terça-feira, 14 de julho de 2015

Gestos de amor vividos entre famílias

Sem dúvida que um dos melhores momentos que temos é o tempo que passamos em família! Seja na nossa terra ou de férias noutro local, aqueles momentos simples enchem-nos o coração e a alma. 

Quase que sinto o Senhor a caminhar ao nosso lado à beira mar...


E aquele pôr do sol que nos faz parar e agradecer...


Molhar os pés na água salgada e ouvir as risadas dos mais pequenos a brincar...


Ir a um parque e estender uma manta na relva, levar o almoço...


...e ver os mais pequenos a brincar e a comer gelado



Coisas simples mas se vividas com verdadeira alegria são momentos mágicos e acredito que até de grande testemunho e inspiração para quem nos vê... Não estaremos nós também a falar de Deus aos outros quando temos gestos de amor?

E se esses gestos de amor forem vivido entre famílias?
O Senhor nos tem mostrado que a nossa família é muito maior do que imaginamos. A nossa família também são todas as famílias que querem "fazer tudo aquilo que Jesus disser", são as famílias que buscam a coragem do "sim" mesmo sabendo que falham muito, que querem viver na verdadeira alegria, simplicidade. Sim, já somos muitos, há famílias de Caná um pouco por todo o lado.

Temos aproveitado para viver ao máximo os nossos momentos de família, com famílias e a nossa alegria tem saído multiplicada.

Como é bom sentirmo-nos e estarmos em casa em qualquer parte.

Sábado, foi um dia especial. A Ana e o Miguel, a Carmina e o Edu estiveram connosco. Sem falar das crianças que no total eram nove. Os abraços, os sorrisos, as saudades... muita conversa. E porque  além de sermos amigos, somos Famílias de Caná não podiam faltar as bodas! Sim, fomos muito bem recebidos na casa da Ana e do Miguel onde jantámos. As crianças brincaram, fizeram desenhos e tivemos direito a sobremesa e música! Coisas simples mas quando partilhadas com amor são os tesouros que nos falam do amor de Deus. São as pedras preciosas que guardaremos no nosso coração quando chegarmos a casa, à nossa verdadeira casa, o céu...



E eu fico a pensar...

Será que há algum tipo de problema que nos poderá abalar se nos unirmos entre famílias na alegria e nas dificuldades tendo o coração totalmente consagrado ao Senhor?

Se não nos unirmos, como o Senhor poderá resolver os nossos problemas? Se não nos unirmos, como ouviremos a voz do Senhor, como sentiremos o Seu braço a agarrar o nosso e a nos amparar nos momentos difíceis? Se não nos unirmos será que verdadeiramente estamos a "fazer tudo o que Jesus nos disser"?

sábado, 4 de julho de 2015

O nosso testemunho e o milagre

"A Igreja deve servir Jesus nas pessoas marginalizadas, abandonadas, sem fé, decepcionadas com a Igreja, prisioneira do próprio egoísmo. Sair significa ainda ‘rejeitar a autorreferencialidade’ em todas as suas formas; saber ouvir e aprender de todos, com sinceridade humilde”. Estas são palavras do Papa Francisco e me fazem meditar muito.

Muitas são as famílias que se sentem à margem do Amor de Deus, muitas são as famílias que não encontram o seu lugar na Igreja e se sentem decepcionadas, sem fé, muitas vezes julgadas pelos que estão dentro da Igreja pelo seu passado...

Estaremos nós a saber acolher as famílias que se sentem à margem nas nossas comunidades levando-lhes o Amor de Deus ou simplesmente acomodamo-nos e pensamos: " Esta família é um caso perdido! Nem vale a pena tentar falar de Deus..."?
Ora, oiçam bem o nosso testemunho:
Mal soube de uma ou outra família que estaria interessada em participar nos nossos encontros de famílias em Proença fui logo sem demora falar com elas e abrir o meu coração. Queria ver os seus rostos, perceber o que estavam a viver, as suas dificuldades. Desejava também que elas ouvissem a minha voz e sentissem o meu entusiasmo e desejo de caminharmos juntos... Ao expor a proposta dos encontros, todas estavam entusiasmadas para começar.
Os encontros começaram e uma das famílias não apareceu nem no primeiro , nem no nosso segundo encontro.  Na hora do lanche partilhado, do segundo encontro, enquanto estávamos todos  a comer, houve uns instantes de silêncio e eu fui impelida a falar, quer desejasse quer não. Olhei nos olhos de duas mães e comecei assim a conversa do nada:

