quinta-feira, 16 de julho de 2015

Fazer a diferença

Tenho consciência que todos os dias me é colocado um desafio no meu coração. Aliás, não é somente um desejo meu, é acima de tudo algo que persiste na minha consciência e não me larga e mesmo que eu finja não escutar ou não ver, é algo que não desiste de me alertar. É como um sinal vermelho que se acende e não apaga até que eu termine o que tenho que fazer. Sim, é verdade, muitas vezes não sou fiel a esse sinal e finjo não o ouvir ou ver. Eu chamo-lhe o meu grande desafio diário. Chamo-lhe grande porque é realmente transformador para mim quando o sigo, mas na verdade a maior parte das vezes é invisível aos olhos dos outros e consigo realizá-lo principalmente nas coisas pequeninas. O meu grande desafio diário é fazer a diferença onde quer que eu esteja, quer eu esteja fechada em casa a limpar ou a cuidar dos meus filhos ou quando passeio na rua ou quando encontro amigos. Em cada tarefa, em cada pessoa que encontro, em cada circunstância que me apareça, acende-se a luzinha vermelha e a pergunta: " Estarei eu a melhorar o espaço onde estou? Estarei eu sempre que encontro alguém ou me cruzo com alguém a elevar essa pessoa, a deixá-la mais feliz e esperançosa?"                                                                                                       

Quando estive no parque com as crianças, por exemplo, uma das meninas que estava connosco disse-me que queria ir à casa de banho. Eu acompanhei-a. Numa das divisões um autoclismo corria água que não parava. As pessoas passavam e não ligavam. "Para quê, ligar? Não fui eu que deixei a água a correr e além disso estamos numa casa de banho pública!" Este parecia ser o pensamento de todos. Um cristão não pode ser indiferente às pequenas coisas. Um cristão tem de lutar contra um coração de pedra, frio, indiferente a tudo o que acontece à sua volta, a um coração medroso, sempre com medo do que os outros vão pensar. Somos chamados a fazer a diferença e a  agir em toda a parte como se estivéssemos em nossa casa e cuidar de tudo e de todos com igual amor.  Sei que não é uma tarefa fácil! Mas mesmo que quisesse fingir que não ouvia era impossível, lá estava a luzinha vermelha a me chamar. Lá fui eu. Carreguei simplesmente de novo no botão do autoclismo e a água parou. Que coisa tão simples! 

Achariam estranho, se o Senhor um dia mais tarde me pedisse contas de toda aquela água que tinha sido desperdiçada se não agisse? Tudo o que acontece à nossa volta somos de certa forma responsáveis.

Quando passeamos na rua, será que a nossa presença ajuda os outros? Será que nos preocupamos em deixar a rua mais limpa do que estava antes de passarmos ou nem ligamos e deitamos para o chão aquele lenço minúsculo porque o caixote do lixo ainda ficava longe? E se virmos uma garrafa no chão passamos ao lado e não a apanhamos só porque não fomos nós? 

Quando passeio na rua gosto de sorrir para as pessoas discretamente. Gosto de arrancar sorrisos de quem passa e acho engraçado a reação e o olhar de quem me observa com três filhos agarrados a mim no passeio ou a falarem e a pedirem coisas ao mesmo tempo. Acho que as pessoas saem mais divertidas da rua quando cruzam connosco e me vêem!

Quando conheço alguém ou me cruzo com alguém pela primeira vez ou mesmo que já a conheça bem, o Senhor me mostra sempre  que todos têm qualidades, sem excepções. Procuro encontrá-las. Mesmo que sejam poucas ou insignificantes elas são o tesouro, através do qual o Amor de Deus pode entrar nas suas vidas. Procuro elevar as pessoas mostrando-lhes tudo aquilo que ainda podem fazer de bom com as suas qualidades.

Na verdade, todos nós temos esta luzinha vermelha dentro de nós que nos chama a agir, que nos desafia diariamente a fazermos a diferença!  Estaremos nós dispostos diariamente a sermos fiéis a ela nos pequenos gestos? Acreditem que é trabalhando as pequenas coisas, os gestos simples do dia-a-dia que mudamos o mundo e experimentamos a verdadeira alegria de ser de Cristo!



3 comentários:

  1. Olá!
    Obrigada por este post. Acontece-me frequentemente isso. E quando ignoro, é terrível por que fica lá no meu cérebro a "piscar", sendo difícil esquecer nas horas seguintes! Ás vezes já não há nada a fazer, mas outras vezes acabo por voltar a trás! Nunca tinha refletido ou tomado consciência disso. O meu desafio diário. Vou adotar o termo.
    Um abraço

    ResponderEliminar
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
  3. Ainda na continuação... (e eu continuando a pensar sobre o teu post) eu atribuía isso ao meu "anjinho" (o meu lado bom) em detrimento do "diabinho" (o meu lado mau) e às lutas "animadas" e engraçadas entre os dois que se viam nos livros infantil e até livros escolares? E por falar nisso, nunca mais vi nada parecido...
    Um abraço

    ResponderEliminar