terça-feira, 30 de junho de 2015

O sonho, o fracasso e a resposta

Na escola sempre fui uma boa aluna, com boas notas e sempre me preocupava com os meus colegas. No final do secundário tinha uma média muito boa e podia escolher muitas saídas profissionais. Ao entrar na faculdade, não escolhi a área em que tinha melhores notas  ou a área que tinha melhor saída profissional. Eu tinha gosto por tudo, queria saber um pouco de tudo e tinha um sonho. Lembro-me de escrever num caderno acerca dele: Eu queria unificar todo o conhecimento, queria compreender a linguagem de todas as ciências estudadas e chegar à essência, a tudo aquilo que é verdadeiramente essencial  e transformar o mundo à minha volta... Eu sabia que a Matemática era a linguagem de todas as ciências. estava disposta a dar o meu melhor. Então, entrei no Curso de matemática, ramo científico.

Quando nós temos um sonho, um desejo sincero do nosso coração, o Senhor dá-nos sempre a resposta ao longo da vida, na maior parte das vezes, não da forma que queremos mas sim da forma verdadeira.

Entrei no curso logo na primeira opção. Gostei da linguagem lógica, certinha de aplicar conhecimentos, mas o Senhor já nessa altura queria falar-me ao coração. Lembro-me de estudar muito, até cheguei a fazer gravações de matéria de Álgebra Linear para um colega invisual estudar. Vieram os primeiros exames e os seguintes e eu não conseguia passar. Fiz muito poucas cadeiras do curso, mas as que fiz tirei boas notas. Tudo me mostrava que ali não era  meu lugar e eu insistia em ficar, até fiquei doente e muito em baixo. Foi um tempo doloroso e de grande fracasso para mim.
As marcas do fracasso que senti nessa altura são hoje uma das fontes da minha força em tudo o que faço!

Tudo o que o Senhor permite é para nosso bem. Hoje, riu-me com o meu passado e digo: " Fui mesmo teimosa! Porque não mudei logo de curso?" Hoje também sei a resposta: " Se tivesse mudado de curso, talvez estivesse com uma boa carreira profissional e longe, longe dos caminhos de Deus... Talvez me sentisse cheia de orgulho pelo meu percurso e não precisasse de Deus! Talvez não tivesse sido mãe tão cedo, nem estaria com a família linda que tenho. O fracasso que senti foi a benção que eu precisava para salvar a minha alma!"

Mais ou menos nessa altura conheci o Serge, foi ele que me resgatou. Com o tempo comecei a ter as primeiras respostas ao meu sonho: a linguagem que nos leva a conhecer a essência de todas as coisas não se faz por meio da matemática ou da ciência, só há uma linguagem que nos leva a unificar tudo. Essa linguagem é o Amor, a força mais poderosa de todo o universo. A linguagem do amor entrou na minha vida pela comunhão e partilha com o Serge e com ele, os nossos filhos. Mas esse amor humano ainda era pequeno para unificar tudo. Aos pouquinhos Deus foi-me  chamando a conhecer um Amor ainda maior através da minha família e da maternidade, o Amor capaz de transformar e de romper fronteiras de espaço e tempo e de desafiar as leis da natureza e da matemática. O Amor de Deus, aquele Amor que não tem limites e nos quer unificar a todos num só corpo.  É a este Amor do próprio  Deus que temos que entregar toda a nossa vida acima de todas as coisas e dar-lhe o primeiro lugar...

Ajuda-nos, Senhor a sermos fiéis a este Amor! Sim, o Amor de Deus é a essência de todas as coisas!







