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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

As mudanças, as famílias e a alegria

Já estava cheia de saudades de escrever. Como devem imaginar, tenho muitas novidades para vos contar deste período em que estive mais ausente da escrita mas em que todos vocês estiverem bem presentes nas nossas orações. 
Vejo a escrita neste blog como uma missão, uma partilha que pode chegar longe e levar a alegria da presença do Senhor a mais famílias. Obrigado pelo carinho de todos aqueles que nos seguem e nos escrevem.

Temos vivido um período de muitas bênçãos, muitas mudanças e inicio de novos projetos.

Este ano por motivos do emprego do Serge, estaremos a viver na Capital. É claro, que irei, sempre que possível à nossa casa na aldeia. Apesar das saudades estamos muito felizes e gratos por esta oportunidade. Com a mudança de morada, temos sido muito abençoados com a presença de muitas  famílias no nosso dia-a-dia com quem temos partilhado momentos únicos, a fé e as coisas simples. Hoje elas fazem parte dos nossos corações e dão sentido àquilo que sempre acreditámos : a fé no Senhor é para ser vivida, experimentada, saboreada em comunidade. Mas como se faz isso?  Procurando viver os mandamentos e a lei de Deus indo ao encontro dos outros, de outras famílias. Há muitas famílias isoladas, atoladas de dificuldades e problemas. É preciso estar atento a quem está à nossa volta, abrir o nosso coração aos mínimos gestos. Há um amor imenso que o Senhor quer derramar nas nossas vidas se nos unirmos. Há coisas que só descobriremos acerca de Deus se sairmos do conforto da nossa família e das nossas preocupações e irmos ao encontro do próximo.

Esta partilha entre famílias tem sido muito enriquecedora para todos. A Clarinha e o Gabriel são os primeiros a pular de alegria sempre que estamos com amigos. São gestos simples: uma conversa, uma refeição partilhada, irmos juntos à santa Missa, a alegria de juntos fazemos a nossa oração familiar com outra família em nossa casa a agradecer também pelo dia. Algumas vezes, já fizemos a nossa oração familiar na casa de outra família e é uma alegria para os mais pequenos explorarem e observarem outros cantos de oração. Há pouco tempo, tivemos a graça de estar com uma família com três filhos. Depois do lanche e da animada partilha, antes de nos irmos embora, estivemos juntos no seu cantinho de oração, chamado "cantinho do silêncio" e agradecemos pelo dia. O espaço era muito acolhedor e tocou-me profundamente. Bem no centro, havia uma réplica de um sacrário e dentro tinham a Bíblia, o terço, orações. No início das primeiras comunidades cristãs, o Senhor era adorado em casa das famílias, em comunidade, naquele aconchego de família. Precisamos tanto desta intimidade entre famílias, nesta necessidade de juntos, com mais força sermos tocados pelo Senhor. Sim, desejo muitos momentos de adoração em comunhão com outras famílias!

Que alegria tão grande sermos convidados a estarmos presentes na vida sacramental de outras famílias! Assim aconteceu no batizado do António, filho da Ana e do Miguel. Foi uma alegria estarmos juntos nesta data tão especial para eles e em especial para o pequeno António.
As nossas orações e intenções do dia têm sido mais ricas desde que tivemos a honra de sermos padrinhos do Matias, filho da Sónia e do João Miranda. Foi uma cerimonia linda, celebrada pelo padre Miguel Ribeiro. O padrinho todo contente!



Lá em casa, as brincadeiras não faltam. Seja ao ar livre...

-" Gabriel, o que estão a brincar?"
-" Estamos a fazer papel reciclado, não vês mamã?"
- " Pois, claro...."


Seja em casa...

A nossa querida Sílvia, emprestou-nos um material que fez sucesso cá em casa. São trinta e quatro histórias da Bíblia do Novo Testamento, com cenários e personagens em papel para montar enquanto se ouve a história da Bíblia. Como falar de Jesus ao pequeninos, das edições Paulinas. Quando puder vou comprar, vale muito a pena.





