sábado, 25 de julho de 2015

Com os olhos a brilhar...

O normal para os meus filhos é verem tratores a passar na estrada, brincarem na terra ou na horta, construírem brinquedos, fazerem caminhadas nos pinheiros. Apesar disso, fico sempre maravilhada  com o entusiasmo e excitação com que brincam, como se realizassem sempre tudo pela primeira vez. A capacidade de verem em tudo coisas novas, quase diria de "nascerem de novo" cada dia e de reinventarem brincadeiras é algo que eu também tenho de pôr em prática nos meus desafios do dia-a-dia que muitas vezes se repetem.






Os olhos do Gabriel e da Clarinha brilharam, quando viram ao longe o comboio e muitos autocarros a passar na estrada movimentada da capital. 

-" Mamã, podemos andar de comboio...por favor!" pediam os dois enquanto olhavam pelo vidro da janela.

Eu que sou lisboeta ( apesar de o meu coração sempre pertencer à Aldeia), vivi até me casar na capital e andei de todos os meios de transporte diariamente, diverti-me imenso a andar de comboio e de autocarro nas ruas movimentadas da cidade com três crianças que não paravam de falar e a observar tudo...


Ri para mim mesma, ao pensar que a mesma reação têm as crianças que nos vêm visitar da cidade, quando observam as cabritas, os tratores ou vão connosco brincar na ribeira...

Ficar com os olhos a brilhar, com o coração cheio de entusiasmo e alegria é tão bom e abre-nos a alma para escutar o que o Senhor nos tem a dizer.

No meu coração ia meditando... 

Quantas crianças são privadas de ficar com os olhos a brilhar e com o coração cheio de entusiasmo com a presença do Senhor? 
 Quantas crianças ainda não descobriram o que é rezar em família? Quantas crianças ainda não tiveram a oportunidade de ficar com os olhos a brilhar simplesmente porque iriam participar num encontro de famílias com outras crianças? 
Se damos oportunidade aos nossos filhos de ter experiências novas que não fazem parte do seu dia-a-dia e que são enriquecedoras porque não lhe damos o presente de estarem com outras crianças a louvar o Senhor?

Venham... Um dia também os vossos filhos chamarão outras crianças e juntos ofereceremos muitos corações ao Senhor!

 

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O nascimento da Sofia e o Senhor

Dos três partos o único que o Serge não esteve presente foi o da Sofia. Sabíamos à partida que era uma situação que poderia acontecer uma vez que ela iria nascer em Dezembro e o Serge tinha muito trabalho nessa altura. Estávamos à distância de duas horas e tal e como era o terceiro parto tudo podia acontecer. Mas isso não foi impedimento de ter vivido uma experiência muito intensa, eu diria até mais, foi o parto em que eu estive mais próxima do Senhor.
Quando fiz as quarenta semanas fui observada no Hospital.
-" Não há dúvidas, a Senhora está a entrar em trabalho de parto. Fica já internada." Esta foi a indicação que o Serge e eu ouvimos. O nosso olhar foi cúmplice. Estava quase a chegar a hora e até calhava bem pois ele estava ali ao pé de mim.

Fui internada. Quem me observava era unânime: bastava provocar o parto e a Sofia nascia, além disso, ela já devia estar bem pesadinha. Eu sempre desejei respeitar o tempo de cada coisa, esperar o tempo de Deus, estar atenta aos sinais, tentar não interferir. Eu perguntava sempre que era observada:
-" Está tudo bem comigo? Está tudo bem com o bebé?"
Se sim, porque tinha eu que decidir qual o dia em que ela iria nascer? Eu preferi esperar.
Estive internada duas vezes ( porque os médicos me diziam que estava em trabalho de parto, mas na verdade ainda não era a hora), cada uma das vezes, 2 ou 3 dias e na terceira vez que estive internada foi quando a Sofia nasceu.

Enquanto estive internada das duas primeiras vezes, havia alturas que já tinha bastantes contrações que alternavam com momentos em que não tinha nada. Os médicos diziam para eu caminhar para acelerar o trabalho de parto. A verdade é que nunca estive parada e o Senhor me proporcionou uma experiência que jamais me vou esquecer. Dessa experiência guardo muitas memórias que mais tarde espero poder contar à Sofia.

