terça-feira, 26 de agosto de 2014

À semelhança da Humilde Casa de Nazaré... Ensinamento do trabalho


Ensinamento do trabalho

Ao meditar na Sagrada família, este é o ensinamento que mais me fascina no meu dia-a-dia em  família. Jesus era filho de um carpinteiro e desde cedo contemplava São José que Lhe mostrou e ensinou o segredo de trabalhar com a madeira. É certo que todos os dias, via sua mãe, Maria, a bordar ou a preparar as refeições ou a varrer cuidadosamente a casa. Com a Sagrada Família aprendemos que o trabalho dignifica e não diminui. E Jesus sendo filho de Deus, desde cedo trabalhou.

Hoje, em muitas famílias, muitos filhos perdem o tesouro de acompanhar os seus pais nas suas tarefas, de amadurecerem interiormente e naturalmente para a vida adulta. Desde cedo, como rotina, as crianças são colocadas em compartimentos separados da casa para brincarem, ou deixadas com outras pessoas, enquanto os pais estão a realizar as suas tarefas. Cuidado para não criarmos pessoas que viveram a sua infância num mundo artificial de brincadeira, em que os pais nem lhes ensinaram a  fazer a cama ou a dobrar o pijama,  em adultos terão muita dificuldade em enfrentar os desafios da vida, principalmente a batalha interior árdua que nos leva rumo à nossa santificação. Acabamos então, por achar que temos de dar muitas coisas aos nossos filhos, para que eles preencham o seu tempo. E até achamos que temos de ter menos filhos para lhe podermos dar mais coisas, mas a verdade é que a maior alegria de uma criança é aprender coisas novas, enquanto acompanham as tarefas dos pais e para isso não precisamos de inventar coisas supérfluas para os vermos felizes. Ora vejam, os brinquedos preferidos da Sofia, coisas simples que temos em casa...



 Desde pequenos, gosto que os meus filhos estejam sensíveis e participem nas tarefas lá em casa. Amar o trabalho é o princípio do caminho rumo à santidade. Sem trabalho e sem esforço não seremos santos. 

De manhã, peço ao Gabriel que faça a sua cama e eu ajudo a Clarinha. Sempre que estamos tranquilos em casa, o Gabriel dobra o seu pijama e arruma-o junto à cama. A Clarinha também já sabe dobrar o seu, ainda um pouco torto e desajeitado, mas quando tiver a idade do mano já saberá dobrar bem a roupa toda. 

De manhã, sempre que podemos, costumamos fazer 'sumo verde', com cenoura, maçã, couve, beterraba, etc. A Clarinha gosta sempre de ajudar, é claro!

                              


" Quem quer fazer pizza com a mamã?"
"Eu!" - respondem os dois aos pulos. E saltam para a bancada. 


E não querem somente ajudar mas também querem ser eles a fazerem sozinhos uma pizza pequenina. 





Ora vejam a pizza que a Clarinha fez para as bebés:





É preciso apanhar as folhas mais velhas das couves para as cabras comerem. O Gabriel lá está para ajudar...


Depois, ainda há tempo para brincar nas árvores...





Para preparar a tarte de maçã todos querem ajudar...





O avô tem colmeias no meio dos pinhais, perto da ribeira. É hora de aprender como se separa o mel dos favos, para guardar em frascos para o ano inteiro...





"Tanto mel, limpinho...."- diz a Clarinha.



Todos têm direito a experimentar chupar o mel diretamente dos favos...





Sempre que saímos de casa, lá está a Clarinha a pedir-me para dar a sopinha ou a papa à Sofia...



Em casa, ela já trata muito bem da Sofia, com a minha ajuda, é claro!








Aprendamos à semelhança da Sagrada Família, a valorizar a herança do ensinamento do trabalho em família,  pois ela  engradece as nossas almas mas principalmente leva os nossos filhos a amarem o sacrifício de se aperfeiçoarem e de se realizarem desde pequeninos.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

À semelhança da Humilde Casa de Nazaré...Vida Familiar



Vida Familiar

Jesus viveu em tudo a vida humana e também neste contexto familiar. Precisamos olhar para a Sagrada Família e ver este exemplo, esta vida de amor /comunhão, a simplicidade e austeridade, o filho do carpinteiro.


Como nós temos vivido o nosso papel na família, sendo pai, mãe ou filho? 

Cada um de nós tem suas tarefas, obrigações, que longe de serem um peso, elas são o caminho que nos realizam verdadeiramente. Quando não nos entregamos à oração diariamente, é fácil reclamar das nossas tarefas: quantos pais reclamam do dia de trabalho e nem pegam nos filhos ao colo, quantas mães vivem desanimadas porque se fartam das tarefas diárias e já nem gostam mais de fazer comida e cuidar dos seus e assim nascem filhos que preferem muito mais estar com as pessoas de fora do que com a sua família . Olhemos de novo para a Sagrada Família e meditemos na cumplicidade entre eles...Cada um com a sua tarefa, entregue à vontade de Deus.
Muitas vezes, também ando cansada, desanimada e já nem vontade tenho para cozinhar. Nesses momentos lembro-me: " A minha verdadeira alegria está em servir a minha casa. Só cozinhando, limpando e mais limpando é que a minha alma verdadeiramente se realizará. Não há outro caminho!" Aí, a alegria e a força veem e eu continuo dando o meu melhor.
Aprendamos a amar perfeitamente a nossa tarefa em família.



