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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

A alegria de estar em família e a alegria da nova Aldeia das famílias de Caná

Umas das coisas maravilhosas destes últimos tempos tem sido a alegria de estarmos com amigos. O tempo de conversa / partilha entre nós e a brincadeira entre as crianças parece não ter fim, temos sempre vontade de ficar só mais um pouquinho juntos. A Sónia e o João Miranda e os seus filhos são uma família de Caná muito especial para nós, com eles sentimo-nos em casa.


Temos tido momentos muito bons juntos, de brincadeira, conversa, de partilha de refeições, juntos também já fizemos a nossa oração familiar diária junto do canto de oração, e juntos participámos da Santa Missa na paróquia.

Neste clima familiar, tivemos a graça de receber no primeiro encontro da Aldeia de Caná de Cascais e arredores mais uma família da paróquia e a presença do padre Miguel que nos acompanhou com o seu ensinamento de acolhimento.
Foi um dia especial onde foi lançada a semente das Famílias de Caná na paróquia de Nossa Senhora da Conceição da Abóboda, vigararia de Cascais.
Eu estive a trabalhar com as crianças e diverti-me imenso. Aprendo sempre tanta coisa com as suas partilhas! É tão bom...
Estive a trabalhar com os Mistérios da Fé, primeiro volume, da Teresa. Que belo trabalho são os Mistérios da fé, vale muito a pena trabalhá-los em família!




Desenvolvi o tema da oração, da importância de estarmos atentos à voz do Senhor, percorremos o primeiro mistério dos Mistérios Gozosos. Contei a história de Samuel e a história da Anunciação do Anjo a Nossa Senhora.
Cada um construiu a sua cruz de papel com dobragens e recortes a partir de uma história, que nos fala onde encontramos a presença de Deus. Tirei a ideia da cruz aqui, mas adaptei a história ao tema.

A história que contei foi mais ou menos assim:

"O Senhor Deus criou-nos com um coração puro e limpinho como esta folha de papel. Pediu-nos que cumpríssemos os seus mandamentos e O escutássemos. Escutamos a voz do Senhor quando rezamos em família na nossa casinha ou na igreja. 

( aparecia a forma de uma casa)
  

Mas o homem esqueceu-se e preferiu procurar Deus através das coisas. Nos anos 60, o homem inventou o avião. 
( surge a forma do avião)
Assim pensou chegar até ao céu, mas ele viu que o avião não voava assim tão longe e talvez Deus estivesse para além das estrelas. Então, ele inventou o foguetão. 
( após cortar as asas do avião, surge o foguetão)

De fato, o foguetão ia mais longe mais ele percebeu que não era assim que ele encontrava a presença e o Amor de Deus.


Na verdade, só encontramos a presença e o amor de Deus na cruz, onde Jesus morreu e se ofereceu por todos nós. Mas Ele não permaneceu morto. Ao terceiro dia, ressuscitou e está sentado à direita de Deus Pai todo poderoso.
( surge a forma de uma cadeira)"


Depois cada um decorou a sua cruz.
E à semelhança de Samuel na sua cama a escutar a voz do Senhor, cada um levou para o seu canto de oração esta imagem ( tirei ideia aqui)  para se lembrar de estar atento à voz do Senhor e na parte de trás escreveu: " Fala, Senhor, que o teu servo escuta!" ou "  Eis a serva do Senhor". 




Foi um dia em cheio com oração e muita música, com o João à viola e todos nós a cantar. O João até tocou a música da Teresa, Vinde a Mim, já tínhamos treinado juntos em casa. Não correu nada mal! Que bom!

E aqui fica a foto do padre Miguel durante o seu ensinamento. Esperamos em breve mais pormenores deste encontro e do ensinamento do padre Miguel, pela partilha do João e da Sónia, que tão bem conduziram este encontro.




Obrigada Senhor, pela oportunidade de servir mais uma vez e de falar de Ti ao grupo de crianças... Como foi bom!

terça-feira, 28 de julho de 2015

A verdadeira alegria de estar com o Senhor não passa

Sempre fui fascinada pelas passagens bíblicas e pelo testemunho dos Santos que perante as adversidades, muitas vezes as piores que podemos imaginar custando até a morte física, eram capazes de dar testemunho da alegria e da confiança em Deus.

A narração da prisão de Paulo e Silas, passou muitas vezes na minha cabeça e eu passava imenso tempo a imaginar: "Como seriam aqueles hinos cantados com o corpo cheio de sangue e de chagas abertas?" " Como teriam força para louvar a Deus presos, sem comida e ensanguentados com dores por todo o corpo?". Quase que conseguia imaginar aquelas vozes a ecoar pela prisão, aquelas vozes penetrantes, que só a fé nos pode dar, aquelas vozes que eram o espelho da vida dos seus corações que não estavam presos ao corpo mas a Cristo. Como eu gostava de ter estado lá e escutado aqueles hinos...