Enquanto caminhava pelos corredores do Hospital, conheci muitas histórias, falei com muitas grávidas, conheci muitas vivências dolorosas, com medos, sem fé. Eu estava lá, quando algumas grávidas entraram de emergência no hospital. Lembro-me de ir cumprimentar várias vezes por dia uma grávida que não parava de vomitar sempre que comia e que estava a soro. E as mulheres que tinham sido internadas comigo pela primeira vez já tinham todas tido os bebés, algumas tive a oportunidade de me despedir e visitar. Enquanto falava com uma grávida no corredor e meditava naquilo que acontecia à minha volta, disse comigo mesma: " Eu tenho que descobrir a capela do hospital!" E comecei a perguntar às pessoas se sabiam onde ficava a capela.
- " Capela?! Mas um hospital também tem capela?" E eu com um sorriso, sem responder, lá continuava  a tentar encontrar informações. Finalmente lá encontrei a capela. Abri a porta e senti um silêncio na alma. Estava vazia. A capela estava muito fresca, havia um silêncio profundo que até se ouvia o eco dos pequenos barulhos ao caminhar.  Falei com o Senhor no meu íntimo. Precisava tanto de sentir a Sua presença junto de mim, ter a graça e a benção do Senhor no parto da Sofia. Pedi também por todos os bebés que eu sabia que iriam ser abortados naquele dia, mesmo após de eu ter tentando falar com algumas mães, elas já estavam decididas...Mas supliquei de novo ao Senhor. Na porta, um contato de telemóvel, do capelão.
Não hesitei. Liguei logo para o número do capelão e disse-lhe: " Eu preciso de me confessar antes da minha bebé nascer!" Ele muito simpático e disponível marcou logo uma hora para me confessar.
Além da confissão, pude receber Jesus. Que alegria para mim! Senti-me tão abençoada, tão cheia de graça!"

Passado poucos dias a Sofia nasceu. Em duas contrações fortes ela saiu. Com a ajuda da enfermeira, eu puxei-a cá para fora e cortei-lhe o cordão umbilical. Ela mal saiu da minha barriga, ficou coladinha a mim, só coberta por uma manta, a mamar. Foi uma experiência fantástica do amor de Deus! Eu só me sentia grata por tudo. Fui encaminhada para um quarto com mais três mães e os seus bebés. 
No dia seguinte, na hora da visita, todas as mães tinham os seus acompanhantes e familiares. Nessa altura, eu estava a falar com uns familiares da mãe da cama ao meu lado. De repente, com um grande sorriso, vejo entrar no quarto o sacerdote que me confessou e uma irmã, que também era enfermeira.
-" Parabéns, mamã! Já soube que teve a sua menina! Venho-lhe trazer Jesus!"
Eu abracei-o e agradeci a visita.Como estava contente de poder receber Jesus de novo!

Ele disse-me:
-" Vamos fazer as orações antes de receber Jesus?" Eu acenei com a cabeça.
-" Em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo..."
Senti o olhar espantado e curioso de quem estava na sala, mas estava tão feliz que depressa me esqueci de tudo à minha volta. Naquela sala, durante uns minutos, dei testemunho público de que era católica e que amava o Senhor. Como eu desejo que o meu testemunho seja toda a minha vida...

Ao me despedir do sacerdote, a minha colega de cama disse-me:
-" Tens muita fé, não é?" Eu não me lembro das palavras, nem da minha resposta mas lembro-me de sorrir, pois estava muito feliz.

Mais tarde, ao deitar-me na cama para descansar, lembro-me de que a minha alegria se misturava com a tristeza de saber que muitas das almas que estavam ali não conheciam a graça de receber Jesus nem a benção que é ter um sacerdote...

Na verdade todos os momentos mais importantes da minha vida:  o meu casamento, o batizado dos meus filhos, os retiros espirituais, a caminhada da Aldeia de Caná em Proença são ou foram marcados com a presença e dedicação de um sacerdote. Sem ele como poderemos receber Jesus?