 Mas o sucesso não foi só cá em casa. Durante o encontro em que a família Power deu testemunho da sua vida familiar na Igreja paroquial da Abóboda, as crianças divertiram-se muito com este material. Além da história do filho pródigo, também quiserem trabalhar a História das Bodas de Caná. Mas que belo casamento! Não faltou mesmo nada!

 




Foi tão bom escutar os ensinamentos da Teresa no retiro das familias de Caná na Quinta do Conde...


E ter uns minutos a sós com o Senhor...


Em setembro também foi o aniversário da Clarinha. No dia 24, depois de termos cantado os parabéns na escolinha dela fizemos a viagem de regresso à nossa nova morada. Já estava a escurecer quando tínhamos acabado de chegar.

-" E se convidássemos o João e a Sónia para cantarmos os parabéns à Clarinha e jantarmos juntos? O Gaspar iria adorar, não achas?" perguntou-me o Serge animado.
-" Boa! Se calhar já estão a jantar, mas não faz mal eles já sabem que somos meio malucos e fazermos coisas sem nenhuma antecedência, não é?" Olhámos um para o outro e rimos. Sim, é verdade! Não somos nada normais nestas coisas! Montamos a festa em três tempos e o mais importante é que estavámos juntos naquele momento...



As novidades não terminam aqui e continuam no próximo post...

                                 
( foto de David Costa, http://www.oliveoilstudio.com/, no batizado do António)

domingo, 30 de agosto de 2015

A Bíblia, o canto de oração, o essencial e as férias na praia

Durante as férias de verão gostamos muito de acampar na Costa Alentejana e este ano não foi excepção. O contato com a natureza e com o mar são os cenários perfeitos para nos divertirmos a valer! Acampar durante as férias para a nossa família é também um ótimo exercício para aprendermos a simplificar cada ano à medida que as crianças vão crescendo e percebermos apenas o que é essencial levar num carro com três crianças, lençóis, mantas, panelas, tenda, roupas, etc. Levamos mesmo o essencial e é tão bom! 

Ir de férias para mim é sempre uma meditação muito profunda em que penso: " Não me posso afastar ao longo da minha vida de trazer o essencial para ser feliz e para cumprir o que o Senhor quer de mim!" O que é essencial para mim levar nesta vida que eu não me posso esquecer? Na verdade a passagem nesta terra é curta, é como se estivéssemos de férias, pois o nosso destino é o céu. Bom, para mim o essencial é ter o meu coração sempre voltado para o Senhor, nas minhas tarefas de casa, quando estou com os amigos e famílias e em todas as circunstâncias tento ter o meu pensamento, coração e todo o meu ser voltado para o Senhor. Estar grata por tudo e suplicando sempre ao Senhor graças sobre a terra, sobre os nossos amigos, sobre as famílias...Não tenho medo de pedir ao Senhor. Peço insistentemente. Peço com fé a graça de que eu retorne a Ele com os meus talentos duplicados e Ele me possa dizer : " Foste uma serva boa e fiel naquilo que te confiei." Luto todos os dias para que o pouco que o Senhor me vá confiando não fique enterrado com medo de me ser levado. Não é fácil, mas este é o meu essencial. Se o Senhor é o nosso essencial, aquilo que  não nos pode faltar, então se faz luz na nossa vida e percebemos todas as coisas que são supérfluas,  percebemos onde andamos a desperdiçar a nossa energia, percebemos as coisas que nos impedem de ser felizes.

Há sempre festa quando vamos sair...


Ao chegarmos todos querem ajudar a montar a tenda e arranjar a sua caminha...



-" Mamã, onde está o saco dos brinquedos?" perguntou a Clarinha ainda na viagem para acamparmos.
-" Ups...desculpa Clarinha"- eu costumo sempre levar uns brinquedos pelo menos no carro para a Sofia se entreter na viagem, mas desta vez o carro estava mesmo cheio e eu nem me lembrei-  "...a Mamã nem se lembrou, mas não faz mal quando chegarmos há muitas brincadeiras para fazer na praia com o balde e as pás! Aí, atrás de ti está o livro da Bíblia, podes vê-lo na viagem!"
-" Mamã, não trouxeste outro livro além da Bíblia ilustrada?"- perguntou o Gabriel, a olhar para a Clarinha.
-" Não, Gabriel. Vão ser umas férias em grande!"- sorri- " Que grande oportunidade de ler as histórias todas, não achas?"- Ele sorriu.