"...prenderam Paulo e Silas, e os levaram à praça, à presença dos magistrados.
E, apresentando-os aos magistrados, disseram: Estes homens, sendo judeus, perturbaram a nossa cidade,
E nos expõem costumes que não nos é lícito receber nem praticar, visto que somos romanos.
E a multidão se levantou unida contra eles, e os magistrados, rasgando-lhes as vestes, mandaram açoitá-los com varas.
E, havendo-lhes dado muitos açoites, os lançaram na prisão, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança.
O qual, tendo recebido tal ordem, os lançou no cárcere interior, e lhes segurou os pés no tronco.
E, perto da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam."
Atos 16:19-25



Nesses testemunhos eu sabia que aí estava um grande segredo para eu viver na minha vida: Não perder a alegria. Sim, é difícil! Mas eu não o podia desperdiçar! Sim, não é impossível! É uma caminhada que se vai fazendo...

É necessário estarmos sempre gratos por tudo o que nos acontece, seja agradável ou não. É necessário aceitarmos o que já passou e entregarmos o futuro mais nas mãos de Deus, do que nas nossas próprias forças. Mas eu só comecei a perceber melhor na prática quando comecei a suplicar ajuda a alguns santos. Chamo-os sem cerimonias ou distâncias mas com o coração. Como eles estão disponíveis para nos ajudar! Eles são os nossos irmãos mais velhos e já fizeram o caminho.

Há dias que eu sinto muito a presença do Senhor, expresso o meu amor e falo muito com Ele, acontecem-me coisas muito sincronizadas, consigo realizar mil e uma tarefas e um amor muito grande enche o meu coração capaz de unir todo o mundo. Estava num desses dias quando senti no meu coração a voz do Senhor: "Não é neste dia que demonstras o teu amor por Mim"
Achei um bocado estranho, pois sentia muito a presença do Senhor.

Por outro lado, há dias que parece que tudo corre mal, vocês sabem bem o que isso quer dizer...
Pois bem, estava eu num dia desses, em que até a presença do Senhor parecia mais longínqua e me esforçava por rezar com fervor sem êxito. Senti dentro de mim algo como: " Eu dou-te a alegria se Me amares agora."

Sou desafiada a amar mais o Senhor nos meus momentos difíceis, nas contrariedades, nas fraquezas, quando tudo corre mal. Como o Senhor me enche de alegria simplesmente por aceitá-las.

Se as coisas correm bem, alegro-me, louvo e agradeço a Deus, todas as graças pois é Ele que permite.
Se as coisas correm mal, sei que tal como as boas estas também são passageiras, esforço-me por aproveitar ao máximo e vivê-las sem reclamar e poder oferecer este gesto de amor ao Senhor.

Perdemos muito tempo com medo de coisas que podem correr mal, fixos naquilo que julgamos ser mau na nossa vida. Será que o Senhor está a dormir nos nossos momentos difíceis? Eu não acredito e mais, eu sei que ele sabe o que é o melhor para nós. 

Porque colocamos tanto peso nas coisas sejam elas boas ou más e não simplesmente as aceitamos como são? Se simplificássemos não seriamos todos mais alegres?

Já repararam que as coisas boas ou más são passageiras mas a verdadeira alegria de estar com o Senhor não passa?


sábado, 25 de julho de 2015

Com os olhos a brilhar...

O normal para os meus filhos é verem tratores a passar na estrada, brincarem na terra ou na horta, construírem brinquedos, fazerem caminhadas nos pinheiros. Apesar disso, fico sempre maravilhada  com o entusiasmo e excitação com que brincam, como se realizassem sempre tudo pela primeira vez. A capacidade de verem em tudo coisas novas, quase diria de "nascerem de novo" cada dia e de reinventarem brincadeiras é algo que eu também tenho de pôr em prática nos meus desafios do dia-a-dia que muitas vezes se repetem.






Os olhos do Gabriel e da Clarinha brilharam, quando viram ao longe o comboio e muitos autocarros a passar na estrada movimentada da capital. 

-" Mamã, podemos andar de comboio...por favor!" pediam os dois enquanto olhavam pelo vidro da janela.

Eu que sou lisboeta ( apesar de o meu coração sempre pertencer à Aldeia), vivi até me casar na capital e andei de todos os meios de transporte diariamente, diverti-me imenso a andar de comboio e de autocarro nas ruas movimentadas da cidade com três crianças que não paravam de falar e a observar tudo...


