Sempre fui fascinada pelas passagens bíblicas e pelo testemunho dos Santos que perante as adversidades, muitas vezes as piores que podemos imaginar custando até a morte física, eram capazes de dar testemunho da alegria e da confiança em Deus.
A narração da prisão de Paulo e Silas, passou muitas vezes na minha cabeça e eu passava imenso tempo a imaginar: "Como seriam aqueles hinos cantados com o corpo cheio de sangue e de chagas abertas?" " Como teriam força para louvar a Deus presos, sem comida e ensanguentados com dores por todo o corpo?". Quase que conseguia imaginar aquelas vozes a ecoar pela prisão, aquelas vozes penetrantes, que só a fé nos pode dar, aquelas vozes que eram o espelho da vida dos seus corações que não estavam presos ao corpo mas a Cristo. Como eu gostava de ter estado lá e escutado aqueles hinos...
"...prenderam Paulo e Silas, e os levaram à praça, à presença dos magistrados.
E, apresentando-os aos magistrados, disseram: Estes homens, sendo judeus, perturbaram a nossa cidade,
E nos expõem costumes que não nos é lícito receber nem praticar, visto que somos romanos.
E a multidão se levantou unida contra eles, e os magistrados, rasgando-lhes as vestes, mandaram açoitá-los com varas.
E, havendo-lhes dado muitos açoites, os lançaram na prisão, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança.
O qual, tendo recebido tal ordem, os lançou no cárcere interior, e lhes segurou os pés no tronco.
E, perto da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam."
Atos 16:19-25
Nesses testemunhos eu sabia que aí estava um grande segredo para eu viver na minha vida: Não perder a alegria. Sim, é difícil! Mas eu não o podia desperdiçar! Sim, não é impossível! É uma caminhada que se vai fazendo...
É necessário estarmos sempre gratos por tudo o que nos acontece, seja agradável ou não. É necessário aceitarmos o que já passou e entregarmos o futuro mais nas mãos de Deus, do que nas nossas próprias forças. Mas eu só comecei a perceber melhor na prática quando comecei a suplicar ajuda a alguns santos. Chamo-os sem cerimonias ou distâncias mas com o coração. Como eles estão disponíveis para nos ajudar! Eles são os nossos irmãos mais velhos e já fizeram o caminho.
Há dias que eu sinto muito a presença do Senhor, expresso o meu amor e falo muito com Ele, acontecem-me coisas muito sincronizadas, consigo realizar mil e uma tarefas e um amor muito grande enche o meu coração capaz de unir todo o mundo. Estava num desses dias quando senti no meu coração a voz do Senhor: "Não é neste dia que demonstras o teu amor por Mim"
Achei um bocado estranho, pois sentia muito a presença do Senhor.
Por outro lado, há dias que parece que tudo corre mal, vocês sabem bem o que isso quer dizer...
Pois bem, estava eu num dia desses, em que até a presença do Senhor parecia mais longínqua e me esforçava por rezar com fervor sem êxito. Senti dentro de mim algo como: " Eu dou-te a alegria se Me amares agora."
Sou desafiada a amar mais o Senhor nos meus momentos difíceis, nas contrariedades, nas fraquezas, quando tudo corre mal. Como o Senhor me enche de alegria simplesmente por aceitá-las.
Se as coisas correm bem, alegro-me, louvo e agradeço a Deus, todas as graças pois é Ele que permite.
Se as coisas correm mal, sei que tal como as boas estas também são passageiras, esforço-me por aproveitar ao máximo e vivê-las sem reclamar e poder oferecer este gesto de amor ao Senhor.
Perdemos muito tempo com medo de coisas que podem correr mal, fixos naquilo que julgamos ser mau na nossa vida. Será que o Senhor está a dormir nos nossos momentos difíceis? Eu não acredito e mais, eu sei que ele sabe o que é o melhor para nós.
