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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Queres ir ver Jesus?

Domingo passado estivemos em Fátima. Depois da missa às 11h na Basílica da Santíssima Trindade, aproveitamos para nos confessarmos. Estava sentada com os mais pequenos à espera da nossa vez. Naquele silêncio profundo, a Irmã que estava presente naquela hora e que costuma orientar as confissões, sorriu para a Sofia quando a viu sentada no meu colo. Ela encostava-se a mim  com um olhar tímido. A Irmã não desistiu e voltou a sorrir, enquanto estendia os braços, dizendo baixinho:" Vem ao meu colo", mas a Sofia agarrava-se ainda mais a mim. Então, a Irmã aproximou-se ainda mais dela e olhando-a nos olhos disse:" Queres ir ver Jesus?". Nesse mesmo instante ela pulou do meu colo e agarrou com a sua mão pequenina a dela. De mãos dadas percorreram uns metros em direção à imagem de Jesus. Eu fiquei espantada e olhei para o Serge. A Irmã apontou para Jesus e pegando-lhe ao colo ambas sorriram. Nesse instante, a Sofia inclinou-se para a frente para dar um beijinho à imagem de Jesus. Aquele gesto da Sofia fez-me pensar e reacender em mim o desejo de servir o Senhor com prontidão, sem hesitação, o "deixar tudo", o saltar do colo, do meu conforto, e segui-Lo, o escolher o essencial sempre que for chamada. Serei eu capaz de o fazer? Será que eu verdadeiramente também quero "ver Jesus"? 

Que tipo de prontidão o Senhor quer de mim?
Amar, amar até doer no meu dia-a-dia, na vocação que Deus me confiou de mãe de família. Será que aquele esforço que eu faço para deixar tudo organizado na cozinha antes de me deitar agrada o Senhor, ou o esforço de empurrar o carrinho na rua com os três ao meu lado fazendo um desvio para a Igreja só para entrar e dizer:" Jesus, gosto muito de ti!" agrada o Senhor?

Bem que eu gostaria de fazer grandes gestos e passar horas diante do Santíssimo, falar do Senhor por toda a parte...

Mas o Senhor me mostra o quando o consolamos nos pequenos esforços do dia-a-dia, o quão sagrado isso é aos Seus olhos se feito com amor...
Dá-me Senhor um coração puro e simples capaz de Te ver, consolar e agir.

sábado, 31 de outubro de 2015

A santa Missa e a confissão

Quarta-feira passada pelas 19h estávamos a entrar no carro para juntos irmos à missa.Quinta-feira tínhamos famílias em nossa casa, ainda tinha que orientar o almoço para o dia seguinte. A cozinha ainda não estava arrumada, confesso que também é tarde para regularmente ir à missa com crianças. Na verdade, apetecia-me era ir descansar e ir direitinho para a cama. Mas, não... Esqueci-me de mim por um bocado e vesti os pequenos. O Serge ainda me disse: " Ainda tens tanta coisa para fazer..." e fez-me aquele olhar. Mas, não... esqueci de tudo por um momento e troquei de roupa também. Eu sabia que só havia uma maneira de eu ganhar o dia e de ganhar a alegria que precisava para caminhar naquele momento: a Santa missa e a confissão.
Durante a curta viagem de carro, fizemos a nossa oração como o costume e pedi: Senhor, ajuda-nos a estarmos atentos na missa e a receber todas as graças que queres derramar sobre nós. 
A Sofia estava tranquila no colo e o Gabriel esteve atento ( segredei-lhe ao ouvido ao entrar: " Está atento às leituras, no fim vamos fazer perguntas."). Tive a sensação que a missa terminou muito rápido, queria estar mais tempo ali, mas logo me lembrei do cenário lá em casa. Apressei-me a falar com o prior da nossa paróquia, que tinha celebrado a missa. Tive oportunidade de me apresentar como nossa catequista na nossa comunidade ( este ano vou dar o 1º/2º ano) e lhe falar da catequese familiar, dos Mistérios da Fé e das famílias de Caná. Que conversa boa!
- " Mas aqui está a faltar um!"
-" Sim, é a menina do meio, a Clarinha. Ela foi passar o dia e esta noite na casa de uma amiga das famílias com quem caminhamos juntos"- Sorri.
Passados uns segundos, numa cadeirinha junto do Santíssimo, confessei-me e pedi perdão a Deus das minhas fraquezas.
Pode parecer que tudo demorou uma eternidade, mas na verdade foi tudo bem rápido e o meu coração estava cheio. Voltei para casa cheia de alegria e muito leve. O Serge disse-me: " Não te preocupes, amanhã ajudo-te a limpar isto tudo, vem já descansar." Eu sorri-lhe e disse: "Estou ótima! vou ficar mais um pouquinho e depois vou ter contigo." Não sei como aquilo aconteceu em tão pouco tempo, mas não só deixei a cozinha arrumadinha, como também cozinhei o almoço e fiz uma tarte de maçã. Deitei-me e ainda não era tão tarde e dormi muito feliz. " Ganhei o dia, mais uma vez!", pensei em voz alta...