Um por todos...e todos por um

Sempre que temos de sair de casa para realizar alguma atividade, a Clarinha e o Gabriel já sabem que têm de deixar a sala mais ou menos organizada, sem brinquedos espalhados pelo chão. Geralmente, cada um arruma o que desarrumou, e eu ajudo a Clarinha. Ultimamente e como estamos todos de férias, o lema lá em casa é: " Se vês algo desarrumado arruma, não importa quem desarrumou. O importante é estar arrumado" ou dito por outras palavras: "Um por todos... e todos por um". A alegria final  está em ver que ao trabalharmos em equipa, principalmente entre irmãos, ajudamos quem é mais pequeno na tarefa e todos ficam a ganhar, pois acabamos por sair de casa mais cedo. Sim, porque "ou saímos todos ou não sai ninguém." 





quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Um presente para ti, Querida Mãe...

Os meus pequenos deixaram hoje aos pés de Maria, um arranjo de flores que eles apanharam sozinhos com muito amor...




Querida Mãe, neste dia, queremos dizer-te que és a Rainha da nossa Família



À semelhança da Humilde Casa de Nazaré....Humildade


Humildade

O cultivo e amor ao silêncio leva-nos ao florescimento da humildade no nosso coração. 
Quando tudo nos corre mal e nos apetecer gritar com todos, aprendamos a silenciar. Quando só reclamamos, aprendamos a silenciar. Quando só abrimos a boca para julgar, aprendamos a silenciar. Quando passamos o tempo todo a falar de coisas inúteis, aprendamos a silenciar.
Só ouve e está receptivo quem silencia. 
Aprendamos a atitude da Sagrada Família de aceitarmos tudo o que Deus nos envia com confiança e sem reclamação. A humildade acima de tudo é um gesto de amor e confiança em Deus, que tudo é e tudo pode. A humildade aqui proposta, desafia-nos a simplificarmos as nossas atitudes, a simplificarmos as nossas relações, a simplificarmos a nossa casa. Pois trata-se de um despojar de tudo o que é inútil, para depois estarmos abertos a tudo aquilo que Deus nos quer encher.
Sejamos simples, modestos, na maneira de vestir, falar.

Como podemos simplificar as nossas atitudes?

Na nossa vida do dia-a-dia, quando temos um assunto a resolver não compliquemos. O que tem de ser resolvido, que seja resolvido com prontidão e objetivamente. Muitas vezes, quando tenho a casa num caos, fico logo super tensa para tentar me organizar, ou então lamento, fico desanimada. Essas atitudes retiram-nos energia para seguir em frente. Se há algo que tem de ser feito, então mãos à obra sem complicações, mesmo que nos custe. Lembremo-nos da Sagrada Família: 

Depois de haverem partido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, dizendo:
   - "Levanta-te, toma contigo o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e fica aí até que eu te chame; pois Herodes há de procurar o menino para matá-lo".
   José levantou-se, tomou de noite o menino e sua mãe e partiu para o Egito, e ali ficou até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que dissera o Senhor pelo profeta:
   - "Do Egito chamei a meu filho".

Como podemos simplificar as nossas relações?

Sejamos sempre sinceros com os nossos filhos, esposa ou marido. Se errarmos, saibamos pedir desculpa olhos nos olhos. Os filhos aprendem e admiram os exemplos sinceros dos pais.

Como podemos simplificar as nossas casas?

É preciso que na nossa casa respire a presença da Sagrada Família. Mesmo no meio da confusão dos brinquedos, da roupa para arrumar e dos pratos a escorrer na cozinha, é preciso que à nossa volta algo  nos faça voltar o olhar para Deus, seja com imagens, conversas, músicas ou com a própria presença humana. A nossa casa não pode estar aberta a tudo o que o mundo traz...  muitas vezes temos de selecionar brinquedos e explicar o porquê. Outras vezes, temos de dizer não a determinadas conversas pois aquele espaço para nós é sagrado. É imprescindível tirar o que está a mais, o que não é usado. Quanto menos coisas melhor, pois todo o tempo que perdemos a arrumá-las ou a mexer nelas retira-nos tempo de família e oração. 

Quando alguém entra em vossa casa sente paz e a presença de Deus?
É fácil identificar  que na vossa casa  habitam pessoas que amam a Deus?