Ri para mim mesma, ao pensar que a mesma reação têm as crianças que nos vêm visitar da cidade, quando observam as cabritas, os tratores ou vão connosco brincar na ribeira...

Ficar com os olhos a brilhar, com o coração cheio de entusiasmo e alegria é tão bom e abre-nos a alma para escutar o que o Senhor nos tem a dizer.

No meu coração ia meditando... 

Quantas crianças são privadas de ficar com os olhos a brilhar e com o coração cheio de entusiasmo com a presença do Senhor? 
 Quantas crianças ainda não descobriram o que é rezar em família? Quantas crianças ainda não tiveram a oportunidade de ficar com os olhos a brilhar simplesmente porque iriam participar num encontro de famílias com outras crianças? 
Se damos oportunidade aos nossos filhos de ter experiências novas que não fazem parte do seu dia-a-dia e que são enriquecedoras porque não lhe damos o presente de estarem com outras crianças a louvar o Senhor?

Venham... Um dia também os vossos filhos chamarão outras crianças e juntos ofereceremos muitos corações ao Senhor!

 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Fazer a diferença

Tenho consciência que todos os dias me é colocado um desafio no meu coração. Aliás, não é somente um desejo meu, é acima de tudo algo que persiste na minha consciência e não me larga e mesmo que eu finja não escutar ou não ver, é algo que não desiste de me alertar. É como um sinal vermelho que se acende e não apaga até que eu termine o que tenho que fazer. Sim, é verdade, muitas vezes não sou fiel a esse sinal e finjo não o ouvir ou ver. Eu chamo-lhe o meu grande desafio diário. Chamo-lhe grande porque é realmente transformador para mim quando o sigo, mas na verdade a maior parte das vezes é invisível aos olhos dos outros e consigo realizá-lo principalmente nas coisas pequeninas. O meu grande desafio diário é fazer a diferença onde quer que eu esteja, quer eu esteja fechada em casa a limpar ou a cuidar dos meus filhos ou quando passeio na rua ou quando encontro amigos. Em cada tarefa, em cada pessoa que encontro, em cada circunstância que me apareça, acende-se a luzinha vermelha e a pergunta: " Estarei eu a melhorar o espaço onde estou? Estarei eu sempre que encontro alguém ou me cruzo com alguém a elevar essa pessoa, a deixá-la mais feliz e esperançosa?"                                                                                                       

Quando estive no parque com as crianças, por exemplo, uma das meninas que estava connosco disse-me que queria ir à casa de banho. Eu acompanhei-a. Numa das divisões um autoclismo corria água que não parava. As pessoas passavam e não ligavam. "Para quê, ligar? Não fui eu que deixei a água a correr e além disso estamos numa casa de banho pública!" Este parecia ser o pensamento de todos. Um cristão não pode ser indiferente às pequenas coisas. Um cristão tem de lutar contra um coração de pedra, frio, indiferente a tudo o que acontece à sua volta, a um coração medroso, sempre com medo do que os outros vão pensar. Somos chamados a fazer a diferença e a  agir em toda a parte como se estivéssemos em nossa casa e cuidar de tudo e de todos com igual amor.  Sei que não é uma tarefa fácil! Mas mesmo que quisesse fingir que não ouvia era impossível, lá estava a luzinha vermelha a me chamar. Lá fui eu. Carreguei simplesmente de novo no botão do autoclismo e a água parou. Que coisa tão simples! 

Achariam estranho, se o Senhor um dia mais tarde me pedisse contas de toda aquela água que tinha sido desperdiçada se não agisse? Tudo o que acontece à nossa volta somos de certa forma responsáveis.

Quando passeamos na rua, será que a nossa presença ajuda os outros? Será que nos preocupamos em deixar a rua mais limpa do que estava antes de passarmos ou nem ligamos e deitamos para o chão aquele lenço minúsculo porque o caixote do lixo ainda ficava longe? E se virmos uma garrafa no chão passamos ao lado e não a apanhamos só porque não fomos nós? 

Quando passeio na rua gosto de sorrir para as pessoas discretamente. Gosto de arrancar sorrisos de quem passa e acho engraçado a reação e o olhar de quem me observa com três filhos agarrados a mim no passeio ou a falarem e a pedirem coisas ao mesmo tempo. Acho que as pessoas saem mais divertidas da rua quando cruzam connosco e me vêem!