Porque colocamos tanto peso nas coisas sejam elas boas ou más e não simplesmente as aceitamos como são? Se simplificássemos não seriamos todos mais alegres?
Já repararam que as coisas boas ou más são passageiras mas a verdadeira alegria de estar com o Senhor não passa?
Somos uma família católica que busca a santidade na simplicidade do dia-a-dia. Queremos levar a alegria e esperança que com Cristo caminhamos mais longe...
terça-feira, 28 de julho de 2015
sábado, 25 de julho de 2015
Com os olhos a brilhar...
O normal para os meus filhos é verem tratores a passar na estrada, brincarem na terra ou na horta, construírem brinquedos, fazerem caminhadas nos pinheiros. Apesar disso, fico sempre maravilhada com o entusiasmo e excitação com que brincam, como se realizassem sempre tudo pela primeira vez. A capacidade de verem em tudo coisas novas, quase diria de "nascerem de novo" cada dia e de reinventarem brincadeiras é algo que eu também tenho de pôr em prática nos meus desafios do dia-a-dia que muitas vezes se repetem.
Os olhos do Gabriel e da Clarinha brilharam, quando viram ao longe o comboio e muitos autocarros a passar na estrada movimentada da capital.
-" Mamã, podemos andar de comboio...por favor!" pediam os dois enquanto olhavam pelo vidro da janela.
Eu que sou lisboeta ( apesar de o meu coração sempre pertencer à Aldeia), vivi até me casar na capital e andei de todos os meios de transporte diariamente, diverti-me imenso a andar de comboio e de autocarro nas ruas movimentadas da cidade com três crianças que não paravam de falar e a observar tudo...
Ri para mim mesma, ao pensar que a mesma reação têm as crianças que nos vêm visitar da cidade, quando observam as cabritas, os tratores ou vão connosco brincar na ribeira...
Ficar com os olhos a brilhar, com o coração cheio de entusiasmo e alegria é tão bom e abre-nos a alma para escutar o que o Senhor nos tem a dizer.
No meu coração ia meditando...
Quantas crianças são privadas de ficar com os olhos a brilhar e com o coração cheio de entusiasmo com a presença do Senhor?
Quantas crianças ainda não descobriram o que é rezar em família? Quantas crianças ainda não tiveram a oportunidade de ficar com os olhos a brilhar simplesmente porque iriam participar num encontro de famílias com outras crianças?
Se damos oportunidade aos nossos filhos de ter experiências novas que não fazem parte do seu dia-a-dia e que são enriquecedoras porque não lhe damos o presente de estarem com outras crianças a louvar o Senhor?
Venham... Um dia também os vossos filhos chamarão outras crianças e juntos ofereceremos muitos corações ao Senhor!
quinta-feira, 23 de julho de 2015
O nascimento da Sofia e o Senhor
Dos três partos o único que o Serge não esteve presente foi o da Sofia. Sabíamos à partida que era uma situação que poderia acontecer uma vez que ela iria nascer em Dezembro e o Serge tinha muito trabalho nessa altura. Estávamos à distância de duas horas e tal e como era o terceiro parto tudo podia acontecer. Mas isso não foi impedimento de ter vivido uma experiência muito intensa, eu diria até mais, foi o parto em que eu estive mais próxima do Senhor.
Quando fiz as quarenta semanas fui observada no Hospital.
-" Não há dúvidas, a Senhora está a entrar em trabalho de parto. Fica já internada." Esta foi a indicação que o Serge e eu ouvimos. O nosso olhar foi cúmplice. Estava quase a chegar a hora e até calhava bem pois ele estava ali ao pé de mim.
Fui internada. Quem me observava era unânime: bastava provocar o parto e a Sofia nascia, além disso, ela já devia estar bem pesadinha. Eu sempre desejei respeitar o tempo de cada coisa, esperar o tempo de Deus, estar atenta aos sinais, tentar não interferir. Eu perguntava sempre que era observada:
-" Está tudo bem comigo? Está tudo bem com o bebé?"