Partimos do pressuposto que ter perto de nós um sacerdote, é um dado adquirido, mas não é verdade! Quando compreenderemos o valor imenso que é a vida de um sacerdote?
É fácil criticarmos, encontrarmos defeitos... mas alguém se lembra  das dificuldades que eles passam na paróquia? Seremos nós capazes de apoiar, elevar, defender os sacerdotes das nossas paróquias? Um sacerdote é o rosto do Senhor na terra...


terça-feira, 21 de julho de 2015

A grande alegria da Aldeia de Caná de Proença-a-Nova

O nosso encontro mensal das Famílias de Caná de Julho era aguardado por todos com muita alegria e expectativa. Na verdade, não iriamos ter um encontro mas sim, um dia inteiro de retiro! Um dia que marcaria definitivamente a nossa Aldeia, onde as famílias puderam beber da fonte das origens das Famílias de Caná. Já há quatro meses que eu falo de como tudo começou e até já lhes tinha mostrado fotos da Família Power. Que alegria foi para todos poderem ouvir os ensinamentos da Teresa e abraçá-la pessoalmente e conhecerem o Niall, sempre de um lado para o outro a trabalhar, sempre com o seu ar bem disposto sempre pronto para brincar com as crianças. Os seus filhos misturaram-se com as crianças do grupo e faziam novos amigos. Sentimo-nos mais próximos, sentimo-nos verdadeiramente  família.


 Os momentos vividos encheram a "bilha" do nosso coração com muito amor, aquele amor que só Deus nos consegue dar...


A nossa caravana era muito numerosa e caminhava ao ritmo dos carrinhos, das conversas e das crianças mais pequenas que nos davam as mãos. Aos poucos todos chegaram à Igreja matriz de Proença-a-Nova e assistimos à missa dominical com a paróquia. Que belo testemunho foi dado simplesmente pela nossa presença! 





O nosso almoço partilhado é sempre vivido em clima de festa



Desta vez, a festa foi a dobrar,  cantámos os parabéns à nossa querida Paula, mãe de três lindas meninas da nossa Aldeia de Caná.




O espetáculo de ilusionismo do Francisco, encheu a sala de gargalhadas e sorrisos. Como sempre, muito belo e inspirador!







Eu estive o dia inteiro dedicada aos mais pequenos. Trabalhando a raiz bíblica das Famílias de Caná, pintámos, desenhámos, conversámos e cada um moldou a sua bilha. A todas as famílias que participaram neste retiro, gostaria que soubessem que os vossos filhos se portaram muito bem, e mais do que isso, pude perceber que a " bilha " dos seus corações estava repleta do Amor de Deus e que todos tinham um grande amor à sua família. Continuem a rezar com eles e a falar de Deus, escutem o que eles têm para vos contar. Obrigada a todos por esta oportunidade. 



Não tenho palavras para vos dizer o que sinto de tudo isto.... Só vos peço: venham também e juntem-se a nós!

sexta-feira, 17 de julho de 2015

A nossa casa

Desde que a nossa família nasceu já tivemos muitas moradas. Vivemos em Cascais durante um tempo, no Brasil, em casa dos meus avós e hoje na casa da Paz, como os mais pequenos lhe chamam.  Sei que tudo o que tenho na minha vida é dádiva de Deus e tem um propósito. Esta casa onde moramos agora é fruto da providência e do Amor de Deus que chegou até nós, pelas mãos amorosas dos nossos pais e avô. A casa e o terreno estavam em ruínas e aos poucos fomos arranjando. Há tanta coisa ainda para acabar, pintar, arranjar. Não sei se ela alguma fez vai estar acabada, pois há sempre coisas que podemos melhorar, alterar e adaptar em função do crescimento das crianças. 
Sim, como era bom, ter já tudo arranjado, sem sinais de obras, mais arrumação e uma horta bem cuidada sem ervas...
Muitos casais quando se casam preocupa-se em ter logo uma casa pronta e vivem e trabalham a pensar nisso acima de tudo. O Senhor bem sabe que temos de ter o necessário para viver, uma casa, bens materiais, um trabalho. Mas nunca nos devemos esquecer que devemos viver e trabalhar nesta vida para construirmos do outro lado a nossa verdadeira casa. Com os nossos gestos de amor verdadeiros construímos tijolo a tijolo a nossa casa no céu e essa casa é para sempre! Tenho descoberto a riqueza de ir construindo aos poucos, na espera e simplicidade os pequenos recantos da nossa casa e confiar que todos estamos aqui de passagem nesta terra. Na verdade, não me sinto apegada à nossa casa. Gosto muito de cá estar com a minha família mas desejo sentir-me em casa em todas as casas onde o Senhor me chamar a servir. Só uma coisa é importante para mim, levar o coração cheio da presença do Senhor onde quer que esteja! 