segunda-feira, 29 de junho de 2015

O nosso quarto encontro de famílias em Proença-a-Nova/ Famílias de Caná

O dia esteve muito quente mas mais quentes estavam os nossos corações, apesar de obstáculos e contratempos estivemos juntos de novo! Já somos um núcleo de famílias comprometidas a caminhar na fé e sentimos todas que precisamos mesmo deste domingo por mês! Este encontro foi um pouco diferente dos anteriores: o Serge não pode estar presente, nem estiverem presentes os outros maridos, mas isso não foi impedimento de fazermos a nossa caminhada. Desde o último encontro, estamos a abordar a Bilha da Vida Sacramental e teremos mais alguns encontros sobre este tema, acompanhados com os ensinamentos do Padre Paco. 
O encontro começou com música e com as crianças no tapete. Depois, tivemos um ensinamento do Padre Paco. Tinha pensado em gravar o ensinamento e começar logo o trabalho com as crianças que tinha preparado, mas o Padre Paco sugeriu estarmos todos presentes. Ao canto da sala, distribui folhas brancas e canetas por todas as crianças, enquanto nós adultos, neste caso mães, formámos uma mesa redonda ouvindo o Padre Paco. Senti-me muito feliz e grata pela oportunidade de ele nos estar a acompanhar nesta caminhada. As crianças adoram-no, pois ele é muito brincalhão e bem disposto! Não consegui fotos pois enquanto as crianças faziam os seus desenhos, eu tentava ouvir o padre Paco com a Sofia no colo a mexer no meu caderno. Para a próxima, com a ajuda do Serge, tiro fotos durante o ensinamento e transcrevo um pouco o que foi falado.



Depois do ensinamento, fizemos então a atividade que tinha preparado para as crianças, mas desta fez, em família. 


Neste encontro, tinha preparado falar  do sacramento da reconciliação, da importância de limparmos o nosso coração e de o mantermos puro no nosso dia-a-dia. Comecei por contar a passagem Bíblica na qual Jesus instituiu este sacramento :

"Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco.
E, dizendo isto, mostrou-lhes as suas mãos e o lado. De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor.
Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós.
E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.
«queles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos."

João 20:19-23


Falámos do coração de cada um de nós, da preocupação de o manter puro e limpinho. Abordámos o que era o pecado, os gestos que deixam Jesus triste, que no fundo são os gestos que nos afastam de sermos felizes. E reforçamos que só há um "sabão" capaz de limpar o nosso coração do pecado, que é a força viva da presença do Senhor, através do sacramento da reconciliação. 

Para que os mais pequenos entendessem na prática fiz a seguinte    " magia",  que todos adoraram: peguei em três frascos de vidro idênticos e escrevi em cada um deles uma etiqueta: " O meu coração", noutro " Jesus" e no último " Pecado". No primeiro, enchi com um pouco de água; no segundo enchi com lixívia diluída transparente, à vista parece água; e no último enchi com água e alguma tintura de betadine (que se usa para desinfectar as feridas), a solução é castanha escura, de forma que no total todo o líquido ocupasse o espaço de um único frasco cheio.

O diálogo desenrolou-se mais ou menos desta forma:
-"Deus criou-nos com um coração limpinho e transparente, conseguem observá-lo aqui no frasco? O que acontece se não nos portamos bem? Se não ajudamos a mamã lá em casa, ou se magoamos os irmãos?" Nessa altura despejei um pouco do frasco do "Pecado" no frasco" O meu coração".
-" O nosso coração começa a ficar sujo!" responderam.
-" Sim, é verdade! Vocês acham que o pecado é mais forte que Jesus, acham que o pecado consegue manchar Jesus?" Nessa altura despejei um pouco de " Pecado" no frasco de " Jesus".
-" Oh! é magia, a água de Jesus fica igual, não fica manchada!"
-" Pois, não! O pecado não consegue fazer nada em Jesus. Jesus é mais forte e ele é o único que consegue limpar o nosso coração. querem ver?" Despejei do frasco de " Jesus" no frasco do "o meu coração" até ficar limpinho.
-" Oh!...ficou mesmo limpinho" 
-"É o que acontece no sacramento da reconciliação! Jesus é capaz de apagar o pecado" despejei um pouco do frasco "Jesus"  no frasco " Pecado" até ele ficar totalmente transparente e depois despejei todos os líquidos no frasco "Jesus". O resultado é um frasco com líquido transparante, como no início. Depois, disse:
-" Se o nosso coração estiver unido ao coração de Jesus, o pecado não consegue entrar! E estaremos cheios!"

Para trabalharem o perdão, imprimi uma ovelhinha em papel para colocarem no canto de oração. Na cabeça escrevemos o nome de cada um e no corpo colámos algodão para ficar mais branquinha, como deve ser o nosso coração.



Cada um fez o voto de colocar a sua ovelhinha perto de Jesus no canto de oração e sempre que se portassem mal, pegavam na ovelhinha e iam pedir desculpa à pessoa que tinham ofendido e a Jesus, depois voltavam a colocá-la junto de Jesus.

O nosso lanche partilhado...