Se sim, porque tinha eu que decidir qual o dia em que ela iria nascer? Eu preferi esperar.
Estive internada duas vezes ( porque os médicos me diziam que estava em trabalho de parto, mas na verdade ainda não era a hora), cada uma das vezes, 2 ou 3 dias e na terceira vez que estive internada foi quando a Sofia nasceu.
Enquanto estive internada das duas primeiras vezes, havia alturas que já tinha bastantes contrações que alternavam com momentos em que não tinha nada. Os médicos diziam para eu caminhar para acelerar o trabalho de parto. A verdade é que nunca estive parada e o Senhor me proporcionou uma experiência que jamais me vou esquecer. Dessa experiência guardo muitas memórias que mais tarde espero poder contar à Sofia.
Enquanto caminhava pelos corredores do Hospital, conheci muitas histórias, falei com muitas grávidas, conheci muitas vivências dolorosas, com medos, sem fé. Eu estava lá, quando algumas grávidas entraram de emergência no hospital. Lembro-me de ir cumprimentar várias vezes por dia uma grávida que não parava de vomitar sempre que comia e que estava a soro. E as mulheres que tinham sido internadas comigo pela primeira vez já tinham todas tido os bebés, algumas tive a oportunidade de me despedir e visitar. Enquanto falava com uma grávida no corredor e meditava naquilo que acontecia à minha volta, disse comigo mesma: " Eu tenho que descobrir a capela do hospital!" E comecei a perguntar às pessoas se sabiam onde ficava a capela.
- " Capela?! Mas um hospital também tem capela?" E eu com um sorriso, sem responder, lá continuava a tentar encontrar informações. Finalmente lá encontrei a capela. Abri a porta e senti um silêncio na alma. Estava vazia. A capela estava muito fresca, havia um silêncio profundo que até se ouvia o eco dos pequenos barulhos ao caminhar. Falei com o Senhor no meu íntimo. Precisava tanto de sentir a Sua presença junto de mim, ter a graça e a benção do Senhor no parto da Sofia. Pedi também por todos os bebés que eu sabia que iriam ser abortados naquele dia, mesmo após de eu ter tentando falar com algumas mães, elas já estavam decididas...Mas supliquei de novo ao Senhor. Na porta, um contato de telemóvel, do capelão.
Não hesitei. Liguei logo para o número do capelão e disse-lhe: " Eu preciso de me confessar antes da minha bebé nascer!" Ele muito simpático e disponível marcou logo uma hora para me confessar.
Além da confissão, pude receber Jesus. Que alegria para mim! Senti-me tão abençoada, tão cheia de graça!"
Passado poucos dias a Sofia nasceu. Em duas contrações fortes ela saiu. Com a ajuda da enfermeira, eu puxei-a cá para fora e cortei-lhe o cordão umbilical. Ela mal saiu da minha barriga, ficou coladinha a mim, só coberta por uma manta, a mamar. Foi uma experiência fantástica do amor de Deus! Eu só me sentia grata por tudo. Fui encaminhada para um quarto com mais três mães e os seus bebés.
No dia seguinte, na hora da visita, todas as mães tinham os seus acompanhantes e familiares. Nessa altura, eu estava a falar com uns familiares da mãe da cama ao meu lado. De repente, com um grande sorriso, vejo entrar no quarto o sacerdote que me confessou e uma irmã, que também era enfermeira.
-" Parabéns, mamã! Já soube que teve a sua menina! Venho-lhe trazer Jesus!"
Eu abracei-o e agradeci a visita.Como estava contente de poder receber Jesus de novo!
Ele disse-me:
-" Vamos fazer as orações antes de receber Jesus?" Eu acenei com a cabeça.
-" Em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo..."
Senti o olhar espantado e curioso de quem estava na sala, mas estava tão feliz que depressa me esqueci de tudo à minha volta. Naquela sala, durante uns minutos, dei testemunho público de que era católica e que amava o Senhor. Como eu desejo que o meu testemunho seja toda a minha vida...
