sexta-feira, 6 de novembro de 2015

"Fazer tudo o que Jesus nos disser..."

Este fim-de-semana passado estive em minha casa na aldeia a pedir os bolinhos com os mais pequenos. Ao lado da minha casa vivem os meus pais e sempre que voltamos os mais pequenos gostam de matar saudades das coisinhas deles, dos animais, da horta, de brincarem na terra, de estarem com o meu avô ( que está quase a fazer 95 anos). Num desses dias, estava eu sozinha em casa, a ouvir uma boa música enquanto tentava arrumar até ao fim uma série de coisas que com os pequenos é difícil. Estava a sentir-me lindamente, "que cenário perfeito!", pensava eu, " é agora que eu acabo tudo e com calma!" Mas não. Ouvi alguém que bateu à porta. Era a minha mãe.

-" Agora era boa altura para cortares o cabelo ao avô e ao Tio Assis. Amanhã é tudo a correr."
Eu ainda balbuciei. - " Mas,..." Mas calei-me. Não me estava a apetecer nada sair daquele cenário perfeito. Eu estava sozinha aqueles instantes e podia adiantar muito serviço. Mas o senhor me falou ao coração do doce sabor de estar sempre disponível para dizer sim, do doce sabor de ser contrariada e sorrir. Respondi:
- " Vou sair agora"
Cortei o cabelo com muito cuidado, sem correrias. Fiz um esforço enorme por me esquecer da quantidade de coisas que poderia ter feito naquela altura. A cada corte com a tesoura, lembrava-me do Senhor, cuidadosamente aparava o cabelo como se o tivesse a fazer ao Senhor. Enquanto isso meditava:

Será que estamos verdadeiramente disponíveis para dizer sim quando o Senhor nos bate à porta e nos pede coisas? Ou só abrimos quando estamos mal? Quando estamos confortáveis conseguiremos ouvir a Sua voz e segui-la? Ou preferimos escutar só o que nos apetece naquele momento?
No meio das minhas fraquezas, eu desejo "fazer tudo o que Jesus me disser", peço ao Senhor que aumente em mim o amor e alegria de o seguir mesmo que contrariada pelos meus desejos ou projetos. Quero segui-Lo pois eu sei que só ele sabe o que verdadeiramente me fará feliz...
 

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O nosso dia especial de Todos os Santos

Há um dia do ano muito aguardado pelos mais pequenos lá de casa: o dia de Todos os Santos. Durante o ano inteiro se ouvem conversas do que se passou no último Dia de todos os Santos. Pelo menos, é o que tem acontecido desde que estamos na casa da Paz,  há 6 anos. Este é um dia também nosso, também nós nos sentimos próximos  deste grupo de irmãos mais velhos, somos família de todos os santos e caminhamos para lá.  Durante o ano inteiro, recorremos a eles com confiança nas nossas dificuldades, suplicamos a sua intercessão diante do Senhor. 

O dia é sempre vivido na Aldeia com muita alegria e entusiasmo, é um dia para darmos abraços, sorrisos, para agradecermos, para visitarmos quem está só e ouvirmos os desabafos de quem já tem idade e só espera o dia de ser chamado pelo Senhor. É um dia inteiramente missionário, ir à casa dos outros, levar alegria.  
"Só espero que para o ano ainda cá esteja para vos dar os bolinhos." " É para mim uma alegria, ver os sorrisos destas crianças",  eram os desabafos de alguns que abriam a porta. 

Este ano os mais pequenos não se cansavam de me lembrar: " Mamã, falta muito para o Dia de todos os Santos?" " Não te esqueças, que temos de estar na casa da Paz no dia dos Bolinhos!"
Os mais pequenos não quiseram faltar. De manhã cedo, estivemos em Cardigos, o Gabriel e a Clarinha, avistaram logo alguns colegas da escola. Em grupo, andámos umas 2 horas sem parar de casa em casa. As crianças levavam uma sacola na mão, batiam na porta de cada casa e cantavam em coro: "Bolinhos, bolinhos em honra e louvor de todos os santinhos!". Do outro lado da porta surgia sempre alguém sorridente com uma mão cheia de rebuçados, bolinhos e uma moeda para oferecer. Com as mãos estendidas e os sacos abertos agradeciam e saiam apressadamente para outra casa. Alguém lembrava: " Não podemos nos atrasar, aproxima-se a hora da missa!"