- " Eu sei que vocês olham para mim como se fosse perfeita a  nossa família! Não é verdade! Nós não somos tão virtuosos ou fomos tão virtuosos como vocês pensam! Vocês pensam que eu estou à vontade para falar, mas não é verdade. Quem me conhece sabe que sou bastante reservada e até tímida. Já ofendemos muito o Senhor! A nossa família também é fruto da misericórdia e do perdão de Deus! Tanto eu como o Serge andámos muito tempo afastados da Igreja e apesar de buscarmos o amor de Deus em tudo, andámos muito longe dos sacramentos e dos mandamentos de Deus. A nossa família começou assim: eu o Serge conhecemo-nos num encontro no Alentejo no qual se abordava muitos assuntos diversos como a educação, agricultura biológica, entre outros. Quando começámos a falar, era impressionante a quantidade de coisas que tínhamos em comum e dos nossos desejos para o futuro. Desejávamos formar uma família com valores, viver as coisas simples da vida e servirmos os outros. A Igreja não fazia parte das nossas vivências mais profundas, apesar de Deus estar sempre presente. A sintonia foi tão forte do nosso encontro que o nosso namoro, amizade começou logo ali. Ao falar com a minha amiga que tinha vindo comigo para aquele encontro disse-lhe: " Desculpa, já não vou voltar contigo para Lisboa. Encontrei alguém muito especial..." Sim, eu sei que sou um pouco maluca mas aconteceu mesmo assim. Nem passado um mês de conhecer o Serge fiquei grávida do Gabriel. Não tínhamos planeado que fosse assim, mas ficámos ambos muito felizes! Sentíamos um amor muito grande um pelo outro. Naquele mesmo dia, falámos com os meus pais e os pais do Serge e decidimos casar pela Igreja, não com a convicção do sacramento em si, mas sim porque queríamos ter a benção de Deus e reunir a família dos dois lados. Quando estava grávida de três meses do Gabriel, casámos e foi uma cerimonia muito bela e muitas graças foram derramadas sobre nós. Só mais tarde saberíamos o quanto! A nossa família não começou da maneira perfeita, mas o senhor não desistiu de nós! Mostrou-nos os nossos erros e nos deu força para caminhar! Acham que Deus nos ama menos ou mais pelo nosso passado em relação àqueles que fizeram toda a caminhada dentro da Igreja? Deus ama-nos da mesma forma e com a mesma intensidade. Deus ama todas as famílias da mesma maneira. O que fariam se ouvissem esta história e não soubessem que era a nossa?"...



 Depois de falar senti que um peso tinha saído do ar que respirávamos e os seus rostos ficaram luminosos e cúmplices com o meu. Afinal, todos temos coisas para contar em que ofendemos a Deus, o que importa é o que vivemos no momento presente, o que importa é a intensidade do amor que trazemos no coração para dar a Deus. O Senhor ao ver o nosso arrependimento apaga as nossas faltas e sem demora traz-nos uma túnica que coloca nos nossos ombros e no dedo um anel e diz: " Tu és o meu filho muito Amado!"

O milagre estava para acontecer no encontro seguinte das famílias.
No terceiro encontro, o meu coração encheu-se de alegria pela família que nunca tinha aparecido e emocionada partilhou que lhe tinham contado o nosso testemunho e que por causa dele estava ali. Tinha medo dos julgamentos e não sentia que podia fazer parte desta caminhada connosco.

O meu coração se encheu de amor e repeti várias vezes: " Tu és muito amada! O senhor te ama muito e o teu lugar é aqui!"