Ao me despedir do sacerdote, a minha colega de cama disse-me:
-" Tens muita fé, não é?" Eu não me lembro das palavras, nem da minha resposta mas lembro-me de sorrir, pois estava muito feliz.
Mais tarde, ao deitar-me na cama para descansar, lembro-me de que a minha alegria se misturava com a tristeza de saber que muitas das almas que estavam ali não conheciam a graça de receber Jesus nem a benção que é ter um sacerdote...
Na verdade todos os momentos mais importantes da minha vida: o meu casamento, o batizado dos meus filhos, os retiros espirituais, a caminhada da Aldeia de Caná em Proença são ou foram marcados com a presença e dedicação de um sacerdote. Sem ele como poderemos receber Jesus?
Partimos do pressuposto que ter perto de nós um sacerdote, é um dado adquirido, mas não é verdade! Quando compreenderemos o valor imenso que é a vida de um sacerdote?
É fácil criticarmos, encontrarmos defeitos... mas alguém se lembra das dificuldades que eles passam na paróquia? Seremos nós capazes de apoiar, elevar, defender os sacerdotes das nossas paróquias? Um sacerdote é o rosto do Senhor na terra...
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terça-feira, 21 de julho de 2015
A grande alegria da Aldeia de Caná de Proença-a-Nova
O nosso encontro mensal das Famílias de Caná de Julho era aguardado por todos com muita alegria e expectativa. Na verdade, não iriamos ter um encontro mas sim, um dia inteiro de retiro! Um dia que marcaria definitivamente a nossa Aldeia, onde as famílias puderam beber da fonte das origens das Famílias de Caná. Já há quatro meses que eu falo de como tudo começou e até já lhes tinha mostrado fotos da Família Power. Que alegria foi para todos poderem ouvir os ensinamentos da Teresa e abraçá-la pessoalmente e conhecerem o Niall, sempre de um lado para o outro a trabalhar, sempre com o seu ar bem disposto sempre pronto para brincar com as crianças. Os seus filhos misturaram-se com as crianças do grupo e faziam novos amigos. Sentimo-nos mais próximos, sentimo-nos verdadeiramente família.
Os momentos vividos encheram a "bilha" do nosso coração com muito amor, aquele amor que só Deus nos consegue dar...
A nossa caravana era muito numerosa e caminhava ao ritmo dos carrinhos, das conversas e das crianças mais pequenas que nos davam as mãos. Aos poucos todos chegaram à Igreja matriz de Proença-a-Nova e assistimos à missa dominical com a paróquia. Que belo testemunho foi dado simplesmente pela nossa presença!
O nosso almoço partilhado é sempre vivido em clima de festa
Desta vez, a festa foi a dobrar, cantámos os parabéns à nossa querida Paula, mãe de três lindas meninas da nossa Aldeia de Caná.
O espetáculo de ilusionismo do Francisco, encheu a sala de gargalhadas e sorrisos. Como sempre, muito belo e inspirador!
Eu estive o dia inteiro dedicada aos mais pequenos. Trabalhando a raiz bíblica das Famílias de Caná, pintámos, desenhámos, conversámos e cada um moldou a sua bilha. A todas as famílias que participaram neste retiro, gostaria que soubessem que os vossos filhos se portaram muito bem, e mais do que isso, pude perceber que a " bilha " dos seus corações estava repleta do Amor de Deus e que todos tinham um grande amor à sua família. Continuem a rezar com eles e a falar de Deus, escutem o que eles têm para vos contar. Obrigada a todos por esta oportunidade.