 

Em pouco tempo chegou a hora da missa. Segredei ao ouvido do Gabriel e da Clarinha: " A bisavó deve estar hoje no altar". Sorri. Sim, não só os santos reconhecidos pela Igreja estavam junto de nós mas também muitos familiares nossos que deram testemunho de Cristo estavam diante de nós no altar naquele instante.

Da parte da tarde, andei eu com os três a pedir os bolinhos pela nossa Aldeia. Gostei muito de conversar com quem nos abria a porta, sempre que cantávamos: " Bolinhos, bolinhos em honra e louvor de todos os santinhos!" Andavam todos tão contentes...









Ainda houve magusto ao fim do dia e ao olharmos para o céu cinzento, ainda apanhámos umas gotinhas de água benta que caia do céu...

Ao serão, ouvimos histórias. Tinha-os desafiado a escolherem um Santo, a mascarem-se e a ouvirmos a história sobre o Santo escolhido.

A Clarinha não hesitou:
- " Eu sou a Santa Filomena. Contas a história dela?" A Santa Filomena está muito presente na nossa casa. Já recorri muitas vezes a ela e sinto a sua protecção. A Clarinha já algum tempo usa o cordão de Santa Filomena e não o larga. Já lhe contei vezes sem conta a sua história e ela nunca se cansa de ouvir.

O Gabriel tinha um fato de cavaleiro do carnaval e disse:
- " Posso ser aquele santo...."
-" São Nuno Álvares Pereira ou São Nuno de Santa Maria?"
-" Sim!"

-"A Sofia é Santa Bárbara."- disse-lhes.
-" Venham ver no computador quem é. Sabem, não se ouve falar muito de Santa Bárbara, vamos conhecer um pouco dela. Sabem, um dia, eu pedi-lhe ajuda. Já não me lembro muito bem em que altura do ano estavámos mas eu estava muito triste e disse-lhe mais ou menos assim: " Santa Bárbara,  não me deixes ficar sem o sacramento da reconciliação nesta altura tão importante. Ajuda-me. Os sacerdotes aqui são poucos ajuda-me a conseguir confessar-me. Passado pouco tempo cruzei-me com um sacerdote. Fiquei muito feliz."
  
Estávamos muito cansados da longa maratona que tínhamos feito, mas felizes. Eles adormeceram em segundos a ouvir-me rezar o terço...

sábado, 31 de outubro de 2015

A santa Missa e a confissão

Quarta-feira passada pelas 19h estávamos a entrar no carro para juntos irmos à missa.Quinta-feira tínhamos famílias em nossa casa, ainda tinha que orientar o almoço para o dia seguinte. A cozinha ainda não estava arrumada, confesso que também é tarde para regularmente ir à missa com crianças. Na verdade, apetecia-me era ir descansar e ir direitinho para a cama. Mas, não... Esqueci-me de mim por um bocado e vesti os pequenos. O Serge ainda me disse: " Ainda tens tanta coisa para fazer..." e fez-me aquele olhar. Mas, não... esqueci de tudo por um momento e troquei de roupa também. Eu sabia que só havia uma maneira de eu ganhar o dia e de ganhar a alegria que precisava para caminhar naquele momento: a Santa missa e a confissão.
Durante a curta viagem de carro, fizemos a nossa oração como o costume e pedi: Senhor, ajuda-nos a estarmos atentos na missa e a receber todas as graças que queres derramar sobre nós. 
A Sofia estava tranquila no colo e o Gabriel esteve atento ( segredei-lhe ao ouvido ao entrar: " Está atento às leituras, no fim vamos fazer perguntas."). Tive a sensação que a missa terminou muito rápido, queria estar mais tempo ali, mas logo me lembrei do cenário lá em casa. Apressei-me a falar com o prior da nossa paróquia, que tinha celebrado a missa. Tive oportunidade de me apresentar como nossa catequista na nossa comunidade ( este ano vou dar o 1º/2º ano) e lhe falar da catequese familiar, dos Mistérios da Fé e das famílias de Caná. Que conversa boa!
- " Mas aqui está a faltar um!"
-" Sim, é a menina do meio, a Clarinha. Ela foi passar o dia e esta noite na casa de uma amiga das famílias com quem caminhamos juntos"- Sorri.
Passados uns segundos, numa cadeirinha junto do Santíssimo, confessei-me e pedi perdão a Deus das minhas fraquezas.
Pode parecer que tudo demorou uma eternidade, mas na verdade foi tudo bem rápido e o meu coração estava cheio. Voltei para casa cheia de alegria e muito leve. O Serge disse-me: " Não te preocupes, amanhã ajudo-te a limpar isto tudo, vem já descansar." Eu sorri-lhe e disse: "Estou ótima! vou ficar mais um pouquinho e depois vou ter contigo." Não sei como aquilo aconteceu em tão pouco tempo, mas não só deixei a cozinha arrumadinha, como também cozinhei o almoço e fiz uma tarte de maçã. Deitei-me e ainda não era tão tarde e dormi muito feliz. " Ganhei o dia, mais uma vez!", pensei em voz alta...


