quinta-feira, 14 de agosto de 2014

À semelhança da Humilde Casa de Nazaré....Humildade


Humildade

O cultivo e amor ao silêncio leva-nos ao florescimento da humildade no nosso coração. 
Quando tudo nos corre mal e nos apetecer gritar com todos, aprendamos a silenciar. Quando só reclamamos, aprendamos a silenciar. Quando só abrimos a boca para julgar, aprendamos a silenciar. Quando passamos o tempo todo a falar de coisas inúteis, aprendamos a silenciar.
Só ouve e está receptivo quem silencia. 
Aprendamos a atitude da Sagrada Família de aceitarmos tudo o que Deus nos envia com confiança e sem reclamação. A humildade acima de tudo é um gesto de amor e confiança em Deus, que tudo é e tudo pode. A humildade aqui proposta, desafia-nos a simplificarmos as nossas atitudes, a simplificarmos as nossas relações, a simplificarmos a nossa casa. Pois trata-se de um despojar de tudo o que é inútil, para depois estarmos abertos a tudo aquilo que Deus nos quer encher.
Sejamos simples, modestos, na maneira de vestir, falar.

Como podemos simplificar as nossas atitudes?

Na nossa vida do dia-a-dia, quando temos um assunto a resolver não compliquemos. O que tem de ser resolvido, que seja resolvido com prontidão e objetivamente. Muitas vezes, quando tenho a casa num caos, fico logo super tensa para tentar me organizar, ou então lamento, fico desanimada. Essas atitudes retiram-nos energia para seguir em frente. Se há algo que tem de ser feito, então mãos à obra sem complicações, mesmo que nos custe. Lembremo-nos da Sagrada Família: 

Depois de haverem partido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, dizendo:
   - "Levanta-te, toma contigo o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e fica aí até que eu te chame; pois Herodes há de procurar o menino para matá-lo".
   José levantou-se, tomou de noite o menino e sua mãe e partiu para o Egito, e ali ficou até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que dissera o Senhor pelo profeta:
   - "Do Egito chamei a meu filho".

Como podemos simplificar as nossas relações?

Sejamos sempre sinceros com os nossos filhos, esposa ou marido. Se errarmos, saibamos pedir desculpa olhos nos olhos. Os filhos aprendem e admiram os exemplos sinceros dos pais.

Como podemos simplificar as nossas casas?

É preciso que na nossa casa respire a presença da Sagrada Família. Mesmo no meio da confusão dos brinquedos, da roupa para arrumar e dos pratos a escorrer na cozinha, é preciso que à nossa volta algo  nos faça voltar o olhar para Deus, seja com imagens, conversas, músicas ou com a própria presença humana. A nossa casa não pode estar aberta a tudo o que o mundo traz...  muitas vezes temos de selecionar brinquedos e explicar o porquê. Outras vezes, temos de dizer não a determinadas conversas pois aquele espaço para nós é sagrado. É imprescindível tirar o que está a mais, o que não é usado. Quanto menos coisas melhor, pois todo o tempo que perdemos a arrumá-las ou a mexer nelas retira-nos tempo de família e oração. 

Quando alguém entra em vossa casa sente paz e a presença de Deus?
É fácil identificar  que na vossa casa  habitam pessoas que amam a Deus?

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

À semelhança da Humilde Casa de Nazaré.... O silêncio

Este post dá início a uma série de cinco temas que vou desenvolver, com o tema : À semelhança da Humilde Casa de Nazaré:
1- O silêncio
2- Humildade
3-Vida familiar
4-Ensinamento do trabalho
5-Vida de Oração

Quando se fala aqui em Casa, entenda-se que iremos abordar as duas dimensões: a Casa física, material e a Casa humana, vivência espiritual.

Partilho convosco o desafio que queremos fazer em família todos os dias, pois desejamos que o nosso lar se assemelhe, cada dia mais, à Humilde Casa de Nazaré.



O Silêncio

Vivemos num mundo que cada vez mais busca a agitação, o barulho, o entretenimento. Vivemos estressados com mil e uma coisas na cabeça, de um lado para o outro.