Não tenho palavras para vos dizer o que sinto de tudo isto.... Só vos peço: venham também e juntem-se a nós!
sexta-feira, 17 de julho de 2015
A nossa casa
Desde que a nossa família nasceu já tivemos muitas moradas. Vivemos em Cascais durante um tempo, no Brasil, em casa dos meus avós e hoje na casa da Paz, como os mais pequenos lhe chamam. Sei que tudo o que tenho na minha vida é dádiva de Deus e tem um propósito. Esta casa onde moramos agora é fruto da providência e do Amor de Deus que chegou até nós, pelas mãos amorosas dos nossos pais e avô. A casa e o terreno estavam em ruínas e aos poucos fomos arranjando. Há tanta coisa ainda para acabar, pintar, arranjar. Não sei se ela alguma fez vai estar acabada, pois há sempre coisas que podemos melhorar, alterar e adaptar em função do crescimento das crianças.
Sim, como era bom, ter já tudo arranjado, sem sinais de obras, mais arrumação e uma horta bem cuidada sem ervas...
Muitos casais quando se casam preocupa-se em ter logo uma casa pronta e vivem e trabalham a pensar nisso acima de tudo. O Senhor bem sabe que temos de ter o necessário para viver, uma casa, bens materiais, um trabalho. Mas nunca nos devemos esquecer que devemos viver e trabalhar nesta vida para construirmos do outro lado a nossa verdadeira casa. Com os nossos gestos de amor verdadeiros construímos tijolo a tijolo a nossa casa no céu e essa casa é para sempre! Tenho descoberto a riqueza de ir construindo aos poucos, na espera e simplicidade os pequenos recantos da nossa casa e confiar que todos estamos aqui de passagem nesta terra. Na verdade, não me sinto apegada à nossa casa. Gosto muito de cá estar com a minha família mas desejo sentir-me em casa em todas as casas onde o Senhor me chamar a servir. Só uma coisa é importante para mim, levar o coração cheio da presença do Senhor onde quer que esteja!
-" Olha, Clarinha, uma casinha de madeira tão engraçada! O teto abre e fecha e lá dentro tem um espaço vazio... ficava engraçado colocar lá dentro uma imagem pequenina de Jesus, não achas? A nossa casa é qualquer casa onde Jesus esteja lá dentro, não é?"- Ela acenou com a cabeça- " Tu sabes onde é a nossa verdadeira casa?"
- " No céu!"- respondeu ela com um sorriso.
-" Lá em cima fica o céu e cá em baixo a nossa casinha, não é? Espera aí um pouco que vou buscar a máquina para te tirar uma foto! "
- " Espera aí, mamã! também quero que me tires uma foto!"- disse o Gabriel a correr enquanto pegava na casinha.
- " E tu sabes a resposta? Onde fica a nossa casa?"
-" No céeeeuu!"
Hoje antes de rezarmos o terço, o Gabriel disse-me:
- " A nossa vida é como se estivéssemos de férias!"
-" Como assim?"
-" As férias passam rápido, como o nossa vida que pode ir no máximo até aos 100 anos mais ou menos e nas férias dormimos em tendas, que não são as nossas casas verdadeiras. Quando acabam as férias vamos para as nossas casas e dormimos lá sempre, como no céu."
Será que paramos para pensar e nos apercebemos que esta vida é passageira? Nesta vida dormimos em tendas, porque nos preocupamos tanto com coisas que passam? Porque ocupamos tanto a nossa cabeça em ter mil e um utensílios em casa e nos esquecemos de dar prioridade á única coisa que é necessária: seguir o Senhor. Porventura levaremos connosco os nossos bens, a nossa casa quando morremos?
E se o Senhor nos chamar amanhã? Será que temos uma casa pronta pelos nossos gestos de amor lá no céu?