-" Olha, Clarinha, uma casinha de madeira tão engraçada! O teto abre e fecha e lá dentro tem um espaço vazio... ficava engraçado colocar lá dentro uma imagem pequenina de Jesus, não achas? A nossa casa é qualquer casa onde Jesus esteja lá dentro, não é?"- Ela acenou com a cabeça- " Tu sabes onde é a nossa verdadeira casa?"
- " No céu!"- respondeu ela com um sorriso.
-" Lá em cima fica o céu e cá em baixo a nossa casinha, não é? Espera aí um pouco que vou buscar a máquina para te tirar uma foto! "


- " Espera aí, mamã! também quero que me tires uma foto!"- disse o Gabriel a correr enquanto pegava na casinha.
- " E tu sabes a resposta? Onde fica a nossa casa?"
-" No céeeeuu!"



Hoje antes de rezarmos o terço, o Gabriel disse-me:

- " A nossa vida é como se estivéssemos de férias!"
-" Como assim?"
-" As férias passam rápido, como o nossa vida que pode ir no máximo até aos 100 anos mais ou menos e nas férias dormimos em tendas, que não são as nossas casas verdadeiras. Quando acabam as férias vamos para as nossas casas e dormimos lá sempre, como no céu."

Será que paramos para pensar e nos apercebemos que esta vida é passageira? Nesta vida dormimos em tendas, porque nos preocupamos tanto com coisas que passam? Porque  ocupamos tanto a nossa cabeça em ter mil e um utensílios em casa  e nos esquecemos de dar prioridade á única coisa que é necessária: seguir o Senhor. Porventura levaremos connosco os nossos bens, a nossa casa quando morremos? 
E se o Senhor nos chamar amanhã? Será que temos uma casa pronta pelos nossos gestos de amor lá no céu?

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Fazer a diferença

Tenho consciência que todos os dias me é colocado um desafio no meu coração. Aliás, não é somente um desejo meu, é acima de tudo algo que persiste na minha consciência e não me larga e mesmo que eu finja não escutar ou não ver, é algo que não desiste de me alertar. É como um sinal vermelho que se acende e não apaga até que eu termine o que tenho que fazer. Sim, é verdade, muitas vezes não sou fiel a esse sinal e finjo não o ouvir ou ver. Eu chamo-lhe o meu grande desafio diário. Chamo-lhe grande porque é realmente transformador para mim quando o sigo, mas na verdade a maior parte das vezes é invisível aos olhos dos outros e consigo realizá-lo principalmente nas coisas pequeninas. O meu grande desafio diário é fazer a diferença onde quer que eu esteja, quer eu esteja fechada em casa a limpar ou a cuidar dos meus filhos ou quando passeio na rua ou quando encontro amigos. Em cada tarefa, em cada pessoa que encontro, em cada circunstância que me apareça, acende-se a luzinha vermelha e a pergunta: " Estarei eu a melhorar o espaço onde estou? Estarei eu sempre que encontro alguém ou me cruzo com alguém a elevar essa pessoa, a deixá-la mais feliz e esperançosa?"                                                                                                       

Quando estive no parque com as crianças, por exemplo, uma das meninas que estava connosco disse-me que queria ir à casa de banho. Eu acompanhei-a. Numa das divisões um autoclismo corria água que não parava. As pessoas passavam e não ligavam. "Para quê, ligar? Não fui eu que deixei a água a correr e além disso estamos numa casa de banho pública!" Este parecia ser o pensamento de todos. Um cristão não pode ser indiferente às pequenas coisas. Um cristão tem de lutar contra um coração de pedra, frio, indiferente a tudo o que acontece à sua volta, a um coração medroso, sempre com medo do que os outros vão pensar. Somos chamados a fazer a diferença e a  agir em toda a parte como se estivéssemos em nossa casa e cuidar de tudo e de todos com igual amor.  Sei que não é uma tarefa fácil! Mas mesmo que quisesse fingir que não ouvia era impossível, lá estava a luzinha vermelha a me chamar. Lá fui eu. Carreguei simplesmente de novo no botão do autoclismo e a água parou. Que coisa tão simples! 

Achariam estranho, se o Senhor um dia mais tarde me pedisse contas de toda aquela água que tinha sido desperdiçada se não agisse? Tudo o que acontece à nossa volta somos de certa forma responsáveis.