Que nenhuma família se sinta envergonhada com o seu passado! O Senhor quer recolher todas as famílias que se sentem à margem, fora dos modelos perfeitos. Há um grande exército de famílias que estão à margem da Igreja e que o Senhor quer tocar, operar milagres, devolver a fé, a esperança e construir um mundo novo. O Senhor tem um plano para cada uma delas. Não existem casos perdidos, com Deus tudo é possível! Tenho mais fé nas famílias aventureiras, que arriscam, que buscam e que querem servir o Senhor de todo o coração, mesmo sabendo que são imperfeitas, que saibam :" ‘rejeitar a autorreferencialidade’ em todas as suas formas; saber ouvir e aprender de todos, com sinceridade humilde", como o Papa Francisco fala, do que aquelas que muitas vezes caminharam sempre certinhas, e até têm um lugar certo na Igreja. Precisamos de famílias que queiram amar o Senhor de todo o coração e isso basta! Precisamos de todas as famílias, as que estão dentro da Igreja com a chama acesa pelo Senhor e as que estão fora desejando encontrar o Amor de Deus...

Estaremos nós preparados como Igreja para não julgarmos as famílias pelas aparências do seu passado, não julgando mas agindo com amor, sabendo acolhe-las e elevando-as para que sintam que também elas têm um lugar na Igreja?

Eu não sei a vossa resposta, mas sei o que o Senhor espera de mim: reunir aquelas que já perderam a fé e levá-las a sentir o Amor de Deus...


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Recomeçar

-" Mammmãããã!"
- " O que se passa Gabriel?"
-" A Clarinha e a Sofia voltaram a destruir e a mexer nas minhas construções! Tenho de começar tudo de novo!"
-" Acalma-te... Olha, em primeiro lugar tu já sabes que tens de deixar as tuas coisas bem arrumadas e fora do alcance da Sofia. Depois, senta-te aqui ao pé de mim que vou contar-te uma história..."
O Gabriel, sentou-se comigo no sofá muito aborrecido.
-" Sabes, quando a mãe andava na escola tinha uma disciplina chamada técnicas laboratoriais de Biologia e Química. Eu tinha que fazer os relatórios da experiências que fazia e gostava sempre de fazer tudo bem perfeitinho. Eu tinha um computador muito lento, daqueles antigos e a parte escrita do trabalho fazia-a nele. Muitas, muitas vezes... eu já estava no final do trabalho e de repente.... o computador desligava-se e eu perdia todo o trabalho e tinha que começar tudo de novo... Lembro-me no início de ficar muito chateada. Houve um dia que eu decidi não ficar chateada, pois  percebi que não ia resolver nada, isso não ia fazer o trabalho aparecer de novo e depois reparei que demorava o dobro do tempo a terminar a segunda vez, pois tinha de pensar tudo de novo! Quando eu reclamava perdia energia e esquecia-me das palavras que tinha usado. Quando me concentrava em recomeçar logo, sem reclamar, as palavras vinham todas e acabava mais rápido!
Há coisas que acontecem que nos deixam tristes ou chateados, mas já aconteceram! Não há nada a fazer! Achas que reclamar vai resolver alguma coisa? Achas que o trabalho vai aparecer de novo feito sozinho?
Quando acontecer de novo, quando perderes tudo e tentares ganhares força para recomeçar concentra-te só em lembrar-te o que tinha ficado bem feito e pôr logo em prática, antes que te esqueças!"

Cá em casa, estou a tirar o doutoramento do recomeçar. Eu passo a explicar: arrumo a cozinha e passados nem cinco minutos tenho a cozinha desarrumada e mais loiça para lavar. Volto a arrumar como se fosse a primeira. Vale a pena, reclamar? Se estiver muito cansada, levo-os a passear um pouco, ou tomam um banho de mangueira e depois voltamos e todos participam na arrumação...






