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terça-feira, 13 de outubro de 2015

As mudanças, as famílias e a alegria III

Com a mudança de casa surge naturalmente a mudança do grupo de catequese. O Gabriel que passou para o 4ºano da catequese estava um pouco ansioso para saber quem seriam os seus colegas novos na catequese. Como agora estamos inseridos numa pequena comunidade paroquial perto da nossa casa, o ambiente é também muito familiar e próximo. No primeiro dia da catequese, eu fui com o Gabriel, também eu estava ansiosa por cumprimentar as outras catequistas e sentir o ambiente geral. Estavam poucas crianças para a catequese de todos os anos, cumprimentei os meninos e as catequistas e disponibilizei-me para ajudar no que fosse preciso. A catequese em comunidade na paróquia, é de fato, uma oportunidade para chegar a mais famílias e conhecer outras realidades. O Gabriel lá ficou com o grupo todo o resto da catequese. Com isto tudo, a Clarinha, voltou a fazer a mesma pergunta:
- "Porque eu ainda não posso receber Jesus?"
-" Clarinha, ainda és pequena para receber Jesus. Sabes, tens de ir à catequese como o mano, tens que te confessar ao Sr. Padre e saber pedir perdão das vezes que não fazes aquilo que a mãe te pede e tens que estar mais atenta na missa. Tu sabes isso, eu já te tinha explicado, não é?"
-" Mamã, eu posso confessar-me quando o mano for?"
-" Podes, tu sabes quais são as coisas que fazes mal para pedir desculpa a Jesus?"
-"Sim, mas tu podes-me ajudar? E se o padre ficar zangado?"
-" Não tens que ter medo do padre, Clarinha! É Jesus que está a ouvir-te no lugar dele, sabias? Além disso, o padre nunca vai ficar zangado contigo, pelo contrário, ele vai abençoar-te no fim e o teu coração vai ficar limpinho!"  
-" É hoje que nos vamos confessar?"
-" Hoje ainda não. Mas em breve iremos."

Uns dias antes do segundo dia de catequese a Clarinha disse-me num pulo, olhando nos meus olhos:
- " Mamã, também quero ir à catequese com o mano!" 
-" Bom,... podemos perguntar às catequistas. Sabes Clarinha, durante a catequese  tens de estar quietinha e escutar muito bem o que a catequista estiver a falar de Jesus. És capaz? 
-" Sim... É muito difícil?" 
- " Bom, ainda não sabemos se as catequistas vão deixar, pois ainda só tens 5 anos. Os meninos usam um livro na catequese, mas tu ainda não sabes ler." Ela olhou para mim, com um ar pensativo.

No segundo dia de catequese, levei a Clarinha comigo e apresentei-a às catequistas e à catequista responsável explicando o desejo dela de participar na catequese. Receberam-na da braços abertos e ela ficou muito feliz. No mesmo instante fiz a inscrição dela no 1ºano de catequese. E a sua nova amiga também se inscreveu. Que alegria caminharem juntas e se motivando uma a outra na descoberta de Jesus!

- " Mamã, podes-me ensinar as letras?" Eu sorri e pensei, que mais coisas a minha filha me pedirá. Talvez ela possa pôr em prática, o que vai aprendendo comigo, e ler o catecismo do primeiro ano. 
Estamos na aventura das letras e ela tem trabalhado bastante. No intervalo, muitas pinturas a aguarela e desenhos.

Mas não tenham ilusões acerca da santidade da Clarinha. Dos três ela é a mais traquina, cheia de vida, expressiva e comunicativa, mas também é aquela que me dá mais trabalho. É também a mais determinada, aquela que não quer estar parada na missa, pulando para todo o lado e muitas vezes me deixa envergonhada. Mas ela é mesmo assim! Ela tem um desejo grande por Jesus e isso me basta e me consola no meu cansaço, enquanto lhe tendo mostrar o caminho...