Quando passeamos na rua, será que a nossa presença ajuda os outros? Será que nos preocupamos em deixar a rua mais limpa do que estava antes de passarmos ou nem ligamos e deitamos para o chão aquele lenço minúsculo porque o caixote do lixo ainda ficava longe? E se virmos uma garrafa no chão passamos ao lado e não a apanhamos só porque não fomos nós? 

Quando passeio na rua gosto de sorrir para as pessoas discretamente. Gosto de arrancar sorrisos de quem passa e acho engraçado a reação e o olhar de quem me observa com três filhos agarrados a mim no passeio ou a falarem e a pedirem coisas ao mesmo tempo. Acho que as pessoas saem mais divertidas da rua quando cruzam connosco e me vêem!

Quando conheço alguém ou me cruzo com alguém pela primeira vez ou mesmo que já a conheça bem, o Senhor me mostra sempre  que todos têm qualidades, sem excepções. Procuro encontrá-las. Mesmo que sejam poucas ou insignificantes elas são o tesouro, através do qual o Amor de Deus pode entrar nas suas vidas. Procuro elevar as pessoas mostrando-lhes tudo aquilo que ainda podem fazer de bom com as suas qualidades.

Na verdade, todos nós temos esta luzinha vermelha dentro de nós que nos chama a agir, que nos desafia diariamente a fazermos a diferença!  Estaremos nós dispostos diariamente a sermos fiéis a ela nos pequenos gestos? Acreditem que é trabalhando as pequenas coisas, os gestos simples do dia-a-dia que mudamos o mundo e experimentamos a verdadeira alegria de ser de Cristo!



quarta-feira, 15 de julho de 2015

O poder da oração

Lembro-me, como se fosse hoje, da sensação de achar que não era atendida nas minhas orações no tempo de faculdade. Lembro-me da sensação de achar que caminhava sozinha. Na verdade eu sentia-me confusa, queria avançar no curso, mas não conseguia. Porque parecia que todos à minha volta estavam a conseguir alcançar os seus objetivos e eu não? Porque parecia que tudo dava errado comigo?

 Hoje o Senhor já me tem dado muitas respostas e com certeza outras ainda virão no futuro. Hoje eu quero confiar verdadeiramente que o Senhor está sempre ao meu lado e cuida de mim e que sempre me conduzirá ao caminho que me levará a ser feliz. Muitas vezes, as Suas respostas não são na altura, nem da forma que eu desejaria. Muitas vezes Ele deixa-me sem uma resposta aparente e observa-me à espera do meu gesto de amor mais puro e confiante... e depois disso Ele vem. Ele sempre vem, sempre. É este o meu ato de maior confiança no Senhor, eu creio que Ele sempre virá, mesmo que por vezes pareça tardar na minha vida.

Eu acredito muito no poder da oração. Não da oração decorada e verbalizada de qualquer forma, mas daquela oração feita com fervor, feita com o coração, feita com a certeza que só o Senhor nos poderá valer e socorrer. Muitas vezes a minha oração também é morna e rotineira principalmente quando estou muito cansada. Sempre que me apercebo disso tento que o meu coração se inflame de amor.
Uma oração é como um balão de ar quente, precisa de uma chama acesa para se poder elevar e chegar ao céu.

Na semana passada estivemos fora de casa. Ao chegar à hora da nossa oração familiar já tínhamos escolhido o nosso cantinho de oração. O local perfeito para louvar e agradecer ao Senhor durante aqueles dias.


Depois de todos agradecerem pelo dia, é a vez da Sofia agradecer. Esta é a sua forma de agradecer. Que feliz deve ficar o Senhor com o beijinho da Sofia!


A Clarinha quando olhou para o nosso cantinho de oração, ficou a olhar para Jesus e depois foi a correr para o jardim. Voltou cheia de florinhas e alguns raminhos de alfazema que colocou para perfumar os pés de Jesus.


Enquanto a observava, fiquei encantada com a delicadeza do seu trabalho.