Por fim, na nossa oração familiar na capela, cada um agradeceu o dia e colocou a sua ovelhinha diante do altar. Aqui estão só algumas...



Juntos rezamos a consagração a nossa Senhora Auxiliadora Mãe de Caná, em pouco tempo já saberemos todos a oração sem a ler! E o Shemá, é claro!

As crianças estavam ansiosas para que o padre Paco lhes mostrasse os animais. 








Há sempre novidades! Haviam tantos coelhinhos bebés !



Junto à cruz, a nossa foto!

A Paula lançou o desafio de ainda irmos à praia da Fróia, estava muito calor e as crianças queriam estar mais tempo juntas!
Eu estava super cansada.... mas como é importante entre famílias o espaço de convívio e partilha. Na minha cabeça vieram estes pensamentos: "Os núcleos de famílias que querem crescer na fé, na partilha e no testemunho serão a salvação da nossa sociedade. Os seus corações serão as bases transbordantes do Amor de Deus para o resto do mundo! Os encontros de família que hoje parecem tão insignificantes serão o futuro e uma realidade viva. Serão a salvação do casamento, da união da família, da abertura ao dom da vida e da confiança num futuro com esperança..." 

Sim, vamos! Mesmo cansada todos os momentos são poucos para construir esta realidade! Há tanta coisa para aprender.....



sábado, 27 de junho de 2015

Total consagração ao Senhor

Quando li o post da Teresa sobre a sua participação no Painel da Vida consagrada, lembrei-me de uma experiência muito forte que tive há uns anos atrás. Nessa altura, só tinha o Gabriel, ele era muito pequeno e era Verão. Numa conversa com o Serge,  partilhei o meu desejo de passar 2 ou 3 dias num convento nesse Verão, sentia um chamamento. Lembro-me que precisava de um tempo para parar e sentia-me cansada. Bom, eu podia não ter ligado a isso e continuar a minha vida com as minhas tarefas diárias, mas não. Apesar de não compreender muito bem, continuei. Voltei a falar do assunto algumas vezes e o Serge concordou. Não conhecia nenhum convento nem sabia se os conventos recebiam pessoas. Fiz uma pesquisa rápida para saber qual o convento mais perto da minha casa. O meu desejo interior era estar em silêncio diante do Santíssimo. Pouco tempo depois, cheguei aos dados das Irmãs Clarissas, do Mosteiro de Santa Clara e do Santíssimo Sacramento de Monte Real. Sim, era lá que eu tinha que estar, adorando o Senhor! 
Não sabia o que iria encontrar, não conhecia nada, apanhei um autocarro que me deixou perto do convento e sorridente entrei. 
Lá as irmãs vivem em Clausura e apenas era permitido falar com as irmãs que serviam as refeições. Permanentemente elas estão em adoração diante do Santíssimo. Foi muito marcante para mim!
Lembro-me de pensar: " Não vou desperdiçar esta oportunidade, vou passar o tempo todo que conseguir até me doer os joelhos diante do Senhor!"
No coro as Irmãs iam e vinham e estava sempre uma em adoração, assisti a todas as orações que faziam. Só saia para comer e até acho que chegava já bem depois da hora. Senti uma gratidão enorme por estar ali e na primeira oportunidade perguntei a uma irmã enquanto servia-me a refeição: " É possível falar com a Madre Superior?"
O tempo foi passando e ao avisar que iria embora, uma irmã muito querida chamou-me: " A Madre Superior quer falar consigo". Eu fiquei muito contente. Como eu queria agradecer do fundo do meu coração tudo aquilo que tinha vivido!

Já não me lembro muito bem as palavras certas do nosso diálogo. Ela ao perguntar o meu nome, disse-me que tinha reparado na minha presença em todas as orações e no meu desejo de estar com o Senhor. Perguntou-me o que eu sentia diante do Santíssimo aquele tempo todo e  como eu falava com o Senhor. Não me lembro muito bem da minha resposta mas lembro-me de lhe falar do silêncio, de me sentir vazia sem palavras, apenas ali presente. Eu queria estar dentro da hóstia no meu pensamento e coração. Depois perguntou-me: " A jovem não quer vir para o mosteiro e ser Clarissa?" e eu respondi-lhe com um grande sorriso: " Eu sou casada e tenho um filho." Nunca me vou esquecer da expressão do seu rosto, pois não estava à espera de tal resposta, pelo meu desejo de me unir ao Senhor. 