terça-feira, 27 de outubro de 2015

As portas estão sempre abertas para ti na catequese

Quando era catequista do 7º ano na paróquia de Proença-a-nova, tinha a ficha de inscrição de um catequizando que nunca tinha vindo à catequese. Depois de duas ou três faltas seguidas perguntei aos colegas se sabiam quem ele era.

- " Sim, catequista. Ele é da nossa escola e está a repetir o ano. O ano passado nunca veio à catequese." Senti-me triste. Eu era a sua catequista e nem uma vez tive oportunidade de lhe falar de Deus. Algumas vezes já tinha entrado na escola e resolvi voltar. Quando entrava, lá apareciam as caras conhecidas a sair apressadas para o recreio:

- " Olá catequista! Veio visitar-nos?"
-" Estou de passeio e bem acompanhada". A Clarinha era ainda pequena e passeava no meu colo. As funcionárias metiam-se com ela e perguntavam-me quem era.

-" Onde está o resto da turma?"
-" Estão ali do outro lado do recreio."
-" Ah, alguém viu o vosso colega que nunca veio à catequese?"
-" Sim, catequista. Ele é da outra turma. Eu vou lá chamá-lo."

Nesse instante, oiço as meninas a cochichar: " A nossa catequista quer falar com ele", uns andavam para um lado, outros para o outro e mais dois colegas a procurarem-no.  Ás tantas já havia uma multidão à minha volta. Alguém me disse:

-" Ele está aqui catequista!" Aproximei-me dele.  Sorri. 
-" Olá, eu sou a Rute, a tua nova catequista este ano. Não precisas ficar atrapalhado. Sabes, sinto a tua falta nas aulas de catequese, fazes parte do grupo. Sei que és mais velho mas és bem-vindo e as portas estão sempre abertas para ti na catequese." Voltei a sorrir. Ele olhou-me nos olhos e sorriu também. Dei-lhe um grande abraço. Sei que alguma coisa aconteceu naquele instante e nem o fato de ele nunca ter aparecido na catequese depois daquele dia me fizeram sentir fracassada no meu gesto. Eu sei que alguma coisa ficou gravada no seu coração. Será que alguém já lhe tinha dito que sentia falta dele e que ele era bem-vindo na catequese?

Deus faz o mesmo comigo cada instante. Chama-me vezes sem conta quando me afasto. Muitas vezes finjo que não o oiço e insisto caminhar à minha maneira. Mas ele não vai desistir de me chamar até que eu lhe diga sim e volte para perto Dele. Muitas vezes desistimos das pessoas, ignoramo-as sempre que saem da rota e pensamos; " É um caso perdido!" Pelo contrário, são a essas pessoas que temos de dar mais atenção, acolhe-las e trazê-las para perto do amor de Deus. Muitas vezes, esses "casos perdidos" vão à nossa frente para o céu quando se convertem e descobrem o Senhor.

 Deus tinha-o chamado naquele instante mas ele ainda não estava preparado. Sempre que passo perto da escola penso como ele estará. Um dia voltarei. Sim, voltarei, nem que seja para lhe dar de novo um abraço.


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Juntos em Aldeia

A Clarinha já andava cheia de saudades do Gaspar.
-" Mamã, quando vamos a casa do Gaspar?"
-" No próximo Domingo, temos encontro com as famílias de Caná na Aldeia da Abóboda."
-" É retiro, convívio ou missa?" Perguntou o Gabriel para se orientar com o programa.
- " Vamos rezar juntos. Nos encontros das Aldeias de Caná, as famílias encontram-se para rezar juntas. Claro, que também tens um convívio e lanchinho no fim!" Sorri-lhe.