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quinta-feira, 16 de julho de 2015
Fazer a diferença
Tenho consciência que todos os dias me é colocado um desafio no meu coração. Aliás, não é somente um desejo meu, é acima de tudo algo que persiste na minha consciência e não me larga e mesmo que eu finja não escutar ou não ver, é algo que não desiste de me alertar. É como um sinal vermelho que se acende e não apaga até que eu termine o que tenho que fazer. Sim, é verdade, muitas vezes não sou fiel a esse sinal e finjo não o ouvir ou ver. Eu chamo-lhe o meu grande desafio diário. Chamo-lhe grande porque é realmente transformador para mim quando o sigo, mas na verdade a maior parte das vezes é invisível aos olhos dos outros e consigo realizá-lo principalmente nas coisas pequeninas. O meu grande desafio diário é fazer a diferença onde quer que eu esteja, quer eu esteja fechada em casa a limpar ou a cuidar dos meus filhos ou quando passeio na rua ou quando encontro amigos. Em cada tarefa, em cada pessoa que encontro, em cada circunstância que me apareça, acende-se a luzinha vermelha e a pergunta: " Estarei eu a melhorar o espaço onde estou? Estarei eu sempre que encontro alguém ou me cruzo com alguém a elevar essa pessoa, a deixá-la mais feliz e esperançosa?"
Quando estive no parque com as crianças, por exemplo, uma das meninas que estava connosco disse-me que queria ir à casa de banho. Eu acompanhei-a. Numa das divisões um autoclismo corria água que não parava. As pessoas passavam e não ligavam. "Para quê, ligar? Não fui eu que deixei a água a correr e além disso estamos numa casa de banho pública!" Este parecia ser o pensamento de todos. Um cristão não pode ser indiferente às pequenas coisas. Um cristão tem de lutar contra um coração de pedra, frio, indiferente a tudo o que acontece à sua volta, a um coração medroso, sempre com medo do que os outros vão pensar. Somos chamados a fazer a diferença e a agir em toda a parte como se estivéssemos em nossa casa e cuidar de tudo e de todos com igual amor. Sei que não é uma tarefa fácil! Mas mesmo que quisesse fingir que não ouvia era impossível, lá estava a luzinha vermelha a me chamar. Lá fui eu. Carreguei simplesmente de novo no botão do autoclismo e a água parou. Que coisa tão simples!
Achariam estranho, se o Senhor um dia mais tarde me pedisse contas de toda aquela água que tinha sido desperdiçada se não agisse? Tudo o que acontece à nossa volta somos de certa forma responsáveis.
Quando passeamos na rua, será que a nossa presença ajuda os outros? Será que nos preocupamos em deixar a rua mais limpa do que estava antes de passarmos ou nem ligamos e deitamos para o chão aquele lenço minúsculo porque o caixote do lixo ainda ficava longe? E se virmos uma garrafa no chão passamos ao lado e não a apanhamos só porque não fomos nós?
Quando passeio na rua gosto de sorrir para as pessoas discretamente. Gosto de arrancar sorrisos de quem passa e acho engraçado a reação e o olhar de quem me observa com três filhos agarrados a mim no passeio ou a falarem e a pedirem coisas ao mesmo tempo. Acho que as pessoas saem mais divertidas da rua quando cruzam connosco e me vêem!
Quando conheço alguém ou me cruzo com alguém pela primeira vez ou mesmo que já a conheça bem, o Senhor me mostra sempre que todos têm qualidades, sem excepções. Procuro encontrá-las. Mesmo que sejam poucas ou insignificantes elas são o tesouro, através do qual o Amor de Deus pode entrar nas suas vidas. Procuro elevar as pessoas mostrando-lhes tudo aquilo que ainda podem fazer de bom com as suas qualidades.
Na verdade, todos nós temos esta luzinha vermelha dentro de nós que nos chama a agir, que nos desafia diariamente a fazermos a diferença! Estaremos nós dispostos diariamente a sermos fiéis a ela nos pequenos gestos? Acreditem que é trabalhando as pequenas coisas, os gestos simples do dia-a-dia que mudamos o mundo e experimentamos a verdadeira alegria de ser de Cristo!