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A nossa ação que cria e transforma pequenas coisas

 Um dia destes durante as férias, o Gabriel veio ter comigo e com um ar aborrecido disse-me:
-" Mamã, já não me apetece brincar sempre com os mesmos jogos, já repetimos vezes sem conta o mesmo jogo..."
- " Tu não gostas de jogos de tabuleiro? Ah, já sei! E que tal fazeres tu um jogo de tabuleiro? É muito divertido! Tu inventas um tema e regras e depois brincas com a mana!"
- " Boa! Posso fazer um tabuleiro de compras e vendas e com cartões surpresa! Preciso também de fazer umas notas com diferentes valores para as compras e vendas, não é?"
- "Sim, que boa ideia! Vais ver que vai ser o melhor jogo de sempre!"- sorri para ele- "Agora mãos à obra! tens muito trabalho pela frente." Enquanto fiz o almoço eles passaram um bom bocado entretidos a construir o jogo e as regras.
- " Mamã, vem ver o jogo! Gostas?"
-" Parece muito divertido! Um dia destes fazemos um tabuleiro a sério com o tema da Bíblia! Já estou a imaginar como seria! Se calhar muitos meninos iriam-se divertir muito com este jogo, além de  aprenderem muitas coisas acerca da Bíblia, não é uma boa ideia?" Eles concordaram e voltaram para a brincadeira.




Outro dia, foram para o jardim construir aviões e outros brinquedos.



Houve um dia que estava cansada e andava de um lado para o outro.
Virei-me para o Gabriel e disse-lhe:
-" Porque estás sentado e não vais brincar?"
-" Não sei ao que brincar..."
-" Olha, a mãe já há muito tempo que não brinca... Como eu gostava de resolver os labirintos e as sopas de letras..."






 Como eu me diverti a resolver os jogos do Gabriel! Se mais houvesse mais fazia...


Também não faltam as brincadeiras no tapete...



Há um tempo atrás o Gabriel, guardou uns grãozinhos de milho com muito cuidado. Depois coloco-os a germinar em algodão e quando a raiz já estava grandinha passou-os para a terra. Quase todos os dias, ele ia excitadíssimo observar se a plantinha já tinha rompido a terra. Cuidou com carinho das plantinhas e sachou-as das ervas daninhas...



Sempre que estivemos fora de casa por uns dias, preocupava-se em que a avó se lembrasse de regá-los. Quando chegava de novo a casa dava pulos de alegria com o crescimento deles. Foi muito bonito acompanhar tudo o processo. Ele gosta muito de comer massarocas de milho cozidas regadas com azeite. Hoje, apanhou-as e disse-me:

-" Mamã, por favor, podemos cozê-las para o jantar?" Foi uma festa e a fotografia diz tudo! Mas para mim, o mais belo foi a partilha do milho à refeição com as irmãs, fruto do seu trabalho e da graça de Deus...





Com tudo isto eu meditava:
Porque esperamos tudo sempre pronto?
Que alegria imensa o fruto do trabalho das nossas mãos confiantes de que Deus nunca nos faltará em dons para servir...
Que alegria imensa nunca esperar que tudo já esteja pronto na nossa vida e compreender que a verdadeira felicidade e alegria está na nossa ação que transforma e cria pequenas coisas...
Que alegria imensa sermos corajosos de colocar as mãos disponíveis para agir, criar, inventar...
Que experiências maravilhosas acontecem de partilha, criatividade e amor quando nos deixamos desafiar pela vontade de Deus!

segunda-feira, 22 de junho de 2015

A salada de frutas

Cá em casa todos adoram fruta! A Sofia come pelos dois!
 Hoje no lanche preparei uma taça para cada um cheia de pedacinhos de fruta. Além da fruta da época e dos pêssegos que já estavam madurinhos na árvore juntei pedacinhos de manga e papaia. Mal se sentaram na mesa, mesmo antes da oração, a Clarinha começou logo a queixar-se que não queria comer. 
-" Não quero banana, e... não gosto de papaia!"- disse-me muito chateada. A Clarinha é a que fala mais de Jesus cá em casa e é aquela que mais gosta de falar em oferecer sacrifícios a Jesus mas também é aquela que é capaz de reagir mal e ficar chateada quando as coisas não correm como ela gosta.

Descobri uma arma poderosa capaz de tocar o seu coraçãozinho nesses momentos e voltá-lo para Deus. Desde que ela ouviu pela primeira vez o amor com que Jesus morreu na cruz por nós e o exemplo dos santos há um "click " dentro dela sempre que eu a lembro nesses momentos.