Olhemos, para o rosto da Sagrada Família, exemplo para nós. Reparem no contato visual que se estabelece, muitas vezes sem muitas palavras...Nós ao contrário, na maior parte das vezes usamos muitas palavras e nem sequer estabelecemos contato visual com o nosso esposo ou esposa, nem cumplicidade e paciência com os nossos filhos através do olhar. Cultivar o silêncio no meio familiar é importantíssimo para estarmos atentos aos sinais de Deus e às necessidades dos outros.

Mas como uma casa com crianças pode ser silenciosa?

Explicar aos nossos filhos o amor ao silêncio. Incentivamos sempre os nossos filhos a falar num tom de voz moderado. Muitas vezes, o Gabriel fala  alto quando está todo excitado com alguma experiência e eu explico-lhe que não há necessidade de falar tão alto, que Deus ama o silêncio, que quando conversamos é mais agradável falar baixo. Um dos sacrifícios que eu mais lhe peço, é ficar em silêncio por alguns momentos para ele treinar este amor ao silêncio. Pois, só no silêncio conseguimos escutar a voz de Deus em nosso coração.
Durante as refeições, cultivar o hábito de falarmos num tom moderado e evitar falarmos todos ao mesmo tempo. Assim, vamos amando o silêncio...
É importante estarmos atentos a tudo aquilo que provoca ruido em nossa casa, e nos desvia a atenção. Em nossa casa por opção, não vemos televisão, nem temos o rádio ligado. Costumamos às vezes ouvir música religiosa, ou palestras a falar de Deus. Ás vezes, os pequenos gostam de ver filmes de santos ou filmes sobre as histórias da Bíblia. As crianças repetem tudo o que ouvem. Gosto tanto de ouvir a Clarinha a cantar que ama Jesus e Nossa Senhora...
É importante retirar todo o ruído nas horas das refeições e estabelecermos contato visual com ternura com todos os membros da família.
E agora a parte mais difícil de ouvir....
A maior parte da falta de silêncio está dentro de nós, por isso temos uma batalha todos os dias a travar dentro de nós para nos focalizarmos e "escolhermos a melhor parte" como Maria fez, pois só Deus basta...É Ele que nos sustenta, é Ele que está no comando de tudo. Porque temos tanto medo e nos preocupamos com tanta coisa inútil? Façamos silêncio dentro de nós e supliquemos à Nossa Querida Mãe Celeste a graça do silêncio interior . O silêncio interior que nos faz viver com alegria no meio de tantas tarefas domésticas, tanta roupa para estender, tanta comida para fazer e tantas fraldas para trocar...

terça-feira, 12 de agosto de 2014

10 minutos várias vezes ao dia...

Quando amamos verdadeiramente, desejamos oferecer as melhores prendas, mesmo que isso  nos custe a nossa própria vontade.


                           



"Gabriel, eu sei que queres pular e brincar agora, mas vamos fazer Jesus feliz. Uma das melhores prendas que Ele gosta de receber são os sacrifícios, e tu sabes isso. E que tal, se agora fizesses silêncio e pensasses Nele um pouco?"

"Hum... mamã, mas durante quanto tempo?"
" Só 10 minutos! Depois podes voltar a brincar!". O Gabriel deixou a brincadeira e sentou-se em silêncio. Depois a sorrir, lá voltou a brincar.

" Gabriel, a Clarinha está a pedir para brincares com ela!"
"Agora não posso, estou a fazer as minhas experiências..."
"Vamos oferecer a Jesus! Só 10 minutos!". Respondi-lhe em voz baixa.
"Ok, mãe...10 minutos"

" Gabriel, lê uma história para a Clarinha enquanto eu preparo a Sofia para dormir"

"Mãe..."
" Só 10 minutos"







"Gabriel, arruma tudo o que está espalhado no tapete, por favor."
" Mas mamã, a Clarinha também desarrumou..."
" Eu sei, mas agora preciso da tua ajuda...este sacrifício é que tem muito valor para Jesus."