De fato, em qualquer momento parado em que estávamos na tenda iam buscar o livro e liam uma história e à noite o Gabriel lia para a Clarinha com a lanterna.



É claro que não faltou o nosso cantinho de oração, o lugar central da tenda onde rezávamos...



Na praia a diversão foi muita...




E no mar haviam algumas ondas. Conseguem encontrar as diferenças?




Bom, os dias foram uma bênção! Obrigada, Senhor por estes dias de repouso para o corpo e para a alma. Ajuda-nos a melhor Te servir e amar! Ámen.

sábado, 4 de julho de 2015

O nosso testemunho e o milagre

"A Igreja deve servir Jesus nas pessoas marginalizadas, abandonadas, sem fé, decepcionadas com a Igreja, prisioneira do próprio egoísmo. Sair significa ainda ‘rejeitar a autorreferencialidade’ em todas as suas formas; saber ouvir e aprender de todos, com sinceridade humilde”. Estas são palavras do Papa Francisco e me fazem meditar muito.

Muitas são as famílias que se sentem à margem do Amor de Deus, muitas são as famílias que não encontram o seu lugar na Igreja e se sentem decepcionadas, sem fé, muitas vezes julgadas pelos que estão dentro da Igreja pelo seu passado...

Estaremos nós a saber acolher as famílias que se sentem à margem nas nossas comunidades levando-lhes o Amor de Deus ou simplesmente acomodamo-nos e pensamos: " Esta família é um caso perdido! Nem vale a pena tentar falar de Deus..."?
Ora, oiçam bem o nosso testemunho:
Mal soube de uma ou outra família que estaria interessada em participar nos nossos encontros de famílias em Proença fui logo sem demora falar com elas e abrir o meu coração. Queria ver os seus rostos, perceber o que estavam a viver, as suas dificuldades. Desejava também que elas ouvissem a minha voz e sentissem o meu entusiasmo e desejo de caminharmos juntos... Ao expor a proposta dos encontros, todas estavam entusiasmadas para começar.
Os encontros começaram e uma das famílias não apareceu nem no primeiro , nem no nosso segundo encontro.  Na hora do lanche partilhado, do segundo encontro, enquanto estávamos todos  a comer, houve uns instantes de silêncio e eu fui impelida a falar, quer desejasse quer não. Olhei nos olhos de duas mães e comecei assim a conversa do nada:

- " Eu sei que vocês olham para mim como se fosse perfeita a  nossa família! Não é verdade! Nós não somos tão virtuosos ou fomos tão virtuosos como vocês pensam! Vocês pensam que eu estou à vontade para falar, mas não é verdade. Quem me conhece sabe que sou bastante reservada e até tímida. Já ofendemos muito o Senhor! A nossa família também é fruto da misericórdia e do perdão de Deus! Tanto eu como o Serge andámos muito tempo afastados da Igreja e apesar de buscarmos o amor de Deus em tudo, andámos muito longe dos sacramentos e dos mandamentos de Deus. A nossa família começou assim: eu o Serge conhecemo-nos num encontro no Alentejo no qual se abordava muitos assuntos diversos como a educação, agricultura biológica, entre outros. Quando começámos a falar, era impressionante a quantidade de coisas que tínhamos em comum e dos nossos desejos para o futuro. Desejávamos formar uma família com valores, viver as coisas simples da vida e servirmos os outros. A Igreja não fazia parte das nossas vivências mais profundas, apesar de Deus estar sempre presente. A sintonia foi tão forte do nosso encontro que o nosso namoro, amizade começou logo ali. Ao falar com a minha amiga que tinha vindo comigo para aquele encontro disse-lhe: " Desculpa, já não vou voltar contigo para Lisboa. Encontrei alguém muito especial..." Sim, eu sei que sou um pouco maluca mas aconteceu mesmo assim. Nem passado um mês de conhecer o Serge fiquei grávida do Gabriel. Não tínhamos planeado que fosse assim, mas ficámos ambos muito felizes! Sentíamos um amor muito grande um pelo outro. Naquele mesmo dia, falámos com os meus pais e os pais do Serge e decidimos casar pela Igreja, não com a convicção do sacramento em si, mas sim porque queríamos ter a benção de Deus e reunir a família dos dois lados. Quando estava grávida de três meses do Gabriel, casámos e foi uma cerimonia muito bela e muitas graças foram derramadas sobre nós. Só mais tarde saberíamos o quanto! A nossa família não começou da maneira perfeita, mas o senhor não desistiu de nós! Mostrou-nos os nossos erros e nos deu força para caminhar! Acham que Deus nos ama menos ou mais pelo nosso passado em relação àqueles que fizeram toda a caminhada dentro da Igreja? Deus ama-nos da mesma forma e com a mesma intensidade. Deus ama todas as famílias da mesma maneira. O que fariam se ouvissem esta história e não soubessem que era a nossa?"...