Muitas famílias se queixam que não sabem como lidar com os filhos, pois eles não lhe obedecem, não se portam bem. Pois aqui fica a minha dica: Não há nenhuma criança ( falo pela experiência da catequese) que fique indiferente aos exemplos e aventuras dos santos. As minhas crianças da catequese ficam de boca aberta a ouvir e perguntam: " A sério, catequista?!" Leiam, leiam muito acerca da vida dos santos e apliquem na educação dos vossos filhos e peçam a intersecção desse santo. Os mais pequenos não vão ficar indiferentes e verão muitas transformações nos seus comportamentos.

Ah, tenho uma notícia de esperança para vocês que dizem que os vossos filhos se portam mal!Gosto muito de ler a vida dos santos e por aquilo que tenho lido, uma grande parte dos santos na sua infância foram rebeldes e determinados! Anne de Guigné é um exemplo disso e morreu ainda criança.

Mal ela acabou de reagir porque não queria comer a papaia, olhei para ela e disse:

-" Sabes Clarinha, em África as crianças não têm estas frutas boas para comer e morrem porque não têm comidinha... Ah! Sabes, o que a amiga da mamã fez quando tinha 5 anos? quase a tua idade! O primeiro sacrifício, a primeira prenda que ela começou a oferecer a Jesus era esta: ela olhava para o prato que os tios lhe davam com a refeição e só comia aquilo que não gostava para oferecer a Jesus!.... fazemos o seguinte: comes dois pedaços de papaia e ofereces a Jesus!" ela olhou para mim pensativa e depois determinada disse:

-" Não mamã! Eu vou comer 6 pedaços grandes!"
-" Muito bem, Clarinha! Jesus vai ficar muito contente com a tua prenda mas primeiro vais até ao canto de oração e pedes desculpa a Jesus por teres reagido mal, ok?" Ela saltou do banco e até parecia outra e disse-me enquanto se dirigia para lá: 
-" Não podes ouvir a minha oração, mamã!" Depois voltou para o lugar e esforçando-se por ter cara alegre comeu tranquilamente.



quinta-feira, 16 de abril de 2015

Brincar, trabalhar e ... rezar

Confesso que há dias mais cansativos em que a roupa se acumula e os brinquedos se misturam numa grande festa cá em casa e a Sofia só quer colo porque está doentinha... 
Mas Deus está em toda a parte, não é verdade? 
Sim, eu acredito que Ele está também no meio das minhas dificuldades e mesmo no meio do meu monte de roupa... Ontem, falei com Ele e disse-lhe: " Eu quero que Tu descanses em mim. Quero ser templo para Tu morares. Mas como podes morar em mim se eu me inquieto com tanta coisa?" Então, eu comecei a organizar a roupa e consegui terminar...

Será que Deus só nos escuta quando estamos quietinhos a rezar ou com tempo para nos ajoelharmos? Eu creio que não. 
Ele não separa os momentos do nosso dia por partes: agora brincas, agora trabalhas e ...agora rezas. Não, Ele olha para tudo como uma única oração. Será que as nossas obras ao longo do dia são feitas por amor e com amor? As nossas obras são também orações. Não importa o tamanho da nossa obra, se não for feita com amor não valerá nada aos olhos de Deus...

Lembram-se da cruz do canto de oração lá fora?


Pois bem, há uns dias encontrei-a assim:


-" Gabriel!"- Chamei-o- "Esta não é a cruz do canto de oração lá fora?"
-" Sim, mamã! Agora é um papagaio! não ficou bonito?"
-" Sim, está muito bonito, mas... " Ele pegou num resto de tecido e costurou à maneira dele, fiquei espantada. As crianças estão mais aberta à mudança e à voz do Senhor. Lá fora o Gabriel e a Clarinha, divertiram-se tentando que ele voasse...

No meu coração pensava... A mesma cruz que fixa ao solo era meditada e fazia companhia na Quaresma agora voava. 

Não será isto também uma forma de rezar?

- "A mamã precisa de ajuda. Não querem buscar um pano para limparem os vidros?"
-" Não tenho muita vontade, mamã..." respondeu o Gabriel.
-" Vá lá Gabriel, assim  a mãe também tem tempo para brincar convosco. Temos que nos ajudar..."
-" Ok, mamã. Podes pôr o limpa-vidros..."
Enquanto limpavam, a Sofia brincava...

Não será isto também uma forma de rezar?


-" Eu vou-te ajudar com a loiça!" disse-me a Clarinha entusiasmada.
-" Está bem, mas cuidado com os pratos e os copos!"

Não será isto também uma forma de rezar?


E as brincadeiras?...




 ...e surpresas no canto de oração?