Muitas vezes  ao longo da vida, Deus chama-nos a perder algo, muitas vezes essencial para nós  e faz-nos o convite de recomeçar. Recomeçar para descobrirmos algo novo! Recomeçar para melhorar algo. Se ficarmos presos naquilo que perdemos, perderemos a oportunidade de ver os milagres que Deus quer realizar na nossa vida e de algo novo que Ele nos convida a recomeçar...


quinta-feira, 2 de julho de 2015

Uma tocha que queima o Amor Puro do Senhor

Ontem, mesmo antes da nossa oração familiar, a Clarinha choramingava pois doía-lhe uma unha do pé. 
-"Deixa-me ver Clarinha. Onde te dói?" Ela com receio que a magoasse segurou no pé e apontou .
-" É aqui. Dói-me muito mamã, não toques..."- E choramingava de novo.
-" Clarinha, a unha partiu-se um pouquinho e só está presa por um fio. Isso, não é nada! Eu puxo só um pouquinho e esse pedaço sai e não dói nada!"
-" Não mamã, vai doer muito!" E voltava a choramingar.
-"Não queres que eu mexa? Ok. Ela há de cair naturalmente..."
-" Não mamã, se não tirares vai doer muito...!" E voltava a chorar, agarrada ao pé.
-" Clarinha, queres que eu tire ou não? Senta aqui, eu puxo rápido e não vai doer nada, vais ver!" ela voltava  a choramingar e dizia que lhe  doía muito. Chorava porque queria que eu tirasse o pedaço da unha e chorava porque queria que eu não mexesse e insistia: " Vai doer muito, mamã". Mal ela me deu uma oportunidade de me aproximar para ver, nem em 2 segundos resolvi o problema.
-" Já está!"
 Ela parou de chorar e espantada olhou para mim.
- " Então, não doeu nada pois, não?" Ela sorriu acenando-me com a cabeça. Comecei logo a fazer-lhe cócegas na barriga e as duas rimo-nos às gargalhadas e eu pensava em todo aquele espetáculo de choro que ela tinha feito por nada.

Quantas vezes nós agimos assim, quantas vezes temos problemas que Deus vê que estão presos por um fio e Ele próprio nos quer libertar e nós ficamos agarrados a eles, a chorar ora porque queremos ficar sem eles ora porque temos medo que doa ainda mais ficar sem eles...e em vez de abrirmos o coração a Deus  e "entregarmos os pontos", agarramo-nos à nós próprios e achamos que sozinhos é que vamos conseguir alguma coisa...

Quantas vezes estamos agarrados a pequenas coisas e não abrimos mão delas para nos entregar ao Senhor! Até quando teremos a ilusão que temos força alguma para nos libertar dos nossos problemas sozinhos! É uma grande ilusão esta... David só conseguiu derrotar Golias porque ele confiava na força do Senhor. Ele lutou em nome do Senhor e não em nome próprio. Quando é que vamos nos decidir lutar em nome do Senhor? Ou querem continuar a sentir-se derrotados?

Sabem, uma grande parte da minha vida passei-a a sentir-me derrotada... Apesar de buscar de todo o coração o Senhor, eu continuava a sentir-me derrotada... Sabem porquê? Porque sempre que surgia um desafio ou problema eu só usava e contava com as minhas forças humanas. Sempre que nos fechamos em nós próprios, sempre que nos fechamos unicamente na nossa família ou sempre que nos fechamos em alguma situação, a força e o poder de Deus não consegue fluir em nós como poderia.

Descobri, quando comecei a servir mais a Deus, quando comecei a visitar o lar de idosos, a servir na catequese, no grupo de jovens, a dar tempo para levar o Senhor aos outros, que a força que agia em mim não era somente a minha, mas a própria força do Senhor!

Quando uma mãe da família ou um pai de família ou os dois decidem dar a Deus o primeiro lugar, a família não fica a perder antes pelo contrário! A união do casal é maior pois é o próprio Amor de Deus que os uniu no matrimonio que os inflama no amor e além disso, uma casa governada com pessoas agindo pela própria força do Senhor é uma casa alegre, onde os filhos se sentem muito abençoados! E o tempo em família não se mede só pela quantidade mas principalmente pela qualidade e entrega. 