Quando conheço alguém ou me cruzo com alguém pela primeira vez ou mesmo que já a conheça bem, o Senhor me mostra sempre  que todos têm qualidades, sem excepções. Procuro encontrá-las. Mesmo que sejam poucas ou insignificantes elas são o tesouro, através do qual o Amor de Deus pode entrar nas suas vidas. Procuro elevar as pessoas mostrando-lhes tudo aquilo que ainda podem fazer de bom com as suas qualidades.

Na verdade, todos nós temos esta luzinha vermelha dentro de nós que nos chama a agir, que nos desafia diariamente a fazermos a diferença!  Estaremos nós dispostos diariamente a sermos fiéis a ela nos pequenos gestos? Acreditem que é trabalhando as pequenas coisas, os gestos simples do dia-a-dia que mudamos o mundo e experimentamos a verdadeira alegria de ser de Cristo!



quarta-feira, 1 de julho de 2015

Permanece em Mim

Quando estou sozinha em casa com os três, tenho momentos de grande aventura, diversão, trabalho mas também trabalho em equipa e de alguns momentos mais cansativos. Hoje compreendo que esta escola belíssima que é a maternidade é o caminho que eu precisava para me aproximar verdadeiramente da união com Deus.

- " Mamã, sabes como se consegue pilotar este avião? Olha, como tem esta curvatura aqui nas asas, ele consegue subir e voar melhor... Mamã, estás a ver?" O Gabriel falava entusiasmado e sempre a olhar para mim, enquanto a Clarinha puxava-me pelo braço e insistia: 
-" Olha, mamã! Olha, já consigo fazer esta ginástica e este salto! Tens que ver!" Enquanto isso, a Sofia agarrava-se às minhas pernas e choramingava, pois queria colo.
O Gabriel ao olhar para trás gritou:
-" Mamã, nem queiras saber o que a Sofia despejou no tapete?"
Enquanto, tudo isto acontecia eu só pensava: " Será que eu sou capaz de arrumar até ao fim a mesa sem interromper mil e uma vezes?" 

Há um tempo atrás ficava stressada e desanimada quando sentia que não dava conta do recado mas há uns dias atrás aconteceu uma situação semelhante e ao telefone partilhava ao Serge, toda contente:

-" Sabes, esta tarde houve muita festa cá em casa com os três! No meio de tudo aquilo, antes que o desespero tomasse conta de mim, comecei a rir à gargalhada à frente deles. Afinal, eles estavam só a brincar. Até parece que já me esqueci o que é ser criança! Eles ficaram a olhar para mim e começaram a rir também, eu só pensava: " Estas são as minhas prendas para ti, Senhor, permanecer na alegria, não deixar que o meu coração se perturbe, permanecer no teu Amor..."

Enquanto faço limpezas grandes lá em casa com os três, limpando móveis, o frigorífico, tirando o gelo ao congelador, fazendo o que tenho a fazer, o Senhor tem dito ao meu coração: " Tens tarefas a realizar, realiza-as o melhor que sabes. Mas lembra-te: o teu pensamento deve estar sempre em Mim, voltado para Mim, pede-me ajuda, deseja consolar-me com os teus sacrifícios."
 É assim, que se edifica uma grande Aldeia. Realizar as tarefas mais simples que Deus nos traz em cada dia como o trabalho, a lida da casa, ou o cuidar dos filhos, a família mas  sempre com o pensamento no Senhor.

Para escrever este post, tive mil e uma paragens pelo caminho, a Sofia a puxar-me, o Gabriel e a Clarinha a pedirem-me para ir buscar o avião de papel que aterrou do outro lado da estrada, fora do portão, enfim... O importante é que o post está cá e é dedicado a todos vocês. Se valeu os sacrifícios? Não tenho dúvidas!

Abençoados obstáculos, fracassos, dificuldades, trabalho que tenho na minha vida! Oferece-os com Amor ao Senhor e sei que são o combustível para edificar a Aldeia de Caná de Proença-a-Nova! 
É tudo o que tenho para oferecer: a minha vida. 
Se não formos nós os primeiros a oferecer ao Senhor os nossos sacrifícios, será que alguém se ofertará para o fazer no nosso lugar? 