Sim, é possível sim, constituirmos família e vivermos a vida como uma total consagração ao Senhor, buscando-O acima de todas as coisas, adorando-O, levando-O às nossas crianças na simplicidade dos pequenos gestos de amor, na alegria e no conhecimento da palavra de Deus !








sexta-feira, 26 de junho de 2015

O pilar da família

Na correria do dia-a-dia, nas mil e umas tarefas na casa e com o cuidar dos filhos, faço um esforço para nunca me esquecer do pilar da nossa casa, o pilar através do qual o Senhor derrama e continuará a derramar graças sem fim para a nossa família. Podem vir grandes tempestades mas se o pilar é forte toda a casa estará protegida, abrigada e alegre. Pelo sacramento do matrimonio, a nossa família nasceu, cresceu e continuará a crescer para o amor. Este pilar do amor entre marido e mulher, precisa ser cuidado, precisa ser "regado" todos os dias com gestos, pequenos gestos de perdão, de escuta, de sacrifício.

O primeiro canto de oração da nossa família é o amor que habita no nosso coração de casal e isso os filhos reparam bem. 
Pensem sempre primeiro no outro, não durmam sem pedir e dar o perdão. Não coloquem os filhos à frente deste amor. O tempo é curto nesta vida para grandes gestos de amor... Aproveitemos ao máximo para amar e perdoar é nisto que consiste o ser feliz em família...

Cada família é Terra Santa, Altar sagrado do Senhor na terra. 

Quando rezo por uma família peço sempre primeiro pela união e amor entre marido e mulher, dou graças pelo sacramento do matrimonio. Sei que se o pilar caminha unido, tudo o resto corre bem.

Quando o Serge chega a casa, primeiro dá-me a mim um beijo e só depois dá aos mais pequenos enquanto diz: "A mamã primeiro!" 



quinta-feira, 25 de junho de 2015

Estar atento à voz de Deus

Das primeiras coisas que faço quando acordo, ainda deitada na cama é invocar o Espírito Santo e pergunto: "Espírito Santo o que vamos fazer juntos hoje? Se não fizermos as coisas juntos, vou-me perder de certeza!"
Quando os mais pequenos acordam lembro-os sempre de dizer : " Bom dia Jesus! Bom dia Nossa Senhora!"
Apesar de estar em casa e ser responsável pelas tarefas diárias que se repetem vezes sem conta, cada dia é único, cada dia recebo uma inspiração nova e aprendo muitas coisas. Nunca sei ao certo o que vai acontecer, não sou muito de fazer muitos projetos ou de planear as coisas com muita antecedência e mesmo quando tenho que planear, estou sempre atenta a tudo aquilo que vou recebendo no meu coração. Procuro estar atenta a tudo o que acontece e perceber o que realmente Deus quer que eu faça. Para mim uma das coisas que me traz felicidade no meu dia-a-dia é esta atitude que eu peço sempre em oração: " Esvazia-me Senhor em cada dia, ajuda-me a ser leve, ajuda-me a não  ser esmagada pelo peso das preocupações, a não querer saber tudo, nem a controlar tudo, ajuda-me a estar presente em cada instante Contigo, não deixes que eu Te perca de vista enquanto faço as minhas tarefas,  para que Tu venhas e possas me encher da Tua vontade, com os Teus planos para mim. "
 Durante o dia enquanto o Serge trabalha fora, nós trabalhamos em equipa lá em casa.Trabalhamos para um bem comum que é ajudarmo-nos mutuamente nas tarefas.O Gabriel e a Clarinha fazem uma boa equipa e até brincam quem é o primeiro a acabar de arrumar os brinquedos todos. Quando todos colaboram há tempo para dançar, para passear, para fazer os trabalhos manuais que eles gostam.
É uma alegria ter três filhos lá em casa! Há muita brincadeira ao longo do dia, muita alegria, muita conversa e muitas vezes barulho... As brincadeiras em casa vão acontecendo naturalmente. Eles ficam muitas vezes  a brincar sozinhos na sala enquanto eu estou na cozinha que é ao lado ou no piso de cima e o Gabriel fica encarregue de manter a ordem e ver se está tudo bem. Deixei de ser uma mãe galinha para passar a ser uma mãe radar. Eu explico melhor, deixei de estar sempre em cima deles a observá-los e passei a só estar atenta aos perigos. Fora de perigos como a estrada e outros possíveis acidentes, deixo-os à vontade para explorarem, brincarem e resolverem os seus problemas e desafios. O meu radar só não deteta situações como estas...