 Depois de falar senti que um peso tinha saído do ar que respirávamos e os seus rostos ficaram luminosos e cúmplices com o meu. Afinal, todos temos coisas para contar em que ofendemos a Deus, o que importa é o que vivemos no momento presente, o que importa é a intensidade do amor que trazemos no coração para dar a Deus. O Senhor ao ver o nosso arrependimento apaga as nossas faltas e sem demora traz-nos uma túnica que coloca nos nossos ombros e no dedo um anel e diz: " Tu és o meu filho muito Amado!"

O milagre estava para acontecer no encontro seguinte das famílias.
No terceiro encontro, o meu coração encheu-se de alegria pela família que nunca tinha aparecido e emocionada partilhou que lhe tinham contado o nosso testemunho e que por causa dele estava ali. Tinha medo dos julgamentos e não sentia que podia fazer parte desta caminhada connosco.

O meu coração se encheu de amor e repeti várias vezes: " Tu és muito amada! O senhor te ama muito e o teu lugar é aqui!"

Que nenhuma família se sinta envergonhada com o seu passado! O Senhor quer recolher todas as famílias que se sentem à margem, fora dos modelos perfeitos. Há um grande exército de famílias que estão à margem da Igreja e que o Senhor quer tocar, operar milagres, devolver a fé, a esperança e construir um mundo novo. O Senhor tem um plano para cada uma delas. Não existem casos perdidos, com Deus tudo é possível! Tenho mais fé nas famílias aventureiras, que arriscam, que buscam e que querem servir o Senhor de todo o coração, mesmo sabendo que são imperfeitas, que saibam :" ‘rejeitar a autorreferencialidade’ em todas as suas formas; saber ouvir e aprender de todos, com sinceridade humilde", como o Papa Francisco fala, do que aquelas que muitas vezes caminharam sempre certinhas, e até têm um lugar certo na Igreja. Precisamos de famílias que queiram amar o Senhor de todo o coração e isso basta! Precisamos de todas as famílias, as que estão dentro da Igreja com a chama acesa pelo Senhor e as que estão fora desejando encontrar o Amor de Deus...

Estaremos nós preparados como Igreja para não julgarmos as famílias pelas aparências do seu passado, não julgando mas agindo com amor, sabendo acolhe-las e elevando-as para que sintam que também elas têm um lugar na Igreja?

Eu não sei a vossa resposta, mas sei o que o Senhor espera de mim: reunir aquelas que já perderam a fé e levá-las a sentir o Amor de Deus...


sexta-feira, 26 de junho de 2015

O pilar da família

Na correria do dia-a-dia, nas mil e umas tarefas na casa e com o cuidar dos filhos, faço um esforço para nunca me esquecer do pilar da nossa casa, o pilar através do qual o Senhor derrama e continuará a derramar graças sem fim para a nossa família. Podem vir grandes tempestades mas se o pilar é forte toda a casa estará protegida, abrigada e alegre. Pelo sacramento do matrimonio, a nossa família nasceu, cresceu e continuará a crescer para o amor. Este pilar do amor entre marido e mulher, precisa ser cuidado, precisa ser "regado" todos os dias com gestos, pequenos gestos de perdão, de escuta, de sacrifício.