                                  

Ao fim do dia, beijo o Gabriel e baixinho digo-lhe com alegria:
" Os teus 10 minutos ao longo deste dia, todos somados, fazem quase uma hora de sacrifício para oferecermos a Jesus..."
Ambos sorrimos e decidimos que este dia se iria repetir sempre...


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O Remédio Santo

 "Mamã, não consigo dormir..."
" Clarinha, tens de ficar deitadinha para o soninho vir". A Clarinha deita-se, levanta-se...
" Clarinha, estás cansada. Tens de descansar para amanhã continuares a brincar"
" Mas, eu quero rezar o terço com o mano..."

Cá em casa depois do jantar, reunimo-nos no canto de oração e fazemos juntos a nossa oração familiar. Depois, deitamos a Sofia e a Clarinha. O Gabriel ainda fica connosco mais meia hora para rezarmos o terço juntos. Mas a hora do deitar, tem sido a parte dífícil do dia para nós, pois em geral demora muito tempo e isso rouba-nos tempo para outras coisas importantes.

Aí, lembrei-me da minha infância....
A minha mãe costumava rezar o terço quando se deitava e eu adormecia a ouvi-la rezar o terço. Sentia-me segura e rezava com ela...


"Ok, queres rezar o terço com o mano, não é Clarinha?"- Ela acenou com a cabeça.
O Gabriel subiu para a cama,  apago a luz, encosto a porta e ajoelho-me na sala.
" Em nome do Pai, da Filho e do Espírito Santo...."- E lá continuei eu ...Rezei o terço e o Gabriel respondia do quarto, em pouco tempo ela dormia e o Gabriel também.
Já a algumas semanas que fazemos assim. A Clarinha adormece ao som da Avé-Maria. E nunca mais ninguém reclamou para dormir.

E nós rezamos o terço mais cedo e também temos mas tempo para nós.



sábado, 9 de agosto de 2014

Rezar a vida...

A oração tem de ser vivida todos os momentos do dia. E rezar em família não se limita a nos reunirmos no canto de oração...Não... porque o que Jesus quer verdadeiramente de nós é que ao longo do dia façamos de cada gesto, de cada atitude, de cada brincadeira uma oração contínua. E daí surge a expressão: " Rezando a vida em família"

Como isso pode ser?

Essa é a nossa grande batalha no caminho de santidade.

A vida tem de ser uma oração, temos de desejar que assim seja. Que tudo seja agradável a Deus.
Sabemos que é difícil, muitas vezes doloroso. Muitas vezes desanimamos, caimos mas logo temos de nos levantar... sempre com os olhos postos que a nossa verdadeira felicidade só é alcançada quando o nosso coração se tornar um templo de oração contínua para Deus.

Mas, como isso pode ser?

Quando tivermos um problema, lembremo-nos como Jesus o resolveria, quando tivermos vontade de chorar, lembremo-nos o que Jesus sentiu no monte das oliveiras... Quando estivermos desesperados corramos em busca do alívio nos sacramentos e sacramentais e colocamos aí a nossa segurança. Sempre que tivermos uma atividade em família lembremo-nos de rezar primeiro, sempre que viajarmos de carro rezemos o terço. Ao longo do dia, falemos mais com Jesus. Contemos verdadeiramente com a ajuda de Maria nas angústias e decisões.

Um dia  enquanto estava a cozinhar, não conseguia abrir um frasco de conserva. Aí, lembrei-me:
" Meninos, vamos chamar Nossa senhora para abrir o frasco, pois a mãe sozinha não é capaz!"
Eles começaram...
" Nossa Senhora, ajuda a mamã!"
Enquanto fazia força tentando abrir o frasco... dizia:
"tenho a certeza que Nossa Senhora nos vai ajudar"
Assim, começaram a chamá-la mais alto:
" Nossa Senhora, ajuda a mamã!"
E sem fazer muita força o frasco abriu-se. O Gabriel ficou a olhar para mim.
" Sim"- disse eu- " Nossa Senhora ajuda-nos sempre, ela está sempre a olhar por nós"

Ainda hoje,  às vezes eles repetem o gesto...




quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A oração lá em casa...