terça-feira, 23 de junho de 2015

A meia perdida

Quem tem crianças em casa sabe o quanto elas sujam roupa. Nós vivemos numa aldeia, e as crianças adoram brincar na terra. Para juntar à festa os meus pequenos adoram comer fruta, e gostam sempre que é possível subir nas árvores ou no escadote para colhê-las. Já passou a época das cerejas, agora temos os pêssegos, este ano não são muitos, mas deliciosos! Falar de roupa lá em casa é sempre uma festa, pois constantemente faço máquinas, há sempre roupa no meu estendal! Os mais pequenos chamam carinhosamente ao monte de roupa lá em casa: "o monte Everest" e penso que não é preciso explicar o porquê. Ensinei-os a separar a sua roupa e a encontrar os pares de meias. A ajuda deles é preciosa para mim, poupa-me imenso tempo. Estava eu a encontrar os pares de meias do Serge quando me apercebi que faltava uma meia. Logo pedi ajuda:
- " Gabriel, falta o par desta meia, por favor tenta encontrá-lo. Onde ele pode estar? Será que caiu atrás do móvel ou foi a Sofia que pegou nele e o escondeu?" O Gabriel lá foi tentar encontrá-lo mas sem sucesso. 
-" Mamã"- disse-me- " procurei-o por todo o lado e não o encontro. É só um par de meia! Não é assim tão importante!"
-" Claro, que é importante Gabriel! Para esta meia que fica sem par faz toda a diferença pois ela fica sem utilidade... Ela não pode estar longe. Será que ficou no estendal, ou no chão lá fora? Não vou desistir até a encontrar! " 
Durante bastante tempo andei à procura da meia perdida enquanto fazia outras coisas ao mesmo tempo. Passado algum tempo, enquanto o Gabriel e a Clarinha estavam a brincar no quarto e a Sofia... bom, não me  lembro ao certo onde ela estava mas andava ali perto a brincar, olhei de baixo do móvel e lá estava a meia perdida! Eu sabia que a ia encontrar!

-" Alegrem-se comigo, encontrei a meia perdida!" gritei bem alto. Os três vieram logo ter comigo.
-" Vamos fazer uma festa! Encontrei a meia perdida!"

Ao sorrir para eles meditava no meu coração:" Às vezes também me sinto uma meia perdida, muitas vezes também tenho de ir à máquina para ser lavada e no "monte" de todas as pessoas à minha volta será que eu sei que sou importante ? Será que eu acredito que cada "meia", cada pessoa no mundo,  faz sim, muita diferença para que outras se salvem? para que outras queiram caminhar e mudar o mundo? 

Só há uma coisa que eu sei: Deus nunca vai desistir de me procurar se me perder, ele vai procurar-me com a certeza de que eu sou importante para Ele e vai alegrar-se muito cada vez que me encontrar. Não importa o número de vezes que isto acontecer, Ele fará sempre uma grande festa!



sábado, 20 de junho de 2015

A alegria e a falta dela

Quando comecei a ter maior comunhão com o Senhor e uma vida  de oração diária comecei a perceber claramente no meu dia-a-dia um sinal claro sempre que me afastava dos Seus caminhos....: a falta de alegria. Esta falta de alegria lá no fundo é falta de confiança em Deus e nos seus desígnios. Muitas pessoas nem ligam a este sinal, e acham que é normal. Toda a gente está acostumada a levar uma vida mais ou menos. Mas com o tempo vem o desânimo, a falta de paciência, o reclamar e ....uma bola de neve se segue. 
A alegria verdadeira é uma escolha, não depende se as coisas correm bem ou não, estarmos gratos diariamente por tudo e confiantes que Deus está a caminhar à nossa frente. Para mim a alegria é um assunto sério e não um mero pormenor. A alegria é um fruto do Espírito Santo ( Gálatas 5: 22-23).

É fácil com o cansaço, perder a alegria e viver o dia-a-dia a cumprir obrigações e não sorrir nas coisas simples que acontecem à nossa volta. Sempre que isso me acontece, recorro sem demora ao sacramento da reconciliação, pedindo a graça da confiança em Deus e da alegria para dar testemunho aos outros que quem ama o Senhor é alegre e uma nova força age em mim, a força do Espírito Santo...

Volto para casa e me alegro, pois quando estamos perto do Senhor, bem pertinho, podemos até estar a sofrer, o mundo estar de pernas para o ar, mas sentimos uma alegria, um preenchimento interior que nada nem ninguém pode ocupar, uma segurança, uma fortaleza, um sentimento que temos tudo, vivemos a expressão: 'Só Deus Basta!'. 
Quando o Senhor se faz presente em nós, muitas situações que consideramos boas ou más deixam de o ser e passam a ser neutras. Só desejamos manter esta união com Ele e estamos dispostos a arriscar tudo, a dar tudo para permanecer na Sua graça.

Volto para casa e sorrio novamente com o Senhor bem pertinho de mim, ao ver o gestos de amor da Sofia para com Jesus...


Consigo sentir a excitação e os pulinhos de alegria das crianças, só porque pusemos estrelinhas florescentes no teto do quarto...


Em tudo consigo ver o milagre do amor de Deus...