O primeiro canto de oração da nossa família é o amor que habita no nosso coração de casal e isso os filhos reparam bem. 
Pensem sempre primeiro no outro, não durmam sem pedir e dar o perdão. Não coloquem os filhos à frente deste amor. O tempo é curto nesta vida para grandes gestos de amor... Aproveitemos ao máximo para amar e perdoar é nisto que consiste o ser feliz em família...

Cada família é Terra Santa, Altar sagrado do Senhor na terra. 

Quando rezo por uma família peço sempre primeiro pela união e amor entre marido e mulher, dou graças pelo sacramento do matrimonio. Sei que se o pilar caminha unido, tudo o resto corre bem.

Quando o Serge chega a casa, primeiro dá-me a mim um beijo e só depois dá aos mais pequenos enquanto diz: "A mamã primeiro!" 



quarta-feira, 17 de junho de 2015

Juntos em família

As férias da escola chegaram e confesso que o meu coração se enche de alegria por ter os meus filhos juntos. Gosto muito de partilhar as minhas tarefas, alegrias e histórias com eles enquanto o dia acontece. O tempo está quente e lá fora há tanta coisa para descobrir, tanta coisa para aprender, tantas histórias para ouvir, tantos passeios para fazer. Podem não acreditar, mas muitas vezes é mais cansativo estar sozinha com a Sofia a realizar as minhas tarefas do que ter os três juntos. O Gabriel já me ajuda muito lá em casa e em três tempos arruma-me a sala. A Clarinha muitas vezes brinca com a Sofia e ajuda-a a sentar-se no bacio ( sim, ela está a aprender). A Sofia pede mais atenção se estiver só comigo, quando chegam os irmãos é uma festa! É claro, que muitas vezes também se chateiam uns com os outros, mas isso significa  mais oração lá em casa, pois logo são chamados a pedir perdão e a dar um beijinho. 
Este trabalho em equipa é fonte de alegria e crescimento para todos. Eu gosto muito de cuidar da minha família, acima de tudo estar junto dela e servi-la com amor nas pequenas coisas. É isto que me faz feliz, são as pequenas coisas, nelas encontro Deus.
Muitas coisas têm de ficar para trás todos os dias para fazermos o que realmente é essencial, nem sempre consigo arrumar tudo lá em casa ao fim do dia, mas para mim o essencial de cada dia é darmos tempo uns aos outros em família, é dividirmos tarefas, é estarmos presentes, é rezarmos juntos. 







sexta-feira, 13 de março de 2015

A nossa família e... Jesus

Quando o Gabriel era pequeno e começou a ir ao infantário, eu tinha o hábito de sempre lhe preparar uma surpresa quando ele chegasse da escola. Geralmente era coisas que eu fazia para ele brincar ou para falarmos de um assunto. Nessa altura, não tinha tanta roupa para tratar, tanta comida para preparar nem mais nenhum filho pequeno para cuidar. Assim, eu preparava sempre surpresas que levavam tempo, com pormenores e tudo! Lembro-me, da festa que ele fez quando eu construí um pequeno cenário de uma missa, em que o bombeiro era o sacerdote e o porquinho era o acólito. Tinha direito a um altar e Bíblia também... e todos os legos dele assistiam à missa nuns bancos de correr... 
Esse hábito ainda permanece mesmo que só consiga realizá-lo de vez em quando, embora mais simples, às vezes é simplesmente um pequeno gesto que eu deixo aos pés de Maria para eles verem quando chegam da escola, outras vezes uma coisa nova para aprenderem a fazer sozinhos, como as flores de papel, outras vezes a surpresa é comida, outras vezes faço uma caça ao tesouro para os dois brincarem juntos procurando pistas pela casa, outras um desenho de Jesus para a Clarinha pintar ou um modelo novo de um avião para o Gabriel construir...

" Mamã, fizeste alguma surpresa hoje?" Perguntam os dois em simultâneo.
" Vocês sabem que a mamã anda cansada, principalmente agora que a Sofia quer andar para todo o lado... mas vocês sabem que todos os dias há sempre coisas novas para descobrir, há sempre surpresas que Jesus nos quer mostrar..."