terça-feira, 13 de outubro de 2015

As mudanças, as famílias e a alegria III

Com a mudança de casa surge naturalmente a mudança do grupo de catequese. O Gabriel que passou para o 4ºano da catequese estava um pouco ansioso para saber quem seriam os seus colegas novos na catequese. Como agora estamos inseridos numa pequena comunidade paroquial perto da nossa casa, o ambiente é também muito familiar e próximo. No primeiro dia da catequese, eu fui com o Gabriel, também eu estava ansiosa por cumprimentar as outras catequistas e sentir o ambiente geral. Estavam poucas crianças para a catequese de todos os anos, cumprimentei os meninos e as catequistas e disponibilizei-me para ajudar no que fosse preciso. A catequese em comunidade na paróquia, é de fato, uma oportunidade para chegar a mais famílias e conhecer outras realidades. O Gabriel lá ficou com o grupo todo o resto da catequese. Com isto tudo, a Clarinha, voltou a fazer a mesma pergunta:
- "Porque eu ainda não posso receber Jesus?"
-" Clarinha, ainda és pequena para receber Jesus. Sabes, tens de ir à catequese como o mano, tens que te confessar ao Sr. Padre e saber pedir perdão das vezes que não fazes aquilo que a mãe te pede e tens que estar mais atenta na missa. Tu sabes isso, eu já te tinha explicado, não é?"
-" Mamã, eu posso confessar-me quando o mano for?"
-" Podes, tu sabes quais são as coisas que fazes mal para pedir desculpa a Jesus?"
-"Sim, mas tu podes-me ajudar? E se o padre ficar zangado?"
-" Não tens que ter medo do padre, Clarinha! É Jesus que está a ouvir-te no lugar dele, sabias? Além disso, o padre nunca vai ficar zangado contigo, pelo contrário, ele vai abençoar-te no fim e o teu coração vai ficar limpinho!"  
-" É hoje que nos vamos confessar?"
-" Hoje ainda não. Mas em breve iremos."

Uns dias antes do segundo dia de catequese a Clarinha disse-me num pulo, olhando nos meus olhos:
- " Mamã, também quero ir à catequese com o mano!" 
-" Bom,... podemos perguntar às catequistas. Sabes Clarinha, durante a catequese  tens de estar quietinha e escutar muito bem o que a catequista estiver a falar de Jesus. És capaz? 
-" Sim... É muito difícil?" 
- " Bom, ainda não sabemos se as catequistas vão deixar, pois ainda só tens 5 anos. Os meninos usam um livro na catequese, mas tu ainda não sabes ler." Ela olhou para mim, com um ar pensativo.

No segundo dia de catequese, levei a Clarinha comigo e apresentei-a às catequistas e à catequista responsável explicando o desejo dela de participar na catequese. Receberam-na da braços abertos e ela ficou muito feliz. No mesmo instante fiz a inscrição dela no 1ºano de catequese. E a sua nova amiga também se inscreveu. Que alegria caminharem juntas e se motivando uma a outra na descoberta de Jesus!

