Há muita brincadeira ao longo do dia, muita alegria, muita conversa e muitas vezes barulho... As brincadeiras em casa vão acontecendo naturalmente. Eles ficam muitas vezes  a brincar sozinhos na sala enquanto eu estou na cozinha que é ao lado ou no piso de cima e o Gabriel fica encarregue de manter a ordem e ver se está tudo bem. Deixei de ser uma mãe galinha para passar a ser uma mãe radar. Eu explico melhor, deixei de estar sempre em cima deles a observá-los e passei a só estar atenta aos perigos. Fora de perigos como a estrada e outros possíveis acidentes, deixo-os à vontade para explorarem, brincarem e resolverem os seus problemas e desafios. O meu radar só não deteta situações como estas...


Mas eu alegro-me, pois todos os dias tenho novas oportunidades para dar umas gargalhadas!

Às vezes há cantos de oração por todo o lado...


Quando estão sozinhos a brincar a sua criatividade voa alto. A Clarinha esteve a brincar às Famílias de Caná imaginem...



O Gabriel fica horas e horas a construir aviões, barcos e a imaginar coisas novas para construir...



Mais tarde, encontrei os três a fazer uma festa: com umas tiras de papel brincaram e brincaram...
Como é possível darem pulos de alegria com uma coisa tão simples e tão banal? Cá em casa,  descobrem-se sempre novos brinquedos todos os dias....



Depois de arrumarem a sala toda, lá colocam os bonés e brincam na terra, andam de bicicleta. Hoje, ao visitarmos os patinhos da minha mãe levámos a máquina fotográfica para tirarmos uma fotos. Não estão muito lindos e crescidos?





 Às vezes, Deus chama-nos a visitar os outros, a sair do nosso conforto e a dar um pouco do nosso tempo para ser a presença de Deus...

" Meninas, estão prontas para sair?"