 E no dom da vida, o meu coração queima de alegria!



E até consigo dar umas boas gargalhadas sem me irritar com as traquinices da Sofia e lembrar-me de quando era criança e louvar a Deus...


-" Sofia..., outra vez a comer comida dos periquitos?!"




Consigo olhar ao fim do dia para as coisas que ficaram por fazer lá em casa e não me entristecer, agradecendo por todos os momentos bons que aconteceram. O meu coração permanece grande, muitas vezes até queima!


Quando escolhemos viver a vida enraizados na alegria, somos fortes! É o Senhor que nos guia! Somos fonte de inspiração para os outros e o rosto vivo do próprio Deus! 


quinta-feira, 11 de junho de 2015

É suficiente! Permanece na alegria...

Nossa senhora disse à Santa Mariam: " Lembra-te Mariam, para não seres como aquelas pessoas, para quem nunca é demais o que possuem! Diz sempre: ´ É suficiente!´ Permanece na alegria... O Senhor é bom e enviar-te-á  tudo o que necessitas." Nossa Senhora explicou-lhe que devia receber sempre tudo o que lhe acontecia como vindo da mão de Deus e dar graças por todas as coisas.

É muito fácil olhar para as outras famílias e dizer : " Se eu tivesse isto ou aquilo.... se eu fosse como eles eu estaria melhor!" e mais fácil ainda é reclamarmos da nossa vida daquilo que achamos que podia ser cortado e lançado fora. Nossa Senhora vem-nos dizer que tudo o que temos e nos acontece na nossa vida vem para nos fazer crescer no amor, para nos mostrar algo, nos mostrar o caminho que nos leva a viver tudo o que é verdadeiramente importante na vida, vem para nos mostrar a ser felizes, a nos santificar e unir a Jesus. 

Muitas vezes não é nada fácil pôr tudo isto em prática, mas digo-vos com toda a certeza que vale a pena caminhar nesta direção, pois é a única forma de sermos felizes, não falo de uma felicidade que acontece só quando as coisas correm bem mas falo de uma felicidade que permanece no nosso coração em todas as circunstâncias.

Se vivermos tudo aquilo que Deus nos dá sem reclamarmos mas acreditando que tudo o que temos é suficiente. Sim, suficiente para caminharmos e sermos felizes. Uma porta nova se abre, a porta da confiança em Deus e da paz...

Nos meus pequenos desafios do dia-a-dia, tento por isto em prática. A Sofia acabou de fazer um ano e meio, está muito linda, muito traquina, exploradora. Quem tem crianças desta idade sabe o que isso significa, trabalho. É muito fácil reclamar, e nos queixarmos. Mas será que resolve alguma coisa?Estar com ela 24horas e fazer as tarefas lá de casa é um ótimo desafio para treinar a paciência, para aprender a me alegrar com tudo e a repetir vezes sem conta o mesmo gesto de arrumar o que já estava desarrumado e aceitá-lo com alegria. É cansativo? É. Mas é uma fase que passa e os frutos desta aprendizagem para mim são eternos pois me têm ensinado a dar importância apenas àquilo que é importante, a me desapegar daquilo que é considerado bom ou mau e a ter o meu pensamento em Deus mesmo no meio do caos. Há tempo? Para Deus há sempre tempo. 



sexta-feira, 5 de junho de 2015

Corpus Christi e a alegria

Ontem a Igreja celebrou a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, Corpus Christi, que acontece sempre na quinta-feira após a celebração da Festa da Santíssima Trindade ou 60 dias após a Páscoa. Infelizmente já não é feriado e nas nossas paróquia realiza-se a Festa no Domingo seguinte com procissão e o Santíssimo nas ruas...
Acredito que a Igreja não institui uma Festa só porque fica bem, mas sim com o intuito de nos dar forças, de nos fazer crescer na fé e de distribuir graças, que tanto precisamos na nossa caminhada em que tantas vezes caímos e desanimamos. 

Se repararem a Igreja é como uma mãe, dá-nos muitas oportunidades e ferramentas para nos unirmos a Deus e convida-nos, ao longo de todo o ano litúrgico, para muitas bodas, são as muitas celebrações ou festas destinadas a todos nós  pecadores que não deixamos de suplicar e confiar na graça de Deus para os nossos problemas. 
 Mas, se todos somos convidados a viver todas estas festas em comunidade e não comparecermos como podemos exigir ou reclamar com Deus  daquilo que não está bem na nossa vida ?