Férias, cá em casa, também significa mais tempo para rezarmos juntos. Mais tempo  para dançarmos e cantarmos juntos para Deus. E olhem que para isto acontecer, não precisamos ser profissionais a tocar guitarra ou a cantar, nem tão pouco a dançar. Só precisamos de abrir o nosso coração e dar a oportunidade aos nossos filhos de sentir que Deus está ali ao nosso lado. E se um dia não corre tão bem, porque não nos apetece cantar ou porque um dos pequenos não esteve quieto o tempo todo, não há problema, cara alegre. Amanhã, é outro dia para recomeçar tudo de novo, para viver a oração em família e levar os nossos filhos a sentir a presença amorosa e divertida de Deus através dos nossos gestos. Esta é a atitude de quem está a caminho! Olhar sempre com esperança o dia de amanhã, pois na verdade, quem nos sustenta é Deus e ele tudo sabe e pode...

Nestas férias escolhemos dar mais tempo à nossa oração familiar. Reunimo-nos no nosso canto de oração pela manhã e ao final do dia. Vale bem a pena dar a nossa melhor parte do dia a Deus! Aqui está ele,




É claro, que os mais pequenos queriam levar os bebés, os carros e as invenções todas para a oração, celebrar missas, dar a comunhão, ler a bíblia,  etc... e era uma grande confusão....
então construíram ( com a minha ajuda, é claro!) por baixo do nosso canto de oração, o deles. Muitas vezes, a Clarinha chama o Gabriel e diz que vai haver missa ou então reune todas as bonecas, "lê" a Bíblia e "dá-lhes a comunhão". Antes de ontem, encontrei a Clarinha a tentar ensinar à Sofia a Avé- Maria... coisas tão engraçadas acontecem ali...  


A oração familiar  deve estar revestida da presença amorosa da Sagrada Família, Jesus no centro, os nossos corações voltados para Ele...



Mas,  não basta dizer, é preciso que as crianças sintam que Jesus está verdadeiramente ali junto de nós. E se Jesus está ali junto de nós, temos mesmo de sentir alegria em estar a rezar.

Toca a saltar para o tapete!
Primeiro, cantamos e dançamos para Jesus. A Sofia de terço na mão, está ou não está a sentir a presença de Jesus ao ver-nos? 



Afinal, não é Jesus que está ali junto de nós? Quem pode resistir ao seu Amor?

Não vale a pena querer silêncio absoluto ou cara séria. É preciso expressar esse Amor.

Depois, ajoelhamo-nos ou sentamo-nos e agradecemos o que aconteceu durante o dia. Cada um agradece individualmente em voz alta. Depois, geralmente rezamos três Avé-Marias, Glória, a Consagração a Nossa Senhora, o anjo da guarda e a Invocação a Nossa Senhora Auxiliadora, Mãe de Caná. No fim, a Clarinha vai ao seu canto de Oração e abençoa-nos a todos com àgua benta. No fim, mais cânticos...e terminamos com o coração cheio...


terça-feira, 5 de agosto de 2014

Mariam de Belém, " A Pequena Árabe"

"Jesus é o meu amor e a minha alegria, e a sua cruz é o meu prazer e a minha paz.
O meu coração arde noite e dia de possuir a Deus de amor."
Mariam

A história real de uma jovem que nasceu em 1846 e morreu aos 33 anos, consagrada a Nossa Senhora mesmo antes de ser concebida. Uma vida cheia de batalhas, sofrimentos e aprendizagens, uma vida de entrega total a Deus. Quem lê, deseja seguir o seu exemplo de santidade!

É um livro pequeno, mas intenso. Recomendo como leitura para todos os jovens.
Escrito pela irmã Emmanuel Maillard, vale a pena a leitura!
Desde que conheci a sua história, sinto a proteção espiritual da sua alma sobre mim.