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

À semelhança da Humilde Casa de Nazaré.... O silêncio

Este post dá início a uma série de cinco temas que vou desenvolver, com o tema : À semelhança da Humilde Casa de Nazaré:
1- O silêncio
2- Humildade
3-Vida familiar
4-Ensinamento do trabalho
5-Vida de Oração

Quando se fala aqui em Casa, entenda-se que iremos abordar as duas dimensões: a Casa física, material e a Casa humana, vivência espiritual.

Partilho convosco o desafio que queremos fazer em família todos os dias, pois desejamos que o nosso lar se assemelhe, cada dia mais, à Humilde Casa de Nazaré.



O Silêncio

Vivemos num mundo que cada vez mais busca a agitação, o barulho, o entretenimento. Vivemos estressados com mil e uma coisas na cabeça, de um lado para o outro.

Olhemos, para o rosto da Sagrada Família, exemplo para nós. Reparem no contato visual que se estabelece, muitas vezes sem muitas palavras...Nós ao contrário, na maior parte das vezes usamos muitas palavras e nem sequer estabelecemos contato visual com o nosso esposo ou esposa, nem cumplicidade e paciência com os nossos filhos através do olhar. Cultivar o silêncio no meio familiar é importantíssimo para estarmos atentos aos sinais de Deus e às necessidades dos outros.

Mas como uma casa com crianças pode ser silenciosa?

Explicar aos nossos filhos o amor ao silêncio. Incentivamos sempre os nossos filhos a falar num tom de voz moderado. Muitas vezes, o Gabriel fala  alto quando está todo excitado com alguma experiência e eu explico-lhe que não há necessidade de falar tão alto, que Deus ama o silêncio, que quando conversamos é mais agradável falar baixo. Um dos sacrifícios que eu mais lhe peço, é ficar em silêncio por alguns momentos para ele treinar este amor ao silêncio. Pois, só no silêncio conseguimos escutar a voz de Deus em nosso coração.
Durante as refeições, cultivar o hábito de falarmos num tom moderado e evitar falarmos todos ao mesmo tempo. Assim, vamos amando o silêncio...
É importante estarmos atentos a tudo aquilo que provoca ruido em nossa casa, e nos desvia a atenção. Em nossa casa por opção, não vemos televisão, nem temos o rádio ligado. Costumamos às vezes ouvir música religiosa, ou palestras a falar de Deus. Ás vezes, os pequenos gostam de ver filmes de santos ou filmes sobre as histórias da Bíblia. As crianças repetem tudo o que ouvem. Gosto tanto de ouvir a Clarinha a cantar que ama Jesus e Nossa Senhora...
É importante retirar todo o ruído nas horas das refeições e estabelecermos contato visual com ternura com todos os membros da família.
E agora a parte mais difícil de ouvir....
A maior parte da falta de silêncio está dentro de nós, por isso temos uma batalha todos os dias a travar dentro de nós para nos focalizarmos e "escolhermos a melhor parte" como Maria fez, pois só Deus basta...É Ele que nos sustenta, é Ele que está no comando de tudo. Porque temos tanto medo e nos preocupamos com tanta coisa inútil? Façamos silêncio dentro de nós e supliquemos à Nossa Querida Mãe Celeste a graça do silêncio interior . O silêncio interior que nos faz viver com alegria no meio de tantas tarefas domésticas, tanta roupa para estender, tanta comida para fazer e tantas fraldas para trocar...

terça-feira, 12 de agosto de 2014

10 minutos várias vezes ao dia...

Quando amamos verdadeiramente, desejamos oferecer as melhores prendas, mesmo que isso  nos custe a nossa própria vontade.


                           



"Gabriel, eu sei que queres pular e brincar agora, mas vamos fazer Jesus feliz. Uma das melhores prendas que Ele gosta de receber são os sacrifícios, e tu sabes isso. E que tal, se agora fizesses silêncio e pensasses Nele um pouco?"

"Hum... mamã, mas durante quanto tempo?"
" Só 10 minutos! Depois podes voltar a brincar!". O Gabriel deixou a brincadeira e sentou-se em silêncio. Depois a sorrir, lá voltou a brincar.

" Gabriel, a Clarinha está a pedir para brincares com ela!"
"Agora não posso, estou a fazer as minhas experiências..."
"Vamos oferecer a Jesus! Só 10 minutos!". Respondi-lhe em voz baixa.
"Ok, mãe...10 minutos"

" Gabriel, lê uma história para a Clarinha enquanto eu preparo a Sofia para dormir"

"Mãe..."
" Só 10 minutos"







"Gabriel, arruma tudo o que está espalhado no tapete, por favor."
" Mas mamã, a Clarinha também desarrumou..."
" Eu sei, mas agora preciso da tua ajuda...este sacrifício é que tem muito valor para Jesus."

                                  

Ao fim do dia, beijo o Gabriel e baixinho digo-lhe com alegria:
" Os teus 10 minutos ao longo deste dia, todos somados, fazem quase uma hora de sacrifício para oferecermos a Jesus..."
Ambos sorrimos e decidimos que este dia se iria repetir sempre...