A família que se entrega toda ao Senhor é uma tocha que queima o Amor Puro do Senhor! Não querem experimentar?

Abram os vossos corações e levem o Senhor a outras famílias! As vossas próprias famílias ficarão a ganhar e receberão muito do Senhor... 


Retiro de Famílias de Caná em Proença-a-Nova


Nossa Senhora de Caná - aguarela.jpg

Como a Teresa já anunciou no blog, dia 19 de Julho, domingo, a nossa Paróquia de Proença-a-Nova estará em festa. A Aldeia de Caná de Proença-a-Nova está a dar os primeiros passos e as novas famílias que entretanto estão a fazer a caminhada connosco, estão entusiasmadas com o retiro e com a oportunidade de partilharem este dia com a Família Power! Como é bom unir a nossa pequena Aldeia, à grande Família das Famílias de Caná!
O nosso coração também está aberto a todas as famílias que queiram juntar-se a nós! Mesmo famílias que venham de longe e queiram pernoitar, terão com certeza um acolhimento em casa de famílias de amigos nossos! Arrisquem e venham viver de perto um encontro pessoal com o Senhor em família!
Toda a informação acerca do programa e inscrições estão disponíveis em http://umafamiliacatolica.blogs.sapo.pt/

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Permanece em Mim

Quando estou sozinha em casa com os três, tenho momentos de grande aventura, diversão, trabalho mas também trabalho em equipa e de alguns momentos mais cansativos. Hoje compreendo que esta escola belíssima que é a maternidade é o caminho que eu precisava para me aproximar verdadeiramente da união com Deus.

- " Mamã, sabes como se consegue pilotar este avião? Olha, como tem esta curvatura aqui nas asas, ele consegue subir e voar melhor... Mamã, estás a ver?" O Gabriel falava entusiasmado e sempre a olhar para mim, enquanto a Clarinha puxava-me pelo braço e insistia: 
-" Olha, mamã! Olha, já consigo fazer esta ginástica e este salto! Tens que ver!" Enquanto isso, a Sofia agarrava-se às minhas pernas e choramingava, pois queria colo.
O Gabriel ao olhar para trás gritou:
-" Mamã, nem queiras saber o que a Sofia despejou no tapete?"
Enquanto, tudo isto acontecia eu só pensava: " Será que eu sou capaz de arrumar até ao fim a mesa sem interromper mil e uma vezes?" 

Há um tempo atrás ficava stressada e desanimada quando sentia que não dava conta do recado mas há uns dias atrás aconteceu uma situação semelhante e ao telefone partilhava ao Serge, toda contente:

-" Sabes, esta tarde houve muita festa cá em casa com os três! No meio de tudo aquilo, antes que o desespero tomasse conta de mim, comecei a rir à gargalhada à frente deles. Afinal, eles estavam só a brincar. Até parece que já me esqueci o que é ser criança! Eles ficaram a olhar para mim e começaram a rir também, eu só pensava: " Estas são as minhas prendas para ti, Senhor, permanecer na alegria, não deixar que o meu coração se perturbe, permanecer no teu Amor..."

Enquanto faço limpezas grandes lá em casa com os três, limpando móveis, o frigorífico, tirando o gelo ao congelador, fazendo o que tenho a fazer, o Senhor tem dito ao meu coração: " Tens tarefas a realizar, realiza-as o melhor que sabes. Mas lembra-te: o teu pensamento deve estar sempre em Mim, voltado para Mim, pede-me ajuda, deseja consolar-me com os teus sacrifícios."
 É assim, que se edifica uma grande Aldeia. Realizar as tarefas mais simples que Deus nos traz em cada dia como o trabalho, a lida da casa, ou o cuidar dos filhos, a família mas  sempre com o pensamento no Senhor.

Para escrever este post, tive mil e uma paragens pelo caminho, a Sofia a puxar-me, o Gabriel e a Clarinha a pedirem-me para ir buscar o avião de papel que aterrou do outro lado da estrada, fora do portão, enfim... O importante é que o post está cá e é dedicado a todos vocês. Se valeu os sacrifícios? Não tenho dúvidas!