Assim, ultimamente não sou só eu que faço pequeninas surpresas, mas são eles que ao sair da carrinha me dizem:

" Mamã, fiz uma surpresa para ti!"

Há uns dias atrás ao chegar da escola, esta era a surpresa da Clarinha para mim.
A Clarinha deu-me a surpresa mais preciosa que tinha: a nossa família. Reparem que Jesus no canto superior esquerdo também lá está e faz parte da nossa família! Que bom que eles sabem que Jesus anda sempre connosco!



Sim, como é importante falarmos  às crianças da importância da família. O nosso bem mais precioso. Como é importante, eles saberem  dos sacrifícios que, nós pais, fazemos para cuidar deles, para os vermos felizes... com Jesus a nossa família está segura. Ele é o nosso sol, como no desenho da Clarinha, que ilumina o nosso caminho nos momentos de alegria mas também nos momentos de cansaço e tristeza... 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Há algo que é essencial, vocês saberem...

Quando viemos morar para a nossa aldeia e começámos a frequentar o grupo de oração iamos em família. Muitos vinham ter connosco e nos diziam: " Que lindo casal! Que família tão especial..." ou então ainda hoje: " Que filhos tão sossegadinhos... vê-se que estão no caminho certo". Quem me conhece mais intimamente sabe que sou tímida e não me sinto nada à vontade para falar de mim ou da minha família, mas para falar do Amor que sinto por Deus sou capaz de ir a Roma ou de me expor numa grande plateia...
Não me sinto muito à vontade quando falam assim da nossa família, mas uma coisa é certa, sinto a presença de Deus sempre. Mesmo sentindo o amor e o carinho de quem diz e mesmo que o sentimento de orgulho tente se instalar no meu coração logo é dissipado pela crua realidade da nossa miséria e da falta de santidade mesmo nas pequenas coisas, mas certo é que caminhamos para lá. E eu pergunto-me:

" O que as pessoas vêem e sentem para falarem assim?"

Os nossos percursos individuais andaram fora da igreja durante algum tempo e mesmo quando nos casámos não estávamos assim tão conscientes da grandiosidade do sacramento do matrimónio. Ainda não andávamos pelos caminhos retos que levam ao céu. Apesar de isso tudo, a busca de Deus esteve sempre presente no nosso coração mas estivemos ligados a filosofias Orientais, Reiki, Yoga. Alerto sempre os jovens que tudo isto é incompatível com a nossa fé, pois nos centra em nós e não nos deixa cair e entregar incondicionalmente nos braços de Deus, pois somos totalmente dependentes Dele.

Alguém no grupo de jovens dizia:
" Mas que mal tem ler o horóscopo todos os dias? Eu acredito que os astros até tenham influência na nossa maneira de ser..."
O problema está que isso demonstra que não temos relação íntima nenhuma com Deus, acreditamos mais em coisas criadas por Deus, nos astros, do que no poder e Amor de Deus. Quem age assim, ainda não teve um encontro mais profundo com Cristo. Quem tem Cristo, não precisa de pedras da sorte, não precisa de muletas para caminhar... Quem tem Cristo, tem tudo, a cura, os remédios, a sabedoria e a graça de alcançar a felicidade e o céu....

Creio que a coisa mais importante, e tenho isso como prioridade no grupo de jovens, é proporcionar esse encontro pessoal e íntimo com Cristo, que é a fonte de toda a cura do nosso coração. Temos dúvidas? perguntemos primeiro a Jesus. Estamos doentes? primeiro rezemos uns pelos outros e busquemos os sacramentos. Estamos desanimados? Busquemos ler a palavra de Deus...

"Mas, porque apesar dos nossos caminhos errados, Deus pegou nas nossas mãos e nos ergueu?"