Se vivido com amor e alegria, será que Deus não olhará para tudo isto também como uma forma de rezar?



sexta-feira, 27 de março de 2015

Tudo é importante em família...

Ontem comecei a arrumar a nossa sala, tentando organizar os brinquedos e a papelada que se acumula com o tempo... Confesso que é uma das tarefas para mim mais difíceis a realizar com os três. Esforço-me para que seja uma tarefa em equipa ( é claro, que a Sofia não participa mas já observa como a fazemos) e que percebam que tudo numa família é importante. Desde, estes gestos de arrumação, passando pelo perdão constante uns com os outros, até a pequenos gestos de deixarmos o que nos apetece fazer e ajudar o irmão, tudo é importante, as brincadeiras, as visitam aos amigos e as festas de anos...
Pode parecer engraçado, mas quando tinha só o Gabriel não conseguia ter a casa tão organizada e limpa como agora com três.... Talvez porque eu aprendi a simplificar, a não dar importância ao que corre mal, a entender que é perda de energia pensar no que está mal e só vale a pena falar e pensar no que ainda pode correr melhor, a pensar menos e a agir mais e a trabalhar em equipa.

 Tentar limpar e organizar os brinquedos dos dois não é tarefa fácil, pois os brinquedos que a Clarinha e o Gabriel mais guardam são coisas que eles constroem com materiais que vão para a reciclagem ou desenhos ou outras coisas que não têm arrumação... eles sempre querem guardar tudo.

Nem sempre posso sentar-me e fazer trabalhos com eles. Geralmente deixo disponível os recursos ( papel, cola, cartão e plástico) e com a sua imaginação eles criam coisas muito bonitas...

Estive muito concentrada a tentar organizar aquilo tudo e a explicar que tínhamos que renovar e pôr muita coisa na reciclagem para termos espaço para criar coisas novas. Enquanto a Sofia se deliciava a espalhar lápis no chão e a mexer nos brinquedos que não podia, o Gabriel lá separou o que não interessava mais... depois os dois desapareceram no jardim.

Passado algum tempo, encontrei-os assim, no jardim, a terminar o seu trabalho




-" Tão bonito, Gabriel! Fizeste sozinho com a Clarinha?" perguntei.
-" Gostas, mamã?"
- " Muito lindo, e até pintaste a cruz... Onde encontraste estas varetas de madeira?"
-" São as varetas dos foguetes que eu apanhei da festa de São Bento!"
-" Ah, pois... e as pedras? Eram as pedras da eira, não eram?"
-" Sim..."
- " Que bom! E o que estás a escrever? Canto de oração?
-" Sim, assim podemos ter um canto de oração cá fora..."





Hoje, os três já tomaram o pequeno-almoço, no seu novo canto de oração, que entretanto já foi repintado e colorido...





sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Explicar e corrigir...

Durante o tempo de aulas, normalmente eu fico em casa a realizar as tarefas necessárias com a Sofia e por volta das 18h mais ou menos a carrinha da escola vem trazer o Gabriel e a Clarinha a casa. Geralmente o Serge chega muito mais tarde e muitas vezes já depois da hora do jantar. Essa é a parte do dia mais engraçada mas também a mais cansativa com banhos, trabalhos de casa, jantar e brincadeira. Não sei como é possível fazermos juntos tantas coisas em pouco tempo... 

Eles chegam a casa sempre com vontade de falar como se não estivéssemos juntos há um ano. E geralmente a Clarinha ainda não desceu da carrinha e já grita: " Mamã, tenho um presente para ti!" ou " Hoje portei-me muito bem!" ou então : " Tive saudades tuas!"

Um dia destes, a Clarinha veio ter comigo calada enquanto o Gabriel contava o que tinha feito todo contente. De repente, ele parou e disse-me:
-" Mamã, hoje a Clarinha não se portou lá muito bem no refeitório."
-" Não era para dizeres, mano!" disse ela envergonhada.
-" O que se passou Clarinha?" perguntei-lhe.
- " O mano diz..."- respondeu ela.
-" A Clarinha não estava quieta na hora da refeição e começou a atirar papelinhos às suas amigas. Depois a Vera ( auxiliar) teve de a chamar à atenção e ela não parou logo."
- " Clarinha, sabes que tens de ficar quieta durante a refeição e obedecer à Vera e ao professor. O que se passou?" Ela com um ar envergonhado disse-me:
- " Mamã, mas eu queria brincar... Apetecia-me tanto...mas depois eu parei e portei-me bem"  

Eu podia ter respondido assim e terminado a conversa:
-" Não voltes a fazer o mesmo, tens de te portar bem e obedecer logo quando a Vera te fala.