Abençoados obstáculos, fracassos, dificuldades, trabalho que tenho na minha vida! Oferece-os com Amor ao Senhor e sei que são o combustível para edificar a Aldeia de Caná de Proença-a-Nova! 
É tudo o que tenho para oferecer: a minha vida. 
Se não formos nós os primeiros a oferecer ao Senhor os nossos sacrifícios, será que alguém se ofertará para o fazer no nosso lugar? 







terça-feira, 30 de junho de 2015

O sonho, o fracasso e a resposta

Na escola sempre fui uma boa aluna, com boas notas e sempre me preocupava com os meus colegas. No final do secundário tinha uma média muito boa e podia escolher muitas saídas profissionais. Ao entrar na faculdade, não escolhi a área em que tinha melhores notas  ou a área que tinha melhor saída profissional. Eu tinha gosto por tudo, queria saber um pouco de tudo e tinha um sonho. Lembro-me de escrever num caderno acerca dele: Eu queria unificar todo o conhecimento, queria compreender a linguagem de todas as ciências estudadas e chegar à essência, a tudo aquilo que é verdadeiramente essencial  e transformar o mundo à minha volta... Eu sabia que a Matemática era a linguagem de todas as ciências. estava disposta a dar o meu melhor. Então, entrei no Curso de matemática, ramo científico.

Quando nós temos um sonho, um desejo sincero do nosso coração, o Senhor dá-nos sempre a resposta ao longo da vida, na maior parte das vezes, não da forma que queremos mas sim da forma verdadeira.

Entrei no curso logo na primeira opção. Gostei da linguagem lógica, certinha de aplicar conhecimentos, mas o Senhor já nessa altura queria falar-me ao coração. Lembro-me de estudar muito, até cheguei a fazer gravações de matéria de Álgebra Linear para um colega invisual estudar. Vieram os primeiros exames e os seguintes e eu não conseguia passar. Fiz muito poucas cadeiras do curso, mas as que fiz tirei boas notas. Tudo me mostrava que ali não era  meu lugar e eu insistia em ficar, até fiquei doente e muito em baixo. Foi um tempo doloroso e de grande fracasso para mim.
As marcas do fracasso que senti nessa altura são hoje uma das fontes da minha força em tudo o que faço!

Tudo o que o Senhor permite é para nosso bem. Hoje, riu-me com o meu passado e digo: " Fui mesmo teimosa! Porque não mudei logo de curso?" Hoje também sei a resposta: " Se tivesse mudado de curso, talvez estivesse com uma boa carreira profissional e longe, longe dos caminhos de Deus... Talvez me sentisse cheia de orgulho pelo meu percurso e não precisasse de Deus! Talvez não tivesse sido mãe tão cedo, nem estaria com a família linda que tenho. O fracasso que senti foi a benção que eu precisava para salvar a minha alma!"

Mais ou menos nessa altura conheci o Serge, foi ele que me resgatou. Com o tempo comecei a ter as primeiras respostas ao meu sonho: a linguagem que nos leva a conhecer a essência de todas as coisas não se faz por meio da matemática ou da ciência, só há uma linguagem que nos leva a unificar tudo. Essa linguagem é o Amor, a força mais poderosa de todo o universo. A linguagem do amor entrou na minha vida pela comunhão e partilha com o Serge e com ele, os nossos filhos. Mas esse amor humano ainda era pequeno para unificar tudo. Aos pouquinhos Deus foi-me  chamando a conhecer um Amor ainda maior através da minha família e da maternidade, o Amor capaz de transformar e de romper fronteiras de espaço e tempo e de desafiar as leis da natureza e da matemática. O Amor de Deus, aquele Amor que não tem limites e nos quer unificar a todos num só corpo.  É a este Amor do próprio  Deus que temos que entregar toda a nossa vida acima de todas as coisas e dar-lhe o primeiro lugar...

Ajuda-nos, Senhor a sermos fiéis a este Amor! Sim, o Amor de Deus é a essência de todas as coisas!