Acredito que não somos diferentes dos outros, nem mais nem menos, Deus também vos quer pegar pelas mãos e vos erguer !
Nunca é tarde demais para voltar para Deus, independentemente de como está a vossa família, Deus tem um plano para ela e está à vossa espera... Mas como esperam que as coisas mudam se vocês não rezam, não choram, não dobram o joelho e abrem o coração para Deus? Deus espera a vossa parte, agora!
Deus não faz seleção de pessoas. Para Ele todos são importantes e únicos para o coração de Deus estar completo.  Deus não tira as moedas ao ar e diz: " Esta família ganhou a sorte grande e a outra não!" " Vou encher esta família de benção e a outra não!" Deus não é um Deus da lotaria ou da sorte grande mas é um Deus de Amor... Ele está atento apenas ao nosso coração, às nossas aspirações...


" Sabem como Deus, vê os homens cá na terra?" - disse eu no grupo de jovens-" Imaginem a terra vista do espaço à noite. sabem como é? A terra está coberta de pequenos pontinhos luminosos que são as luzes das cidades.. nas zonas desertas não se vê nada. Assim, também é como Deus nos vê. Ele não olha a rostos, se somos magros, altos, bonitos ou feios mas olha se a chama do nosso coração está acesa ou não. Ele espera ver a nossa luzinha do coração acesa para poder realizar maravilhas atravês de nós. Quais são os desejos do vosso coração? Será que são desejos de amor verdadeiro, de verdade, justiça...? Será que a vossa luzinha está acesa?"

 Sabem, acho que sei qual foi o segredo da Conversão de São Paulo, em que Jesus lhe aparece e o escolhe para pregar a palavra de Deus! São Paulo, antes Saulo era o maior perseguidor dos Cristãos. Ninguém o escolheria mas Deus escolheu. E porquê? Ele tinha o ardor de buscar fazer a vontade de Deus em primeiro lugar, mesmo que isso custasse a vida. O seu coração buscava a justiça e a verdade e quem busca a verdade mais cedo ou mais tarde encontra a verdade, pois Deus manifesta-se aos puros de coração... E assim aconteceu!

Há algo que é essencial, vocês saberem...
No nosso coração mesmo em caminhos errados, sempre buscámos a verdade e fazer a vontade de Deus, sempre... e Deus veio manifestar-se na nossa vida e mostrar-nos a verdade...

"Mas,  ainda não respondi: o que as pessoas vêem e sentem para falarem assim de nós?"

Como disse, não somos diferentes de ninguém, estamos a caminho como vocês. Acredito que, se cada família, por mais errados que estejam os seus caminhos, buscar com sinceridade Deus e a Sua vontade verá milagres acontecerem...

Eu creio que as pessoas à nossa volta acabam por sentir esse  nosso desejo de buscar a Deus de todo o coração. Deus nunca abandona e enche de graças quem se entregar com confiança a Ele. Ele faz milagres e dá-nos muito mais do que merecemos...Muitas vezes falhamos mas não voltaremos a trás, pois o amor é a força mais poderosa do universo, bem mais potente que uma bomba atómica, sabiam?

E vocês?
Quais são os anseios do vosso coração, o que buscam como família?
Será que a vossa luzinha está acesa para Deus? Não com palavras e orações externas mas sim  com atitudes e coração sincero. 
O que os outros sentem quando estão convosco? Fale a pena pensar nisto...





quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Só há um caminho...a santidade

Se me perguntarem quais os meus projetos, quais são as coisas que mais desejo nesta vida, digo-vos que esta é a única coisa que desejo verdadeiramente: a santidade, ser perfume de Cristo por onde passo... e como não estou só neste desejo, tenho ao meu lado o Serge nesta caminhada, podemos dizer que juntos em comunhão com os nossos filhos, tendo como modelo a  Sagrada Família, buscamos ardentemente a santidade das nossas vidas, e isto, é o que realmente importa.





Mas, o que é isso da santidade, afinal?
Quer sejamos consagrados ou leigos, casados ou solteiros, crianças ou adultos, cristãos ou descrestes, pobres ou ricos, homens ou mulheres, ou seja, independentemente das condições e circunstâncias externas, só uma coisa, Deus deseja de nós : que estejamos prontos para que Ele habite em nós, ou seja, que sejamos santos. Na verdade a santidade é o único caminho que nos leva á verdadeira felicidade. Este é o caminho que eu quero para mim, é a graça que eu peço a Deus...