- " Mamã, podes-me ensinar as letras?" Eu sorri e pensei, que mais coisas a minha filha me pedirá. Talvez ela possa pôr em prática, o que vai aprendendo comigo, e ler o catecismo do primeiro ano. 
Estamos na aventura das letras e ela tem trabalhado bastante. No intervalo, muitas pinturas a aguarela e desenhos.

Mas não tenham ilusões acerca da santidade da Clarinha. Dos três ela é a mais traquina, cheia de vida, expressiva e comunicativa, mas também é aquela que me dá mais trabalho. É também a mais determinada, aquela que não quer estar parada na missa, pulando para todo o lado e muitas vezes me deixa envergonhada. Mas ela é mesmo assim! Ela tem um desejo grande por Jesus e isso me basta e me consola no meu cansaço, enquanto lhe tendo mostrar o caminho...


sábado, 20 de junho de 2015

A alegria e a falta dela

Quando comecei a ter maior comunhão com o Senhor e uma vida  de oração diária comecei a perceber claramente no meu dia-a-dia um sinal claro sempre que me afastava dos Seus caminhos....: a falta de alegria. Esta falta de alegria lá no fundo é falta de confiança em Deus e nos seus desígnios. Muitas pessoas nem ligam a este sinal, e acham que é normal. Toda a gente está acostumada a levar uma vida mais ou menos. Mas com o tempo vem o desânimo, a falta de paciência, o reclamar e ....uma bola de neve se segue. 
A alegria verdadeira é uma escolha, não depende se as coisas correm bem ou não, estarmos gratos diariamente por tudo e confiantes que Deus está a caminhar à nossa frente. Para mim a alegria é um assunto sério e não um mero pormenor. A alegria é um fruto do Espírito Santo ( Gálatas 5: 22-23).

É fácil com o cansaço, perder a alegria e viver o dia-a-dia a cumprir obrigações e não sorrir nas coisas simples que acontecem à nossa volta. Sempre que isso me acontece, recorro sem demora ao sacramento da reconciliação, pedindo a graça da confiança em Deus e da alegria para dar testemunho aos outros que quem ama o Senhor é alegre e uma nova força age em mim, a força do Espírito Santo...

Volto para casa e me alegro, pois quando estamos perto do Senhor, bem pertinho, podemos até estar a sofrer, o mundo estar de pernas para o ar, mas sentimos uma alegria, um preenchimento interior que nada nem ninguém pode ocupar, uma segurança, uma fortaleza, um sentimento que temos tudo, vivemos a expressão: 'Só Deus Basta!'. 
Quando o Senhor se faz presente em nós, muitas situações que consideramos boas ou más deixam de o ser e passam a ser neutras. Só desejamos manter esta união com Ele e estamos dispostos a arriscar tudo, a dar tudo para permanecer na Sua graça.

Volto para casa e sorrio novamente com o Senhor bem pertinho de mim, ao ver o gestos de amor da Sofia para com Jesus...


Consigo sentir a excitação e os pulinhos de alegria das crianças, só porque pusemos estrelinhas florescentes no teto do quarto...


Em tudo consigo ver o milagre do amor de Deus...




 E no dom da vida, o meu coração queima de alegria!



E até consigo dar umas boas gargalhadas sem me irritar com as traquinices da Sofia e lembrar-me de quando era criança e louvar a Deus...


-" Sofia..., outra vez a comer comida dos periquitos?!"




Consigo olhar ao fim do dia para as coisas que ficaram por fazer lá em casa e não me entristecer, agradecendo por todos os momentos bons que aconteceram. O meu coração permanece grande, muitas vezes até queima!


Quando escolhemos viver a vida enraizados na alegria, somos fortes! É o Senhor que nos guia! Somos fonte de inspiração para os outros e o rosto vivo do próprio Deus!