 Maria intercederá por nós, e pedirá a Jesus: " Falta-lhes o vinho! Esta família não pára de suplicar as Tua ajuda diante do Santíssimo!"
Queria fazer um apelo a todos vós, no próximo Domingo, não entrem na missa com cara triste, nem recebam a comunhão com a alma pesada, vivam com alegria esta grande Festa, na qual o Senhor vai ao nosso encontro até ao fim dos tempos e se faz nosso alimento físico e espiritual. Não tenham vergonha, nem preguiça de participar na procissão com alegria em que o Santíssimo percorre as ruas ...
Neste Domingo estarei em sintonia convosco e pedirei a Jesus muitas graças para todos nós.

Uma das coisas que mais me fascina na vida dos Santos é a alegria. Antes de ontem, depois de os mais pequenos estarem deitados, estive algum tempo a meditar sobre isso. Ao olhar para o canto de oração dos mais pequenos reparei que a Clarinha tinha preparado isto:


O cálice de madeira é o objeto mais concorrido para as brincadeiras no canto de oração deles. A Clarinha tinha enchido o cálice com pedaços de galete de milho e colocado um frasco de tinta vermelha, que ambos afirmam que é o sangue de Jesus. Ela deixou tudo como está na foto, incluindo as florinhas.

Quando chegaram da escola, disse-lhes: "Hoje a Igreja celebra um dia muito bonito, o dia em que nos alegramos por Jesus estar na hóstia para nos alimentar." A Clarinha acenou com a cabeça e foi brincar. Depois da nossa oração familiar, e ainda o Serge estava a tocar viola, ela foi buscar o cálice, puxou a Sofia pela mão, sentou-a no tapete e juntas começaram a comer as galetes de milho partilhando-as numa imensa alegria. Foi impossível não sorrir também...
Ao contemplar aquela simplicidade, aquele pequeno nada que representava a brincadeira delas, nesse instante o Senhor falou-me ao coração da verdadeira alegria. Aquela alegria, que não termina, que permanece mesmo quando tudo corre mal e que se multiplica quando partilhamos com os outros a presença do Senhor vivo, que se faz alimento e incendeia a nossa alma...





Por quanto tempo mais, Senhor, o meu coração será oscilante na alegria? Ora está alegre, ora se entristece. Eu escolho ser alegre, pois Tu caminhas comigo, mas só Te podes manifestar e realizar os Teus planos em mim se me encontrares alegre e grata por tudo! 



sábado, 14 de fevereiro de 2015

Alegrai-vos sempre no Senhor!

Nestes dias de Carnaval, um pouco por todo o mundo nos são apresentados dias de festa, alegria e muita animação. As pessoas no geral festejam, mas não sabem o quê. Procuram alegria, felicidade mas não sabem a onde...


Nós cá em casa sabemos bem o que festejamos: sabemos que para vivermos bem e com consciência o tempo da Quaresma que se aproxima, esta grande caminhada que nos convida à conversão, à penitência, à renúncia de si mesmo, a nos lembrar dos outros, precisamos ter bem presente de onde vem a nossa alegria. A nossa alegria vem da presença diária do Senhor na nossa vida. É Ele a nossa alegria, o nosso motivo para festejar. 

Em cada lar cristão o Senhor nos convida a tomarmos consciência e a vivermos esta alegria que brota do Seu coração. 
Uma alegria que nos torna verdadeiramente felizes, capazes de amar o próximo e de se esquecer de si. 
Uma alegria que nos leva a deixarmos para trás o que corre mal e nos apressarmos a festejar o que corre bem. 
Uma alegria que nos leva a sentir que somos um em Cristo, que nos fará desejar um dia encontrarmo-nos todos juntos na eternidade e nos olharmos olhos nos olhos para sempre. 
Uma alegria que nos levará a nos sacrificar nas pequenas coisas para levarmos connosco muitas almas  para o céu e de interceder constantemente por outros tantos irmãos que sofrem e que choram no desespero. 
Sim! Nessa altura encontraremos a verdadeira felicidade e então choraremos a sério, não de dor mas de verdadeira alegria!

Sim, devemos sempre nos lembrar que o Senhor é a alegria da nossa casa, mesmo no meio da dor, da falta de saúde, no meio dos problemas ou naqueles dias que não nos apetece cantar, nem mesmo rezar...




Eu não sei o que hoje está a tirar a alegria aos vossos corações, nem porque andam tão apressados ou cansados. Também não sei porque têm andado tão tristes nestes dias, mas o Senhor sabe...  Só Ele pode preencher aquele vazio que nada, nem ninguém pode preencher. Só Ele pode saciar a nossa fome e sede e dar-nos a água viva que anseia a nossa alma. Só Ele pode dar-nos a verdadeira alegria e paz.  Aproximem-se Dele. Abram o vosso coração e  rezem comigo...