Este é um caminho árduo, em que temos de cair muitas vezes, nos despojar de nós próprios, de fazer muito silêncio, de sermos esquecidos, de contrariedades... mas o Senhor nos recompensará quando chegar a hora que Ele tem para cada um de nós. Ele o fará sem dúvidas.

Quero vos partilhar quais as ferramentas que procuramos utilizar cá em casa em família e individualmente para alcançarmos o nosso grande desejo.  

1- Desejo de santidade

Devemos desejar e buscar de todo o coração sermos santos. É o único caminho que nos leva à verdadeira felicidade.

Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.
Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á."

Mateus 7:7-8


Se este desejo ainda não está em nosso coração devemos insistentemente pedir ao Senhor esta graça.

2- Viver as 5 pedrinhas propostas pelas Famílias de Caná

Nas 5 pedrinhas estão todas as chaves para alcançarmos a  santidade em família. Vou falar de alguns detalhes.

Ter uma relação íntima com Maria e vivê-la junto com os nossos filhos. Lá em casa, os mais pequenos gostam de oferecer flores ou fazer pequenas prendas a Nossa Senhora. Eles sabem que ela é a sua querida "Mamã do Céu". É bom também oferecerem pedindo por alguém ou por uma situação. Maria nunca se esquece dos pedidos das crianças. Muitas vezes peço ao Gabriel que reze por alguma coisa importante, sei que as suas orações chegam mais rápido ao coração de Maria.

Rezar o terço todos os dias com as crianças por perto, mesmo que não participem.

Ler uma passagem bíblica todos os dias, nem que seja uma pequenina. A palavra de Deus tem que penetrar na nossa mente e coração.

Nem sempre é possível, mas temos o propósito de ir à missa todos os dias e receber a santa comunhão.




A nossa santidade e compreensão dos acontecimentos da vida aumenta na medida em que entregamos o nosso tempo, abrindo o nosso coração a Deus pela Adoração ao Santíssimo  pelo menos 1 vez por semana, nem que seja por pouco tempo. 


Este é o nosso desafio mais recente, Sacramento da reconciliação 1 vez por semana, mesmo que sejam pecados banais. Não devemos esperar ter pecados graves para nos confessarmos. O Sacramento da Reconciliação além do perdão dos pecados, confere-nos a graça e a força de Deus para não voltarmos a pecar. Isto é muito importante.

3- Cultivar uma relação com o nosso Anjo da Guarda para que ele seja o nosso melhor amigo
O nosso Anjo da Guarda é o grande aliado individual que Deus colocou no nosso caminho para sermos santos. Não nos podemos esquecer disso.

4- Ler a vida dos santos, seguir as suas pegadas.
Cá em casa, no grupo de jovens, na catequese andamos sempre a falar dos nossos irmãos que já gozam de santidade junto de Deus, os santos. Eles mostram o caminho a seguir. Eu creio na comunhão dos santos e procuro falar com eles, pedir ajuda, a sua intersecção.  

5- Viver as graças dos Milagres Eucarísticos

São pérolas...
http://www.therealpresence.org/eucharst/mir/port_mir.htm

Onde quer que eu vá conto sempre uma história de um milagre Eucarístico.

Falarei noutro post sobre eles.

6- Aprofundar os grandes ensinamentos dos Santos padres do deserto

Falarei deste assunto noutro post

Quem quiser saber mais,
http://www.padresdodeserto.net/textos.htm


Olhem quem já chega ao cantinho de oração dos pequenos!
Ser santo não tem idade!




sábado, 19 de julho de 2014

Quem somos nós




Somos a família Almeida. A mãe chama-se Rute, portuguesa e o pai chama-se Serge, Belga. Temos três filhos: o Gabriel, com 7 anos; a Clara com 3 anos e a pequena Sofia com 7 meses.
Vivemos numa pequena aldeia muito especial chamada São Bento, freguesia de Cardigos, concelho de Mação. A nossa casa cor-de-rosa é chamada pelos mais pequenos "Casa da Paz", pelo amor que temos a Nossa Senhora Rainha da Paz. Moramos perto da capela em honra a São Bento. Temos horta, cabritas, muitos pinheiros e ar puro onde costumamos brincar e passear...