Num dos dias da semana, depois do almoço, o Gabriel e a Clarinha estavam a brincar no jardim e eu chamei-os:

- "Gabriel, Clarinha, venham cá!"
-" O que foi mamã?" - responderam em simultâneo ao verem fraldas de pano sujas no chão.
-" A Sofia não pára de vomitar. Já vomitou 5 vezes seguidas..."
-" Liga ao papá!"- disse o Gabriel.
-" Espera... primeiro vamos juntos pedir a Jesus que ajude a Sofia a ficar boa.." Fomos os quatro para o cantinho de oração e de joelhos pedi que cada um falasse em voz alta a Jesus pedindo pela saúde da Sofia. Assim foi e cada um voltou para a brincadeira. Pequei na  Sofia e levei-a para o jardim para apanhar ar. Lá, ela teve 2 vómitos insignificantes e depois adormeceu lá fora. Passado uma hora acordou toda contente e bem disposta. Voltámos a agradecer ao Senhor com o coração cheio de alegria...

Ao chegarmos a nossa casa, tinha uma máquina de roupa para fazer. Ao ligar a máquina, ela não estava a funcionar corretamente. Fiquei um bocado aflita, pois como iria fazer com tanta roupa para lavar? Voltei a chamar o Gabriel e a Clarinha.

-" Preciso da vossa ajuda!" - disse-lhes- " Se rezarmos juntos talvez Jesus ajude a mamã."
-" O que se passa, mamã?"- perguntou o Gabriel.
-" A máquina não está a funcionar...preciso muito que ela trabalhe."
Eles aproximaram-se ao pé de mim e só disseram:
-" Jesus, ajuda a mamã!" Agradeci-lhes a oração. Desliguei a máquina e voltei a ligá-la, daí a pouco tempo  ela começou a funcionar lindamente. Olhei para eles e disse-lhes:

-" Nunca se esqueçam, o que Jesus nos tem ajudado! Quando tiverem uma dificuldade peçam a Ele sempre. Para Ele nada é impossível mas temos que rezar e pedir... com fé!"


terça-feira, 14 de julho de 2015

Gestos de amor vividos entre famílias

Sem dúvida que um dos melhores momentos que temos é o tempo que passamos em família! Seja na nossa terra ou de férias noutro local, aqueles momentos simples enchem-nos o coração e a alma. 

Quase que sinto o Senhor a caminhar ao nosso lado à beira mar...


E aquele pôr do sol que nos faz parar e agradecer...


Molhar os pés na água salgada e ouvir as risadas dos mais pequenos a brincar...


Ir a um parque e estender uma manta na relva, levar o almoço...


...e ver os mais pequenos a brincar e a comer gelado



Coisas simples mas se vividas com verdadeira alegria são momentos mágicos e acredito que até de grande testemunho e inspiração para quem nos vê... Não estaremos nós também a falar de Deus aos outros quando temos gestos de amor?

E se esses gestos de amor forem vivido entre famílias?
O Senhor nos tem mostrado que a nossa família é muito maior do que imaginamos. A nossa família também são todas as famílias que querem "fazer tudo aquilo que Jesus disser", são as famílias que buscam a coragem do "sim" mesmo sabendo que falham muito, que querem viver na verdadeira alegria, simplicidade. Sim, já somos muitos, há famílias de Caná um pouco por todo o lado.

Temos aproveitado para viver ao máximo os nossos momentos de família, com famílias e a nossa alegria tem saído multiplicada.

Como é bom sentirmo-nos e estarmos em casa em qualquer parte.

Sábado, foi um dia especial. A Ana e o Miguel, a Carmina e o Edu estiveram connosco. Sem falar das crianças que no total eram nove. Os abraços, os sorrisos, as saudades... muita conversa. E porque  além de sermos amigos, somos Famílias de Caná não podiam faltar as bodas! Sim, fomos muito bem recebidos na casa da Ana e do Miguel onde jantámos. As crianças brincaram, fizeram desenhos e tivemos direito a sobremesa e música! Coisas simples mas quando partilhadas com amor são os tesouros que nos falam do amor de Deus. São as pedras preciosas que guardaremos no nosso coração quando chegarmos a casa, à nossa verdadeira casa, o céu...



E eu fico a pensar...

Será que há algum tipo de problema que nos poderá abalar se nos unirmos entre famílias na alegria e nas dificuldades tendo o coração totalmente consagrado ao Senhor?

Se não nos unirmos, como o Senhor poderá resolver os nossos problemas? Se não nos unirmos, como ouviremos a voz do Senhor, como sentiremos o Seu braço a agarrar o nosso e a nos amparar nos momentos difíceis? Se não nos unirmos será que verdadeiramente estamos a "fazer tudo o que Jesus nos disser"?