No domingo de manhã, a Clarinha ficou ainda mais contente. Iriamos almoçar juntos na casa do Gaspar, brincar, ver livros e conversar antes do encontro. A missa não a podemos partilhar porque na nossa nova paróquia temos a catequese ao domingo e logo em seguida a missa com os catequistas e os meninos na fila da frente. 
Depois do almoço, de muita conversa, brincadeira, lá fomos todos animados rumo à Igreja de Nossa Senhora da Conceição na Abóboda. Além da nossa família e da família do João e da Sónia, o padre Miguel esteve lá e tivemos a graça de mais duas famílias partilharem aqueles momentos de oração.
O Serge ainda tocou viola ao lado do João algumas músicas e todos cantávamos. Seguindo os Mistérios da Fé, percorrendo do Antigo ao Novo testamento, a palavra Alegria esteve presente no meio da nossa oração.


 O João convidou-nos a fazermos com as crianças uma pagela para colocar no nosso canto de oração,  "Deus sorriu-me", e o desenho dos mais pequenos contando de que forma Deus nos tem feito sorrir. 

Esta foi a pagela que a Clarinha fez ao meu colo. Toda contente explicou em voz alta para as famílias, que estava muito contente com os trabalhinhos que tem feito com a mamã na sua secretária e que Jesus está sempre presente. Ela desenhou Jesus com um florinha atrás da secretária e escreveu a palavra Alegria.


O Gabriel desenhou todos nós a sorrir dentro da cruz de Jesus e embaixo todos juntos voltados para o centro, a luz luminosa que representa Jesus. Ficaram muito giras as pagelas, não concordam?



Rezámos o Magnificat, a consagração a Nossa Senhora e os Mistérios do terço.
Houve tempo para os mais pequenos brincarem um pouco e a Clarinha deliciou-se ao a ouvir histórias contadas pelo Daniel.



A Sónia deixou o desafio de cada encontro ser preparado por uma família diferente. Todos temos maneiras diferentes de rezar e de se expressar e isso pode ser uma forma de nos enriquecermos como grupo.
Dia 15 de Novembro, somos nós a preparar o encontro. 
Haverá por aí alguma família de Caná que se queira juntar a nós?


sábado, 24 de outubro de 2015

A coisa mais preciosa...

Durante a nossa oração familiar há umas semanas atrás, ao olhar para o rosto da Clarinha e do Gabriel, disse-lhes:

- "Eu sei bem as partes do dia que vocês mais gostaram. Será que descobrem qual a parte do dia que a mamã mais gostou?" - O Gabriel sem nenhuma hesitação respondeu:
-" Eu sei! Foram aqueles minutos que estivemos perto de Jesus, não foi?"- A Clarinha continuou-
- " Mas, mamã... foi tão pouco tempo..."
-" Sim, é verdade, Clarinha. Foram só uns minutos, mas eu não trocaria nada deste mundo por aqueles minutos. É a coisa mais preciosa que tenho. "
Eles ficaram a olhar para mim durante uns segundos.
Sempre que eu consigo aqueles minutos, ganho o resto das horas do dia...


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Mamã, já tenho três cruzinhas, viste?!

Depois de voltar a explicar à Clarinha acerca de ainda ser cedo para ela  receber Jesus na Santa Eucaristia, ela descobriu uma coisa que a faz ficar feliz e mais próxima de Jesus na altura da comunhão. 
Quando a Clarinha nos acompanhava na fila da comunhão algumas vezes ela ficava parada à espera de receber Jesus e ficava triste e aborrecida a perguntar-me o porquê de o sr. padre não lhe dar Jesus. Numa missa aqui perto que participámos, o sacerdote tinha o hábito de fazer um sinal da cruz quando as crianças acompanhavam os pais na fila para a comunhão. A Clarinha como não estava acostumada, na primeira vez não esperou, mas ficou a pensar que queria receber a cruzinha do sr. padre.
Também aqui, nesta  nova paróquia, há esse hábito tão belo, que faz os mais pequenos se aproximarem de Jesus e participarem do momento da comunhão. Numa das missas que assistimos, eu estava sozinha com os três. A Clarinha estava um pouco inquieta na missa e no momento da comunhão, ao chegarmos à frente da fila, o sr. padre virou-se para a Clarinha e disse-lhe:
-" Deixa-me fazer-te uma cruzinha para seres santa!" Ela sorriu de boca aberta e quando voltámos para o lugar  ela levantou os braços de contente e disse em voz alta:
-" Mamã, já tenho três cruzinhas, viste?!"
-" Chiuu... Está a falar muito alto. Fica quietinha no teu lugar até ao fim". Foi difícil, não dar nas vistas. Ela estava mesmo contente.