Querido Jesus, fonte da minha alegria, paz e força do meu coração,
Dá-me de beber, para que eu não volte a ter mais sede...
Sacia a minha alma com a graça para que eu Te busque sempre em primeiro lugar.
Derrama as fontes inesgotáveis do Vosso amor sobre a minha família:
Cura-a, liberta-a de todo o mal e ajuda-me a conduzi-la até Ti...
Tu sabes como é difícil rezarmos em família, ter forças para ler a tua Palavra todos os dias,
rezar juntos o terço com as crianças...
Senhor, conduz a minha vida de oração familiar
santifica a minha família e dai-me forças para que o cansaço nunca seja a minha derrota mas a via para eu te amar cada vez mais...
Amen



quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Coração puro como as crianças...

Naquele momento os discípulos chegaram a Jesus e perguntaram: "Quem é o maior no Reino dos céus? "

Chamando uma criança, colocou-a no meio deles,
e disse: "Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus.



Senhor, dá-me um coração novo capaz de me alegrar com coisas simples. Um coração capaz de brincar todos os dias e de nunca se entristecer.  Um coração que se entrega todo à Tua vontade sem receios, como uma criança que passeia de mãos dadas com o seu pai. No meio das tarefas e desafios do dia-a-dia, ajuda-me Senhor, a ser simples e puro como uma criança. Senhor, a minha miséria é grande mas maior é a Vossa misericórdia e bondade capaz de operar milagres sobre todos aqueles que Vos invocam com coração sincero.





Todos os dias faço a promessa de brincar um pouco, nem que seja por uns segundos...

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A oração lá em casa...

Férias, cá em casa, também significa mais tempo para rezarmos juntos. Mais tempo  para dançarmos e cantarmos juntos para Deus. E olhem que para isto acontecer, não precisamos ser profissionais a tocar guitarra ou a cantar, nem tão pouco a dançar. Só precisamos de abrir o nosso coração e dar a oportunidade aos nossos filhos de sentir que Deus está ali ao nosso lado. E se um dia não corre tão bem, porque não nos apetece cantar ou porque um dos pequenos não esteve quieto o tempo todo, não há problema, cara alegre. Amanhã, é outro dia para recomeçar tudo de novo, para viver a oração em família e levar os nossos filhos a sentir a presença amorosa e divertida de Deus através dos nossos gestos. Esta é a atitude de quem está a caminho! Olhar sempre com esperança o dia de amanhã, pois na verdade, quem nos sustenta é Deus e ele tudo sabe e pode...

Nestas férias escolhemos dar mais tempo à nossa oração familiar. Reunimo-nos no nosso canto de oração pela manhã e ao final do dia. Vale bem a pena dar a nossa melhor parte do dia a Deus! Aqui está ele,




É claro, que os mais pequenos queriam levar os bebés, os carros e as invenções todas para a oração, celebrar missas, dar a comunhão, ler a bíblia,  etc... e era uma grande confusão....
então construíram ( com a minha ajuda, é claro!) por baixo do nosso canto de oração, o deles. Muitas vezes, a Clarinha chama o Gabriel e diz que vai haver missa ou então reune todas as bonecas, "lê" a Bíblia e "dá-lhes a comunhão". Antes de ontem, encontrei a Clarinha a tentar ensinar à Sofia a Avé- Maria... coisas tão engraçadas acontecem ali...  


A oração familiar  deve estar revestida da presença amorosa da Sagrada Família, Jesus no centro, os nossos corações voltados para Ele...



Mas,  não basta dizer, é preciso que as crianças sintam que Jesus está verdadeiramente ali junto de nós. E se Jesus está ali junto de nós, temos mesmo de sentir alegria em estar a rezar.

Toca a saltar para o tapete!
Primeiro, cantamos e dançamos para Jesus. A Sofia de terço na mão, está ou não está a sentir a presença de Jesus ao ver-nos? 



Afinal, não é Jesus que está ali junto de nós? Quem pode resistir ao seu Amor?

Não vale a pena querer silêncio absoluto ou cara séria. É preciso expressar esse Amor.

Depois, ajoelhamo-nos ou sentamo-nos e agradecemos o que aconteceu durante o dia. Cada um agradece individualmente em voz alta. Depois, geralmente rezamos três Avé-Marias, Glória, a Consagração a Nossa Senhora, o anjo da guarda e a Invocação a Nossa Senhora Auxiliadora, Mãe de Caná. No fim, a Clarinha vai ao seu canto de Oração e abençoa-nos a todos com àgua benta. No fim, mais cânticos...e terminamos com o coração cheio...