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quarta-feira, 15 de julho de 2015
O poder da oração
Lembro-me, como se fosse hoje, da sensação de achar que não era atendida nas minhas orações no tempo de faculdade. Lembro-me da sensação de achar que caminhava sozinha. Na verdade eu sentia-me confusa, queria avançar no curso, mas não conseguia. Porque parecia que todos à minha volta estavam a conseguir alcançar os seus objetivos e eu não? Porque parecia que tudo dava errado comigo?
Hoje o Senhor já me tem dado muitas respostas e com certeza outras ainda virão no futuro. Hoje eu quero confiar verdadeiramente que o Senhor está sempre ao meu lado e cuida de mim e que sempre me conduzirá ao caminho que me levará a ser feliz. Muitas vezes, as Suas respostas não são na altura, nem da forma que eu desejaria. Muitas vezes Ele deixa-me sem uma resposta aparente e observa-me à espera do meu gesto de amor mais puro e confiante... e depois disso Ele vem. Ele sempre vem, sempre. É este o meu ato de maior confiança no Senhor, eu creio que Ele sempre virá, mesmo que por vezes pareça tardar na minha vida.
Eu acredito muito no poder da oração. Não da oração decorada e verbalizada de qualquer forma, mas daquela oração feita com fervor, feita com o coração, feita com a certeza que só o Senhor nos poderá valer e socorrer. Muitas vezes a minha oração também é morna e rotineira principalmente quando estou muito cansada. Sempre que me apercebo disso tento que o meu coração se inflame de amor.
Uma oração é como um balão de ar quente, precisa de uma chama acesa para se poder elevar e chegar ao céu.
Na semana passada estivemos fora de casa. Ao chegar à hora da nossa oração familiar já tínhamos escolhido o nosso cantinho de oração. O local perfeito para louvar e agradecer ao Senhor durante aqueles dias.
Enquanto a observava, fiquei encantada com a delicadeza do seu trabalho.
Num dos dias da semana, depois do almoço, o Gabriel e a Clarinha estavam a brincar no jardim e eu chamei-os:
- "Gabriel, Clarinha, venham cá!"
-" O que foi mamã?" - responderam em simultâneo ao verem fraldas de pano sujas no chão.
-" A Sofia não pára de vomitar. Já vomitou 5 vezes seguidas..."
-" Liga ao papá!"- disse o Gabriel.
-" Espera... primeiro vamos juntos pedir a Jesus que ajude a Sofia a ficar boa.." Fomos os quatro para o cantinho de oração e de joelhos pedi que cada um falasse em voz alta a Jesus pedindo pela saúde da Sofia. Assim foi e cada um voltou para a brincadeira. Pequei na Sofia e levei-a para o jardim para apanhar ar. Lá, ela teve 2 vómitos insignificantes e depois adormeceu lá fora. Passado uma hora acordou toda contente e bem disposta. Voltámos a agradecer ao Senhor com o coração cheio de alegria...
Ao chegarmos a nossa casa, tinha uma máquina de roupa para fazer. Ao ligar a máquina, ela não estava a funcionar corretamente. Fiquei um bocado aflita, pois como iria fazer com tanta roupa para lavar? Voltei a chamar o Gabriel e a Clarinha.
-" Preciso da vossa ajuda!" - disse-lhes- " Se rezarmos juntos talvez Jesus ajude a mamã."
-" O que se passa, mamã?"- perguntou o Gabriel.
-" A máquina não está a funcionar...preciso muito que ela trabalhe."
Eles aproximaram-se ao pé de mim e só disseram:
-" Jesus, ajuda a mamã!" Agradeci-lhes a oração. Desliguei a máquina e voltei a ligá-la, daí a pouco tempo ela começou a funcionar lindamente. Olhei para eles e disse-lhes:
-" Nunca se esqueçam, o que Jesus nos tem ajudado! Quando tiverem uma dificuldade peçam a Ele sempre. Para Ele nada é impossível mas temos que rezar e pedir... com fé!"