Mas eu alegro-me, pois todos os dias tenho novas oportunidades para dar umas gargalhadas!

Às vezes há cantos de oração por todo o lado...


Quando estão sozinhos a brincar a sua criatividade voa alto. A Clarinha esteve a brincar às Famílias de Caná imaginem...



O Gabriel fica horas e horas a construir aviões, barcos e a imaginar coisas novas para construir...



Mais tarde, encontrei os três a fazer uma festa: com umas tiras de papel brincaram e brincaram...
Como é possível darem pulos de alegria com uma coisa tão simples e tão banal? Cá em casa,  descobrem-se sempre novos brinquedos todos os dias....



Depois de arrumarem a sala toda, lá colocam os bonés e brincam na terra, andam de bicicleta. Hoje, ao visitarmos os patinhos da minha mãe levámos a máquina fotográfica para tirarmos uma fotos. Não estão muito lindos e crescidos?





 Às vezes, Deus chama-nos a visitar os outros, a sair do nosso conforto e a dar um pouco do nosso tempo para ser a presença de Deus...

" Meninas, estão prontas para sair?"




quarta-feira, 24 de junho de 2015

A oração de Ana

A oração de Ana, mãe de Samuel é a minha inspiração de como orar ao Senhor. Ana era estéril e vivia amargurada pois queria ter filhos.

Em 1 Samuel 1, 10-12:

" Ana, profundamente amargurada, orou ao Senhor e chorou copiosas lágrimas. E fez um voto, dizendo: ' Senhor do Universo, se te dignares olhar para a aflição da tua serva e te lembrares de mim, se não te esqueceres da tua serva e lhe deres um filho varão, eu o consagrarei ao Senhor, por todos os dias da sua vida, e a navalha não passará sobre a sua cabeça.' Ela repetiu muitas vezes a sua oração diante do Senhor"

Muitas pessoas repetem esta expressão: " Seja o que Deus quiser" no sentido de que não vale a pena pedir nada a Deus, ou " tanto faz", ou "Deus é capaz de ficar ofendido se eu lhe peço coisas". Não, Deus dirige sempre o Seu olhar para as almas que se incendeiam em pedidos de amor e se oferecem no seu pedido. Muitos têm problemas e dizem: ' Deus não me ouve nem se importa com o meu sofrimento.' Não é bem assim. Enquanto falarmos com Deus de uma forma morna ou pensando só em nós, eu não creio que estejamos realmente a orar. 

Ana era estéril. Ela tinha uma dor na alma, um desgosto por não ter filhos. Ela podia muito bem pensar assim: ' Eu sou estéril. Deus não quer que eu tenha filhos' e ficava por aqui. Mas não, Ana tinha a alma inflamada de fé, determinação, confiança. Ela não tinha uma alma morna, uma alma do " tanto faz", mas ela correu sem demora para o Senhor na sua aflição e derramou totalmente toda a sua alma  na Sua presença, ela rasgou o coração em lágrimas e fez um voto. Mesmo se o Senhor não a atendesse no pedido ela não hesitou e pensou: ' E se eu ficar com muitas expectativas e não acontecer?' Não, ela avançou confiante, pois o pedido que ela fazia o consagrava totalmente ao Senhor! 

Será que andamos a fazer pedidos a Deus para termos mais que os outros, para nos mostrar? Será que os nossos pedidos são realmente para nos fazer pessoas melhores, pessoas cheias de amor?

Ana não pediu um filho para se mostrar aos outros. Ela pediu um filho para dar honra e glória a Deus, pois o seu coração ardia pela maternidade e o ofereceu. E sabem, o que aconteceu? 
Por este gesto tão belo o Senhor deu-lhe a graça depois de Samuel de dar à luz mais três filhos e duas filhas! 

Eis o segredo: quando orarem ao Senhor pedindo o que quer que seja, consagrem tudo totalmente ao Senhor e não tenham medo. 

"Mas vamos pedir algo a Deus para depois Ele nos retirar de volta?"
Estamos tão apegados aquilo que pedimos que até temos medo que Deus nos tire se o consagrarmos a Ele. É precisamente o contrário! Consagrarmos as coisas, os filhos, a família a Deus é a segurança que nunca os vamos perder, servindo na terra para a Glória de Deus e depois se tudo é para Ele é Nele e para Ele que um dia estaremos juntos na eternidade...