Mas não. Eu não terminei ali. Aquela expressão " apetecia-me tanto" ficou na minha cabeça. E eu tinha de ir mais longe.

- " Clarinha, fazer sacrifícios, não são coisas que nos apeteçam, pois não? São coisas que muitas vezes não gostamos muito, mas quando sabemos que temos de as fazer e fazemos Jesus fica feliz, não é?  Não querias ajudar a salvar as almas do fogo? Sabes, não são as cordas que conseguem tirar de lá as almas, pois elas queimam-se e partem-se. Mas há uma coisa que as pode tirar de lá e não se queima."
Ela olhou para mim, sorriu e perguntou entusiasmada:
- " O quê, mamã?"
- " Os teus sacrifícios. São as tuas melhores prendas para Jesus. Ás vezes, podemos fazer aquilo que nos apetece outras vezes não. Sempre que tens de fazer uma coisa que não te apetece, podes oferecer para salvar uma alma do fogo! E não te esqueças, depois de pedirmos desculpa às pessoas quando não fazemos as coisas bem, sabes que tens de pedir desculpa a Jesus e pedir-lhe que te ajude a portar sempre bem, não é assim?"
Ela foi para o canto de oração e disse umas palavras muito baixinho, depois lá foi brincar.

Ela ficou a pensar naquela conversa e no outro dia disse-me:

- " Mamã, hoje já ajudei duas almas a sair do fogo. Achas que um dia vou ver essas almas?"
-" Quem sabe, Clarinha..." - respondi-lhe com um sorriso.

-" Queres que eu te leia de novo a história da Jacinta e dos pastorinhos?"
-" Siiiim, mamã!"
- " Senta-te aqui ao pé de mim..."

sábado, 4 de outubro de 2014

Uma só coisa é necessária...

Uma só coisa é necessária na relação dos pais com os filhos. Se a nossa meta é educar para Deus com sinceridade, levar os nossos filhos a caminharem com confiança nas decisões difíceis da vida desde pequenos, uma só coisa é necessária: conquistar cada dia o coração dos nossos filhos.

E é com grande tristeza e preocupação  no coração que eu digo, se nós pais não conquistarmos o coração dos nossos filhos, o mundo, com todos os ensinamentos e ideologias contra Deus vai conquistá-los de certeza... Enquanto milhares de pessoas dia e noite trabalham para criarem um mundo de histórias  com heróis duvidosos, maneiras de pensar, roupas, brincadeiras para conquistarem o coração dos nossos filhos, nós, que somos os seus pais, quase não perdemos tempo nenhum com eles, nos preocupando em alimentar  o  amor a Deus. Nós católicos estamos a perder terreno... Andamos muito distraídos com as nossas prioridades. Muitas vezes, olho para mim mesma e fico triste de não estar a fazer esse acompanhamento mais a fundo. Como pais andamos muito mais preocupados se eles são ou não obedientes e esquecemos o aspeto importante da confiança que eles sentem por nós. Digo-vos sinceramente, a obediência é muito mais fácil quando se estabelece a confiança.
E como se conquista o coração?
Estejam próximos dos vossos filhos, oiçam os seus medos, inseguranças, entrem nas suas brincadeiras, estejam presentes nos momentos importantes. É preciso que os vossos filhos saibam que o pai ou a mãe estarão lá quando é preciso. É preciso que eles sintam o coração quente quando pensam em nós e que digam "o meu pai e a minha mãe são boas pessoas, capazes de fazer sacrifícios por nós. Com eles posso contar"
Conquistar não significa fazer tudo o que eles pedem, nem tão pouco se conquista o coração dando coisas... conquista-se o coração, dando tempo, sorrisos, abraços e muitas vezes repreendendo e  castigando com amor, corrigindo o que ofende a Deus. Sim, Deus gosta de ver os pais suando tentando corrigir os filhos, pois ele mesmo O faz connosco.


Uma criança aprende mais facilmente amar o sacrifício quando vê os seus pais a sacrificarem o seu tempo nas coisas que para ela são importantes. Isso é conquistar o coração!