Hoje o Senhor já me tem dado muitas respostas e com certeza outras ainda virão no futuro. Hoje eu quero confiar verdadeiramente que o Senhor está sempre ao meu lado e cuida de mim e que sempre me conduzirá ao caminho que me levará a ser feliz. Muitas vezes, as Suas respostas não são na altura, nem da forma que eu desejaria. Muitas vezes Ele deixa-me sem uma resposta aparente e observa-me à espera do meu gesto de amor mais puro e confiante... e depois disso Ele vem. Ele sempre vem, sempre. É este o meu ato de maior confiança no Senhor, eu creio que Ele sempre virá, mesmo que por vezes pareça tardar na minha vida.
Eu acredito muito no poder da oração. Não da oração decorada e verbalizada de qualquer forma, mas daquela oração feita com fervor, feita com o coração, feita com a certeza que só o Senhor nos poderá valer e socorrer. Muitas vezes a minha oração também é morna e rotineira principalmente quando estou muito cansada. Sempre que me apercebo disso tento que o meu coração se inflame de amor.
Uma oração é como um balão de ar quente, precisa de uma chama acesa para se poder elevar e chegar ao céu.
Na semana passada estivemos fora de casa. Ao chegar à hora da nossa oração familiar já tínhamos escolhido o nosso cantinho de oração. O local perfeito para louvar e agradecer ao Senhor durante aqueles dias.
Depois de todos agradecerem pelo dia, é a vez da Sofia agradecer. Esta é a sua forma de agradecer. Que feliz deve ficar o Senhor com o beijinho da Sofia!
A Clarinha quando olhou para o nosso cantinho de oração, ficou a olhar para Jesus e depois foi a correr para o jardim. Voltou cheia de florinhas e alguns raminhos de alfazema que colocou para perfumar os pés de Jesus.
Enquanto a observava, fiquei encantada com a delicadeza do seu trabalho.
Num dos dias da semana, depois do almoço, o Gabriel e a Clarinha estavam a brincar no jardim e eu chamei-os:
- "Gabriel, Clarinha, venham cá!"
-" O que foi mamã?" - responderam em simultâneo ao verem fraldas de pano sujas no chão.
-" A Sofia não pára de vomitar. Já vomitou 5 vezes seguidas..."
-" Liga ao papá!"- disse o Gabriel.
-" Espera... primeiro vamos juntos pedir a Jesus que ajude a Sofia a ficar boa.." Fomos os quatro para o cantinho de oração e de joelhos pedi que cada um falasse em voz alta a Jesus pedindo pela saúde da Sofia. Assim foi e cada um voltou para a brincadeira. Pequei na Sofia e levei-a para o jardim para apanhar ar. Lá, ela teve 2 vómitos insignificantes e depois adormeceu lá fora. Passado uma hora acordou toda contente e bem disposta. Voltámos a agradecer ao Senhor com o coração cheio de alegria...
Ao chegarmos a nossa casa, tinha uma máquina de roupa para fazer. Ao ligar a máquina, ela não estava a funcionar corretamente. Fiquei um bocado aflita, pois como iria fazer com tanta roupa para lavar? Voltei a chamar o Gabriel e a Clarinha.
-" Preciso da vossa ajuda!" - disse-lhes- " Se rezarmos juntos talvez Jesus ajude a mamã."
-" O que se passa, mamã?"- perguntou o Gabriel.
-" A máquina não está a funcionar...preciso muito que ela trabalhe."
Eles aproximaram-se ao pé de mim e só disseram:
-" Jesus, ajuda a mamã!" Agradeci-lhes a oração. Desliguei a máquina e voltei a ligá-la, daí a pouco tempo ela começou a funcionar lindamente. Olhei para eles e disse-lhes:
-" Nunca se esqueçam, o que Jesus nos tem ajudado! Quando tiverem uma dificuldade peçam a Ele sempre. Para Ele nada é impossível mas temos que rezar e pedir... com fé!"
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