Quais são os problemas que vocês estão a enfrentar? Aqueles que vos fazem sentir amargurados, com o coração apertado?
Vocês acham mesmo que já não vale mais apenas rezar por eles?
Para quem ou para quê correm sem demora em primeiro lugar quando têm uma aflição?

Será que os vossos pedidos são feitos com " copiosas lágrimas" ou são feitos com o pensamento: " se aconteceu, aconteceu, senão.. paciência"?
Será que estão dispostos a fazer um voto sincero com o Senhor, pelo vosso pedido? Ou não querem fazer nada e só esperam receber, receber...?
Quantas vezes já repetiram o pedido ao Senhor? Ana repetiu vezes sem conta...

Antes de acontecerem os encontros mensais das Famílias de Caná em Proença- a - Nova, eu lembro-me de fazer esta oração vezes sem conta:

" Querida mamã , Maria, eu não conheço famílias dispostas a estarem presentes para os encontros aqui em Proença, mas tu sabes o quanto é urgente ajudar e unir as famílias... Tu sabes o desânimo e os problemas que passam...Eu estou disposta a fazer os encontros de qualquer maneira, só preciso que sejas tu a convocar as famílias, tu conheces os seus corações melhor que eu. Leva-me até elas, eu só as quero levar ao Senhor."






terça-feira, 23 de junho de 2015

A meia perdida

Quem tem crianças em casa sabe o quanto elas sujam roupa. Nós vivemos numa aldeia, e as crianças adoram brincar na terra. Para juntar à festa os meus pequenos adoram comer fruta, e gostam sempre que é possível subir nas árvores ou no escadote para colhê-las. Já passou a época das cerejas, agora temos os pêssegos, este ano não são muitos, mas deliciosos! Falar de roupa lá em casa é sempre uma festa, pois constantemente faço máquinas, há sempre roupa no meu estendal! Os mais pequenos chamam carinhosamente ao monte de roupa lá em casa: "o monte Everest" e penso que não é preciso explicar o porquê. Ensinei-os a separar a sua roupa e a encontrar os pares de meias. A ajuda deles é preciosa para mim, poupa-me imenso tempo. Estava eu a encontrar os pares de meias do Serge quando me apercebi que faltava uma meia. Logo pedi ajuda:
- " Gabriel, falta o par desta meia, por favor tenta encontrá-lo. Onde ele pode estar? Será que caiu atrás do móvel ou foi a Sofia que pegou nele e o escondeu?" O Gabriel lá foi tentar encontrá-lo mas sem sucesso. 
-" Mamã"- disse-me- " procurei-o por todo o lado e não o encontro. É só um par de meia! Não é assim tão importante!"
-" Claro, que é importante Gabriel! Para esta meia que fica sem par faz toda a diferença pois ela fica sem utilidade... Ela não pode estar longe. Será que ficou no estendal, ou no chão lá fora? Não vou desistir até a encontrar! " 
Durante bastante tempo andei à procura da meia perdida enquanto fazia outras coisas ao mesmo tempo. Passado algum tempo, enquanto o Gabriel e a Clarinha estavam a brincar no quarto e a Sofia... bom, não me  lembro ao certo onde ela estava mas andava ali perto a brincar, olhei de baixo do móvel e lá estava a meia perdida! Eu sabia que a ia encontrar!

-" Alegrem-se comigo, encontrei a meia perdida!" gritei bem alto. Os três vieram logo ter comigo.
-" Vamos fazer uma festa! Encontrei a meia perdida!"

Ao sorrir para eles meditava no meu coração:" Às vezes também me sinto uma meia perdida, muitas vezes também tenho de ir à máquina para ser lavada e no "monte" de todas as pessoas à minha volta será que eu sei que sou importante ? Será que eu acredito que cada "meia", cada pessoa no mundo,  faz sim, muita diferença para que outras se salvem? para que outras queiram caminhar e mudar o mundo? 

Só há uma coisa que eu sei: Deus nunca vai desistir de me procurar se me perder, ele vai procurar-me com a certeza de que eu sou importante para Ele e vai alegrar-se muito cada vez que me encontrar. Não importa o número de vezes que isto acontecer, Ele fará sempre uma grande festa!